{"id":201345,"date":"2026-03-21T16:26:02","date_gmt":"2026-03-21T19:26:02","guid":{"rendered":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/?p=201345"},"modified":"2026-03-21T16:26:02","modified_gmt":"2026-03-21T19:26:02","slug":"drenagem-torax-tecnica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/drenagem-torax-tecnica\/","title":{"rendered":"Drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica: inser\u00e7\u00e3o do dreno passo a passo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A&nbsp;<strong>drenagem tor\u00e1cica<\/strong>&nbsp;\u00e9 um dos procedimentos cir\u00fargicos mais cobrados em provas pr\u00e1ticas de resid\u00eancia m\u00e9dica e mais realizados nas salas de emerg\u00eancia do Brasil. Dominar a t\u00e9cnica de inser\u00e7\u00e3o do dreno de t\u00f3rax \u2014 desde as indica\u00e7\u00f5es at\u00e9 os crit\u00e9rios de retirada \u2014 \u00e9 habilidade indispens\u00e1vel para qualquer m\u00e9dico que atua em urg\u00eancia, UTI ou pronto-socorro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste artigo, voc\u00ea encontra um guia completo e pr\u00e1tico sobre a&nbsp;<strong>drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica<\/strong>, com anatomia relevante, passo a passo detalhado e os principais alertas para evitar complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 a drenagem tor\u00e1cica?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A drenagem tor\u00e1cica \u2014 tamb\u00e9m chamada de toracostomia com drenagem pleural fechada \u2014 consiste na introdu\u00e7\u00e3o de um dreno tubular atrav\u00e9s da parede tor\u00e1cica para remover ar, l\u00edquido ou sangue acumulados de forma an\u00f4mala no espa\u00e7o pleural. O objetivo \u00e9 restaurar a press\u00e3o negativa da cavidade pleural e garantir a expans\u00e3o adequada do pulm\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em indiv\u00edduos saud\u00e1veis, o espa\u00e7o entre as pleuras parietal e visceral cont\u00e9m apenas uma fina l\u00e2mina lubrificante. Quando esse espa\u00e7o \u00e9 ocupado por conte\u00fado patol\u00f3gico em volume relevante, ocorrem altera\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias e hemodin\u00e2micas que, se n\u00e3o tratadas, podem ser fatais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A&nbsp;<strong>drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica<\/strong>&nbsp;n\u00e3o \u00e9 papel exclusivo do cirurgi\u00e3o. Todo m\u00e9dico que atua na emerg\u00eancia deve estar preparado para realiz\u00e1-la com seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Indica\u00e7\u00f5es da drenagem tor\u00e1cica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As principais indica\u00e7\u00f5es da&nbsp;<strong>drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica<\/strong>&nbsp;incluem:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Pneumot\u00f3rax espont\u00e2neo de grande volume, recorrente, traum\u00e1tico, bilateral ou hipertensivo;<\/li>\n\n\n\n<li>Pneumot\u00f3rax em paciente sob ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica com press\u00e3o positiva;<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hemot\u00f3rax\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hemot\u00f3rax<\/a>;<\/li>\n\n\n\n<li>Derrame pleural parapneum\u00f4nico complicado ou empiema;<\/li>\n\n\n\n<li>Quilot\u00f3rax;<\/li>\n\n\n\n<li>Derrame pleural sintom\u00e1tico ou recorrente de grande volume;<\/li>\n\n\n\n<li>P\u00f3s-operat\u00f3rio de toracotomias.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o existem contraindica\u00e7\u00f5es absolutas \u00e0 drenagem tor\u00e1cica, especialmente em cen\u00e1rios de urg\u00eancia. Em situa\u00e7\u00f5es eletivas, consideram-se contraindica\u00e7\u00f5es relativas: coagulopatias, plaquetopenia abaixo de 50.000\/mm\u00b3, infec\u00e7\u00e3o cut\u00e2nea no s\u00edtio de pun\u00e7\u00e3o e ader\u00eancias intrapleurais. Nesses casos, o guia por ultrassonografia \u00e9 fortemente recomendado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Anatomia relevante para a drenagem tor\u00e1cica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de executar a&nbsp;<strong>drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica<\/strong>, \u00e9 essencial ter em mente dois pontos anat\u00f4micos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O&nbsp;<strong>feixe v\u00e1sculo-nervoso intercostal<\/strong>&nbsp;(art\u00e9ria, veia e nervo) percorre a borda inferior de cada arco costal. Por isso, a pun\u00e7\u00e3o e a dissec\u00e7\u00e3o devem ser realizadas sempre pela&nbsp;<strong>borda superior do arco costal inferior<\/strong>&nbsp;ao espa\u00e7o escolhido, reduzindo o risco de sangramento e neuralgia intercostal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O&nbsp;<strong>tri\u00e2ngulo de seguran\u00e7a<\/strong>&nbsp;\u2014 delimitado pela borda anterior do m\u00fasculo lat\u00edssimo do dorso, borda lateral do m\u00fasculo peitoral maior e o \u00e1pice da axila \u2014 \u00e9 a regi\u00e3o anatomicamente mais segura para inser\u00e7\u00e3o do dreno, pois minimiza o risco de les\u00e3o de estruturas nobres.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/drenagem-torax-tecnica-1024x683.png\" alt=\"drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica\" class=\"wp-image-201347\" srcset=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/drenagem-torax-tecnica-1024x683.png 1024w, https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/drenagem-torax-tecnica-300x200.png 300w, https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/drenagem-torax-tecnica-768x512.png 768w, https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/drenagem-torax-tecnica.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Materiais necess\u00e1rios<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para realizar a&nbsp;<strong>drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica<\/strong>&nbsp;com seguran\u00e7a, separe antes de paramentar-se:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Antiss\u00e9ptico (clorexidina 2% ou iodopovidona), gazes e pin\u00e7a para antissepsia;<\/li>\n\n\n\n<li>Campo est\u00e9ril;<\/li>\n\n\n\n<li>Lidoca\u00edna 1 a 2%, seringa de 10 mL e agulhas;<\/li>\n\n\n\n<li>Bisturi com l\u00e2mina;<\/li>\n\n\n\n<li>Duas pin\u00e7as hemost\u00e1ticas longas (Kelly ou Rochester);<\/li>\n\n\n\n<li>Porta-agulhas e fio de sutura grosso n\u00e3o absorv\u00edvel (nylon 1.0);<\/li>\n\n\n\n<li>Tesoura;<\/li>\n\n\n\n<li>Dreno tor\u00e1cico de tamanho adequado: 28 a 32 French para adultos (20 a 24 Fr para pneumot\u00f3rax sem hemot\u00f3rax; 32 a 36 Fr para hemot\u00f3rax e empiema);<\/li>\n\n\n\n<li>Sistema coletor em selo d&#8217;\u00e1gua, preenchido com \u00e1gua est\u00e9ril;<\/li>\n\n\n\n<li>Aparelho de suc\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Posicionamento do paciente<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O posicionamento correto facilita a execu\u00e7\u00e3o da&nbsp;<strong>drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica<\/strong>&nbsp;e reduz complica\u00e7\u00f5es. O paciente deve ser colocado em dec\u00fabito dorsal com a cabeceira elevada entre 30\u00b0 e 60\u00b0, para limitar a eleva\u00e7\u00e3o do diafragma e reduzir o risco de inser\u00e7\u00e3o intra-abdominal inadvertida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O membro superior ipsilateral ao hemit\u00f3rax afetado deve ser estendido acima da cabe\u00e7a com o cotovelo fletido, ampliando o espa\u00e7o intercostal e facilitando o acesso ao tri\u00e2ngulo de seguran\u00e7a. Um assistente deve manter o bra\u00e7o nessa posi\u00e7\u00e3o durante o procedimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica: passo a passo completo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A seguir, o passo a passo detalhado da&nbsp;<strong>drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica<\/strong>&nbsp;conforme os protocolos do ATLS e da literatura cir\u00fargica brasileira:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1. Confirmar o lado correto:<\/strong>&nbsp;use ausculta, percuss\u00e3o e exame de imagem dispon\u00edvel. Aplique os protocolos de cirurgia segura \u2014 a drenagem do hemit\u00f3rax errado \u00e9 um erro mais comum do que se imagina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2. Identificar o s\u00edtio de incis\u00e3o:<\/strong>&nbsp;4\u00ba ou 5\u00ba espa\u00e7o intercostal (n\u00edvel aproximado do mamilo ou sulco inframam\u00e1rio), entre as linhas axilar anterior e axilar m\u00e9dia, dentro do tri\u00e2ngulo de seguran\u00e7a. Marcar com caneta antes da antissepsia para n\u00e3o perder a refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>3. Paramenta\u00e7\u00e3o e antissepsia:<\/strong>&nbsp;lavar as m\u00e3os cirurgicamente, colocar gorro, m\u00e1scara, avental e luvas est\u00e9reis. Realizar a antissepsia de toda a parede lateral do t\u00f3rax, incluindo a regi\u00e3o do mamilo, e posicionar o campo est\u00e9ril.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4. Anestesia local por planos:<\/strong>\u00a0infiltrar lidoca\u00edna 1 a 2% nos tr\u00eas &#8220;Ps&#8221; \u2014 Pele, Peri\u00f3steo e Pleura Parietal. Injetar em volume generoso no peri\u00f3steo e na pleura parietal, que s\u00e3o os planos mais dolorosos. Aspirar antes de cada inje\u00e7\u00e3o para evitar inje\u00e7\u00e3o intravascular. A confirma\u00e7\u00e3o de que a agulha atingiu o espa\u00e7o pleural ocorre quando h\u00e1 retorno de ar ou l\u00edquido na <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/puncao-lombar-tecnica\/\" target=\"_blank\" data-type=\"post\" data-id=\"201237\" rel=\"noreferrer noopener\">seringa<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>5. Medir o dreno:<\/strong>&nbsp;enquanto a anestesia faz efeito, posicione a extremidade fenestrada do dreno sobre a clav\u00edcula, fa\u00e7a uma curva sobre o t\u00f3rax em dire\u00e7\u00e3o ao s\u00edtio de incis\u00e3o e marque o ponto com uma pin\u00e7a hemost\u00e1tica. Esse ser\u00e1 o comprimento de inser\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio para garantir que todos os orif\u00edcios do dreno estejam dentro do espa\u00e7o pleural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>6. Incis\u00e3o:<\/strong>&nbsp;fa\u00e7a uma incis\u00e3o de 2 a 3 cm paralela \u00e0s costelas, na pele e no subcut\u00e2neo, no local previamente marcado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>7. Dissec\u00e7\u00e3o romba:<\/strong>&nbsp;com a pin\u00e7a hemost\u00e1tica fechada, disseque os planos musculares em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 borda superior da costela inferior ao espa\u00e7o escolhido. Avance sobre o arco costal \u2014 nunca abaixo dele \u2014 at\u00e9 sentir a resist\u00eancia da pleura parietal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>8. Perfura\u00e7\u00e3o da pleura:<\/strong>&nbsp;perfure a pleura parietal com a ponta da pin\u00e7a, mantendo-a pr\u00f3xima \u00e0 ponta para evitar inser\u00e7\u00e3o brusca. Geralmente h\u00e1 sensa\u00e7\u00e3o de perda de resist\u00eancia. Abra a pin\u00e7a ao m\u00e1ximo e retire-a para ampliar a abertura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>9. Explora\u00e7\u00e3o digital:<\/strong>&nbsp;introduza um dedo enluvado na cavidade para verificar a aus\u00eancia de ader\u00eancias pleurais, localizar o diafragma e confirmar que n\u00e3o houve acesso inadvertido \u00e0 cavidade abdominal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>10. Inser\u00e7\u00e3o do dreno:<\/strong>&nbsp;prenda o dreno com uma pin\u00e7a hemost\u00e1tica na ponta e guie sua introdu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do trajeto dissecado. Direcione o dreno para posterior e superior nos casos de hemot\u00f3rax e derrame; para apical nos casos de pneumot\u00f3rax. Avance at\u00e9 a marca previamente determinada na medi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>11. Conectar ao selo d&#8217;\u00e1gua:<\/strong>&nbsp;remova a pin\u00e7a da extremidade distal e conecte o dreno ao sistema coletor em selo d&#8217;\u00e1gua. Confirme o funcionamento pela condensa\u00e7\u00e3o no interior do dreno, pela sa\u00edda de ar ou l\u00edquido, ou pedindo ao paciente que tussa \u2014 observe a forma\u00e7\u00e3o de bolhas no selo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>12. Fixa\u00e7\u00e3o do dreno:<\/strong>&nbsp;fixe o dreno \u00e0 pele com ponto em U e t\u00e9cnica em &#8220;bailarina&#8221; com fio grosso n\u00e3o absorv\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>13. Curativo:<\/strong>&nbsp;aplique gaze est\u00e9ril ao redor do dreno, cubra com curativo oclusivo e fixe com esparadrapo. Registre o d\u00e9bito imediato no prontu\u00e1rio \u2014 especialmente em contexto de trauma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>14. Confirmar posicionamento:<\/strong>&nbsp;solicite radiografia de t\u00f3rax anteroposterior imediatamente ap\u00f3s o procedimento. Se houver d\u00favida sobre o posicionamento, realize TC de t\u00f3rax.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tamanho do dreno: como escolher<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolha do calibre do dreno impacta diretamente a efic\u00e1cia da&nbsp;<strong>drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th>Indica\u00e7\u00e3o<\/th><th>Calibre recomendado<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Pneumot\u00f3rax simples<\/td><td>16 a 24 Fr<\/td><\/tr><tr><td>Derrame pleural maligno ou de fluxo livre<\/td><td>20 a 24 Fr<\/td><\/tr><tr><td>Derrame parapneum\u00f4nico complicado e empiema<\/td><td>28 a 36 Fr<\/td><\/tr><tr><td>Hemot\u00f3rax<\/td><td>32 a 36 Fr<\/td><\/tr><tr><td>Quilot\u00f3rax<\/td><td>28 a 32 Fr<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Drenos de menor calibre (pigtail, \u2264 14 Fr) s\u00e3o preferidos para pneumot\u00f3rax e derrames de fluxo livre, pois causam menos dor e dispensam sutura na remo\u00e7\u00e3o. Para derrames purulentos e hemot\u00f3rax, tubos de maior calibre s\u00e3o obrigat\u00f3rios para evitar obstru\u00e7\u00e3o por co\u00e1gulos e detritos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cuidados ap\u00f3s a inser\u00e7\u00e3o do dreno<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da&nbsp;<strong>drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica<\/strong>, o acompanhamento adequado \u00e9 determinante para o sucesso do procedimento:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Manter o sistema coletor em selo d&#8217;\u00e1gua pelo menos 100 cm abaixo do n\u00edvel do paciente, para evitar refluxo de l\u00edquido para a cavidade pleural;<\/li>\n\n\n\n<li>Nunca pin\u00e7ar o dreno durante o transporte do paciente;<\/li>\n\n\n\n<li>Monitorar o volume e aspecto do material drenado, al\u00e9m do padr\u00e3o respirat\u00f3rio e satura\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>Em contexto de trauma, indicar toracotomia se o d\u00e9bito inicial for superior a 1.500 mL ou se o d\u00e9bito cont\u00ednuo superar 200 mL\/hora nas primeiras duas a quatro horas subsequentes (hemot\u00f3rax maci\u00e7o);<\/li>\n\n\n\n<li>Limitar a drenagem a no m\u00e1ximo 1 a 1,5 L nas primeiras horas quando se tratar de derrame cr\u00f4nico, para reduzir o risco de edema pulmonar de reexpans\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>Realizar radiografia de controle em 12 a 24 horas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Complica\u00e7\u00f5es da drenagem tor\u00e1cica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As principais complica\u00e7\u00f5es da&nbsp;<strong>drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica<\/strong>&nbsp;incluem:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Posicionamento incorreto do dreno no par\u00eanquima pulmonar, na fissura lobar ou no espa\u00e7o subcut\u00e2neo;<\/li>\n\n\n\n<li>Sangramento por lacera\u00e7\u00e3o vascular, especialmente se a pun\u00e7\u00e3o for realizada na borda inferior do arco costal;<\/li>\n\n\n\n<li>Pneumot\u00f3rax iatrog\u00eanico por perfura\u00e7\u00e3o pulmonar;<\/li>\n\n\n\n<li>Infec\u00e7\u00e3o de partes moles, empiema secund\u00e1rio ou infec\u00e7\u00e3o do l\u00edquido pleural residual;<\/li>\n\n\n\n<li>Obstru\u00e7\u00e3o do dreno por co\u00e1gulos (especialmente drenos de menor calibre em hemot\u00f3rax);<\/li>\n\n\n\n<li>Edema pulmonar de reexpans\u00e3o ap\u00f3s drenagem r\u00e1pida de grande volume;<\/li>\n\n\n\n<li>Les\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os adjacentes (f\u00edgado, ba\u00e7o, diafragma) por pun\u00e7\u00e3o abaixo do 9\u00ba espa\u00e7o intercostal;<\/li>\n\n\n\n<li>Neuralgia intercostal por les\u00e3o do feixe v\u00e1sculo-nervoso.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria das complica\u00e7\u00f5es pode ser evitada com t\u00e9cnica adequada, posicionamento correto do paciente e respeito \u00e0s refer\u00eancias anat\u00f4micas descritas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Crit\u00e9rios de retirada do dreno de t\u00f3rax<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dreno deve permanecer apenas o tempo necess\u00e1rio. Os crit\u00e9rios de retirada variam conforme a indica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/parada-cardiorrespiratoria-acls\/\" target=\"_blank\" data-type=\"post\" data-id=\"201269\" rel=\"noreferrer noopener\">Pneumot\u00f3rax<\/a>:<\/strong>\u00a0interromper a suc\u00e7\u00e3o e conectar apenas ao frasco em selo d&#8217;\u00e1gua por algumas horas. Se n\u00e3o houver novo extravasamento de ar e os pulm\u00f5es permanecerem expandidos, retirar o dreno. Repetir a radiografia 12 a 24 horas ap\u00f3s a \u00faltima evid\u00eancia de vazamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Derrame pleural ou hemot\u00f3rax:<\/strong>&nbsp;retirar quando a drenagem for inferior a 100 a 200 mL\/dia de l\u00edquido seroso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>T\u00e9cnica de retirada:<\/strong>&nbsp;com o paciente semiereto, remova as suturas, pe\u00e7a que inspire profundamente e force a expira\u00e7\u00e3o. Retire o dreno durante a expira\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e cubra imediatamente o s\u00edtio com gaze de petr\u00f3leo. Solicite nova radiografia algumas horas ap\u00f3s a retirada para confirmar aus\u00eancia de pneumot\u00f3rax.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perguntas frequentes sobre drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Todo m\u00e9dico pode realizar a drenagem tor\u00e1cica?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim. Embora seja classificada como procedimento cir\u00fargico, a\u00a0<strong>drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica<\/strong>\u00a0deve ser dominada por qualquer m\u00e9dico que atue em emerg\u00eancia, UTI ou <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/valor-plantao-medico\/\" target=\"_blank\" data-type=\"post\" data-id=\"201315\" rel=\"noreferrer noopener\">plant\u00e3o<\/a> hospitalar. Em cen\u00e1rios de pneumot\u00f3rax hipertensivo, a drenagem pode ser determinante para a sobrevida do paciente antes da chegada do cirurgi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Qual a diferen\u00e7a entre toracocentese e drenagem tor\u00e1cica?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A toracocentese \u00e9 a pun\u00e7\u00e3o pleural com agulha ou jelco para diagn\u00f3stico ou al\u00edvio de derrame pleural. A drenagem tor\u00e1cica envolve a inser\u00e7\u00e3o de um dreno tubular com sistema coletor em selo d&#8217;\u00e1gua, sendo indicada para condi\u00e7\u00f5es que exigem drenagem cont\u00ednua como hemot\u00f3rax, empiema e pneumot\u00f3rax de grande volume.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Como saber se o dreno est\u00e1 bem posicionado?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Observe a sa\u00edda de ar ou l\u00edquido pelo dreno, a condensa\u00e7\u00e3o no tubo durante a respira\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o de bolhas no selo d&#8217;\u00e1gua quando o paciente tosse. A confirma\u00e7\u00e3o definitiva \u00e9 feita por radiografia de t\u00f3rax anteroposterior imediatamente ap\u00f3s o procedimento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quando est\u00e1 indicada a toracostomia com agulha antes do dreno?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A toracocentese descompressiva com jelco 14 no 2\u00ba ou 3\u00ba espa\u00e7o intercostal na linha hemiclavicular \u2014 ou entre o 4\u00ba e 5\u00ba no 4\u00ba na linha axilar anterior \u2014 \u00e9 indicada em pneumot\u00f3rax hipertensivo com instabilidade hemodin\u00e2mica, como medida tempor\u00e1ria de al\u00edvio at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da drenagem tor\u00e1cica definitiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Domine todos os procedimentos de emerg\u00eancia com o Manual Pr\u00e1tico do Instituto CDT<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Executar a&nbsp;<strong>drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica<\/strong>&nbsp;com seguran\u00e7a \u2014 e os demais procedimentos cr\u00edticos da emerg\u00eancia \u2014 exige mais do que teoria. Exige m\u00e9todo, macetes de quem j\u00e1 realizou o procedimento centenas de vezes e dom\u00ednio das situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o cl\u00e1ssicas que a faculdade n\u00e3o ensina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\u00a0<strong>Manual Pr\u00e1tico de Procedimentos M\u00e9dicos<\/strong>\u00a0do Dr. Thiago Amorim foi escrito exatamente para isso. Com linguagem direta, anota\u00e7\u00f5es pessoais do autor e casos de pacientes reais, o manual cobre acesso venoso central, drenagem tor\u00e1cica, paracentese, pericardiocentese, pun\u00e7\u00e3o lombar e mais \u2014 tudo em um formato pr\u00e1tico com espiral para levar para o plant\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais de 21.000 m\u00e9dicos j\u00e1 foram formados pelo Instituto CDT:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/livros\/manual-pratico-de-procedimentos-medicos?&amp;el=blog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">garanta seu exemplar aqui<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Drenagem t\u00f3rax t\u00e9cnica: indica\u00e7\u00f5es, materiais, passo a passo da inser\u00e7\u00e3o do dreno, complica\u00e7\u00f5es e crit\u00e9rios de retirada com seguran\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":201350,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[212],"tags":[198],"class_list":["post-201345","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-manuais","tag-manual-pratico-de-procedimentos-medicos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201345","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=201345"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201345\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":201352,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201345\/revisions\/201352"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/201350"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=201345"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=201345"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=201345"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}