Decidir entre internar e dar alta um paciente com ideação suicida é uma das escolhas mais pesadas da medicina. A avaliação do risco de suicídio bem-feita reduz a chance de um desfecho irreversível — e a insegurança nesse ponto assombra qualquer plantonista.
Este guia objetivo organiza fatores de risco, a entrevista e a conduta na crise. O foco é decidir com método, sem depender apenas da intuição.

Por que a avaliação do risco de suicídio é indispensável?
O suicídio mata mais de 700 mil pessoas por ano no mundo, superando várias causas amplamente combatidas. A avaliação do risco de suicídio é o filtro que identifica quem precisa de proteção imediata.
A maioria dos casos ocorre em pessoas com transtorno psiquiátrico, muitas vezes subdiagnosticado. Reconhecer isso conecta o tema à segurança diagnóstica em psiquiatria.
Perguntar sobre suicídio induz ao ato?
Não. Perguntar de forma direta e acolhedora alivia e abre espaço para ajuda; esse é um mito que ainda atrapalha a avaliação.
Qual o fator de risco mais forte?
A tentativa prévia é o preditor isolado mais importante, seguida da presença de transtorno psiquiátrico e do acesso a meios letais.
Quais fatores pesam na avaliação do risco de suicídio?
Vários elementos compõem a avaliação do risco de suicídio. A tabela resume os principais:
| Domínio | Sinais de maior risco |
|---|---|
| Psiquiátrico | depressão, bipolar, uso de substâncias |
| História | tentativa prévia, ideação com plano |
| Sociodemográfico | isolamento, sexo masculino, idoso |
| Contexto | acesso a meios, dor/doença grave |
Como conduzir a entrevista?
Investigar ideação (passiva e ativa), plano, intenção, acesso a meios e tentativas prévias, sempre buscando fatores protetores como vínculos e rede de apoio, competência aprofundada na pós de psiquiatria.
Escalas substituem o julgamento clínico?
Não. Instrumentos como a Columbia auxiliam a estruturar, mas a avaliação do risco de suicídio depende do julgamento clínico integrado à história.
Como conduzir a crise após a avaliação do risco de suicídio?
Definido o risco, a conduta segue uma lógica de proteção. Um roteiro prático:
- Estratificar o risco em baixo, moderado ou alto/iminente;
- Garantir segurança imediata e restringir o acesso a meios;
- Indicar internação quando o risco é alto ou iminente;
- Tratar o transtorno de base e construir um plano de segurança;
- Documentar a avaliação e organizar a rede de apoio.
Quando indicar internação?
No risco alto ou iminente — plano estruturado, intenção clara, meios disponíveis, pouco suporte — a internação protege enquanto se estabiliza o quadro.
O que é um plano de segurança?
Um combinado com sinais de alerta, estratégias de enfrentamento, contatos de apoio e serviços de emergência, reforçado por orientações da Organização Mundial da Saúde.

Erros comuns na avaliação do risco de suicídio
As falhas que mais custam caro:
- Não perguntar diretamente sobre ideação e plano;
- Subestimar uma tentativa prévia;
- Dar alta sem rede de apoio estruturada;
- Deixar de restringir o acesso a meios;
- Não documentar a avaliação e a conduta.
Documentar realmente importa?
Sim, clínica e juridicamente. O registro detalhado protege o paciente e o médico, apoiado pelas diretrizes da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Perguntas frequentes sobre avaliação do risco de suicídio
As dúvidas mais comuns aparecem a seguir.
Ideação passiva é grave?
Merece atenção e reavaliação, pois pode evoluir; nunca deve ser descartada de imediato.
Antidepressivo aumenta o risco no início?
Pode haver janela de atenção no início, exigindo monitorização — tema ligado à escolha do antidepressivo.
Adolescente exige abordagem diferente?
Sim; a rede familiar e escolar entra na avaliação, como na psiquiatria infantil.
Benzodiazepínico ajuda na crise?
Pode aliviar ansiedade/insônia agudas, com cautela e sem substituir o tratamento de base e o desmame planejado.
Risco baixo dispensa seguimento?
Não; todo caso exige reavaliação e plano de segurança.
Faça a avaliação do risco de suicídio com método e segurança
Deixar passar um risco iminente é o tipo de desfecho que marca uma carreira — e a falta de um método claro é uma dor concreta de quem atende sofrimento mental. A avaliação do risco de suicídio estruturada devolve segurança à decisão.
A Pós-Graduação em Psiquiatria do Instituto CDT aprofunda a prevenção do suicídio com casos reais e roteiros de conduta. Participe também da comunidade médica do CDT para trocar experiências.