O tratamento dos fogachos ganhou duas diretrizes americanas no mesmo mês. Em 5 de outubro de 2026, o American College of Physicians pôs o estrogênio como primeira linha, e em 15 de outubro o ACOG lançou a Clinical Practice Guideline nº 13.
A novidade não é só a confirmação do hormônio, mas a ordem explícita das alternativas. O comunicado do ACP traz uma escada em três degraus, útil para quem atende a mulher que não pode ou não quer usar estrogênio.

O que as novas diretrizes recomendam no tratamento dos fogachos?
As duas entidades convergem no ponto central: a terapia hormonal é o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores. A diferença entre elas está no detalhamento das alternativas e no espaço dado ao sono e ao humor.
Qual é a primeira linha?
Para o ACP, a primeira linha é estrogênio com progestagênio na mulher com útero, ou estrogênio isolado na histerectomizada. Nas aulas de Saúde da Mulher da pós, os professores lembram que o estrogênio reduz os fogachos em cerca de 75%, resultado que nenhuma alternativa iguala.
Qual é a ordem das alternativas?
A tabela abaixo resume a escada do ACP para mulheres que não usam estrogênio. As faixas de resposta foram citadas nas aulas da pós e servem como referência para conversar com a paciente.
| Linha | Opções | Observação prática |
|---|---|---|
| Primeira | Estrogênio, com progestagênio se houver útero | Opção mais eficaz para fogachos |
| Segunda | IRSN: desvenlafaxina ou venlafaxina | Venlafaxina XR com início de 37,5 mg |
| Terceira | ISRS: escitalopram ou paroxetina | Paroxetina interage com tamoxifeno |
| Terceira | Gabapentina | Útil nos fogachos noturnos |
| Terceira | Antagonistas de neurocinina: fezolinetante ou elinzanetante | Monitorar enzimas hepáticas |
O que o ACOG acrescentou?
O ACOG ampliou o foco para sono e humor e recomenda opções não farmacológicas, como exercício, terapia cognitivo-comportamental e hipnose clínica. A entidade não encontrou evidência suficiente para indicar hormônio especificamente para sintomas depressivos e não apoia isoflavonas de soja e fitoterápicos, como resume a nota do ACOG.
Quando indicar a terapia hormonal no tratamento dos fogachos?
A indicação parte dos sintomas, da idade e do tempo desde a menopausa. A janela mais favorável é antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos após a última menstruação, sem contraindicações.
Quais contraindicações afastam o estrogênio?
Câncer de mama ou de endométrio, sangramento genital sem diagnóstico, trombose prévia, doença hepática ativa e doença cardiovascular estabelecida estão entre as principais. Os critérios completos e a avaliação de risco aparecem no texto sobre a janela de oportunidade da reposição hormonal.
Como conduzir a decisão compartilhada?
O ACP pede uma decisão informada que considere benefício, risco, comorbidades, preferências, custo e acesso. Na prática, isso significa registrar a conversa e reavaliar a indicação ao longo do tempo, sem prazo fixo de suspensão.

Como escolher a alternativa não hormonal para fogachos?
No tratamento dos fogachos sem hormônio, a escolha depende do perfil da paciente, das comorbidades e das interações. Uma mesma queixa pode ter respostas diferentes conforme haja insônia, ansiedade ou uso de tamoxifeno.
Qual alternativa combina com cada perfil?
Os itens abaixo resumem as associações mais úteis discutidas nas aulas da pós. Eles ajudam a escolher o fármaco pela comorbidade, e não apenas pela eficácia média.
- Fogachos noturnos com insônia: gabapentina em dose única à noite;
- Ansiedade ou sintomas depressivos associados: escitalopram ou venlafaxina;
- Câncer de mama em uso de tamoxifeno: evitar paroxetina e preferir venlafaxina;
- Contraindicação a antidepressivos e gabapentina: considerar antagonista de neurocinina.
Por que evitar paroxetina com tamoxifeno?
A paroxetina inibe a enzima CYP2D6, que converte o tamoxifeno em endoxifeno, sua forma ativa. A associação pode reduzir a eficácia do tratamento oncológico, e por isso a venlafaxina costuma ser a escolha nessas pacientes.
O que muda com os antagonistas de neurocinina?
Fezolinetante e elinzanetante agem no centro termorregulador do hipotálamo, o mecanismo mais próximo da causa dos fogachos. O fezolinetante é usado em dose única diária, com monitorização das enzimas hepáticas, e sua disponibilidade no Brasil deve ser conferida na Anvisa.
Como organizar o tratamento dos fogachos no consultório?
As diretrizes destacam uma recomendação simples: perguntar ativamente pelos sintomas. Muitas mulheres não levam a queixa à consulta, e a avaliação clínica do climatério começa por essa pergunta.
Qual sequência seguir na consulta?
A ordem abaixo transforma as recomendações em um roteiro de consulta. Ela evita tanto a prescrição automática de hormônio quanto a recusa sem alternativa.
- Perguntar sobre fogachos, sudorese noturna, sono e humor;
- Rever contraindicações ao estrogênio e o tempo desde a menopausa;
- Discutir a terapia hormonal como primeira linha quando possível;
- Escolher a alternativa não hormonal pelo perfil e pelas interações;
- Reavaliar resposta e efeitos adversos em oito a doze semanas.
E as medidas sem remédio?
Exercício, terapia cognitivo-comportamental, mindfulness e hipnose clínica entram para sintomas vasomotores, sono e humor. Para a insônia, a abordagem descrita em tratamento da insônia crônica também se aplica à mulher no climatério.
Perguntas frequentes sobre tratamento dos fogachos
As dúvidas abaixo sobre o tratamento dos fogachos surgiram logo após a divulgação das diretrizes. As respostas resumem o que mudou e o que continua igual.
O tratamento dos fogachos com hormônio aumenta o risco de câncer de mama?
O risco depende do esquema, da duração e do perfil da paciente, e deve ser discutido individualmente. As diretrizes mantêm o estrogênio como primeira linha justamente após pesar benefícios e riscos.
Fitoterápicos funcionam no tratamento dos fogachos?
O ACOG não apoia isoflavonas de soja e suplementos fitoterápicos para sintomas da menopausa. A discussão sobre essas opções aparece em fitoterápicos na menopausa.
A clonidina ainda é opção?
Ela tem algum efeito, mas causa hipotensão, tontura, boca seca e sedação. Por isso, ficou como opção de menor preferência.
Quanto tempo esperar para avaliar a resposta?
Em geral, de oito a doze semanas com dose adequada permitem julgar o efeito. Antes disso, a troca precoce pode descartar uma opção que funcionaria.
As diretrizes valem para o Brasil?
São documentos americanos, mas a base de evidência é a mesma usada aqui. A diferença está na disponibilidade de alguns medicamentos e na regulação local.
Tratamento dos fogachos: a pergunta que abre a consulta
A paciente de 52 anos vem para mostrar exames de rotina e, só quando perguntada, conta que acorda encharcada três vezes por noite há um ano. Sem a pergunta, o tratamento dos fogachos nunca entraria na consulta, e ela seguiria sem dormir.
Escolher entre hormônio, IRSN, gabapentina ou antagonista de neurocinina exige segurança para pesar riscos e interações. A pós-graduação em Saúde da Mulher aprofunda menopausa, terapia hormonal e manejo da mulher que não pode usar estrogênio, com casos discutidos pelos professores.