{"id":201367,"date":"2026-03-21T23:53:55","date_gmt":"2026-03-22T02:53:55","guid":{"rendered":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/?p=201367"},"modified":"2026-03-21T23:53:55","modified_gmt":"2026-03-22T02:53:55","slug":"marca-passo-no-ecg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/marca-passo-no-ecg\/","title":{"rendered":"Marca-passo no ECG: como identificar ritmo e reconhecer disfun\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reconhecer o&nbsp;<strong>marca-passo no ECG<\/strong>&nbsp;\u00e9 uma habilidade indispens\u00e1vel na emerg\u00eancia e na UTI. Pacientes que chegam ao pronto-socorro com hist\u00f3rico de implante de marca-passo \u2014 ou que receberam o dispositivo recentemente \u2014 podem apresentar ritmos que confundem quem n\u00e3o conhece os padr\u00f5es esperados, levando a erros de interpreta\u00e7\u00e3o e condutas equivocadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste artigo, voc\u00ea vai aprender a identificar a esp\u00edcula de marca-passo, reconhecer os modos de estimula\u00e7\u00e3o mais comuns, entender o padr\u00e3o do ECG estimulado e identificar as principais disfun\u00e7\u00f5es do dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 o marca-passo e por que ele importa no ECG?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O marca-passo card\u00edaco \u00e9 um dispositivo implantado para tratar bradicardias sintom\u00e1ticas ou malignas \u2014 situa\u00e7\u00f5es em que o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegue manter uma frequ\u00eancia card\u00edaca adequada por conta pr\u00f3pria. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 composto por um gerador de pulsos, que cont\u00e9m a bateria e o circuito de controle, e pelos eletrodos, que transmitem o impulso el\u00e9trico \u00e0s c\u00e2maras card\u00edacas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como ensina a B\u00edblia do ECG, existem <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/confira-a-relacao-entre-bradicardia-na-iot-pediatrica-e-a-atropina\/\" target=\"_blank\" data-type=\"post\" data-id=\"121307\" rel=\"noreferrer noopener\">bradicardias<\/a> benignas que n\u00e3o necessitam de marca-passo e bradicardias malignas que sim \u2014 como o BAV de 2\u00ba grau Mobitz 2, o BAV avan\u00e7ado 3:1 e 4:1 e o BAVT.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><div>Nesses casos, quando os bloqueios s\u00e3o t\u00e3o avan\u00e7ados que as medidas farmacol\u00f3gicas (atropina, adrenalina, dopamina) n\u00e3o resolvem, o paciente s\u00f3 vai responder com marca-passo.<\/div><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como o marca-passo aparece no ECG?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sinal mais caracter\u00edstico do&nbsp;<strong>marca-passo no ECG<\/strong>&nbsp;\u00e9 a&nbsp;<strong>esp\u00edcula<\/strong>&nbsp;\u2014 um pico vertical de curta dura\u00e7\u00e3o (cerca de 2 ms), geralmente vis\u00edvel antes da onda P, do complexo QRS ou de ambos, dependendo da c\u00e2mara estimulada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como destaca a B\u00edblia do ECG, a esp\u00edcula \u00e9 o &#8220;tracinho&#8221; fino que aparece antes do QRS nos pacientes com marca-passo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos dispositivos mais modernos, a esp\u00edcula pode ser muito pequena ou praticamente invis\u00edvel nas deriva\u00e7\u00f5es convencionais \u2014 mas o QRS permanece alargado, o que \u00e9 o grande sinal de que o marca-passo est\u00e1 atuando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, quando um paciente diz ter marca-passo implantado e voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea esp\u00edcula no ECG, h\u00e1 duas possibilidades: o dispositivo \u00e9 moderno e a esp\u00edcula n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel nas deriva\u00e7\u00f5es analisadas, ou o marca-passo n\u00e3o est\u00e1 entrando \u2014 ou seja, est\u00e1 em disfun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Modos de estimula\u00e7\u00e3o: o que significam as letras<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os marca-passos s\u00e3o classificados pelo c\u00f3digo NBG (NASPE\/BPEG), que descreve o modo de estimula\u00e7\u00e3o com at\u00e9 cinco letras. Os tr\u00eas modos mais comuns na pr\u00e1tica cl\u00ednica s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VVI (estimula\u00e7\u00e3o ventricular):<\/strong>&nbsp;o marca-passo estimula e detecta atividade no ventr\u00edculo. Se detecta atividade ventricular nativa, a estimula\u00e7\u00e3o \u00e9 inibida. Se n\u00e3o detecta atividade no intervalo programado, estimula o ventr\u00edculo. \u00c9 utilizado em pacientes com disfun\u00e7\u00e3o atrial cr\u00f4nica, como fibrila\u00e7\u00e3o atrial permanente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AAI (estimula\u00e7\u00e3o atrial):<\/strong>&nbsp;estimula e detecta atividade no \u00e1trio. Se h\u00e1 ritmo atrial nativo acima da frequ\u00eancia programada, o marca-passo se inibe. Indicado em disfun\u00e7\u00e3o do n\u00f3 sinusal com condu\u00e7\u00e3o atrioventricular intacta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DDD (estimula\u00e7\u00e3o dupla c\u00e2mara):<\/strong>&nbsp;\u00e9 o modo mais comum. Estimula e detecta tanto \u00e1trio quanto ventr\u00edculo. A estimula\u00e7\u00e3o atrial ocorre quando n\u00e3o h\u00e1 atividade atrial nativa; a estimula\u00e7\u00e3o ventricular ocorre quando n\u00e3o h\u00e1 atividade ventricular ap\u00f3s a atividade atrial. \u00c9 o modo que melhor preserva a sincronia atrioventricular.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marca-passo-no-ECG-2-1024x683.png\" alt=\"marca-passo no ECG\" class=\"wp-image-201371\" srcset=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marca-passo-no-ECG-2-1024x683.png 1024w, https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marca-passo-no-ECG-2-300x200.png 300w, https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marca-passo-no-ECG-2-768x512.png 768w, https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/marca-passo-no-ECG-2.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Padr\u00f5es do ECG no marca-passo ventricular<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o eletrodo de estimula\u00e7\u00e3o est\u00e1 posicionado no \u00e1pice do ventr\u00edculo direito \u2014 como na maioria dos implantes \u2014, o complexo QRS estimulado apresenta&nbsp;<strong>padr\u00e3o de bloqueio de ramo esquerdo (BRE)<\/strong>: QRS largo, negativo em V1, com ativa\u00e7\u00e3o do ventr\u00edculo direito antes do esquerdo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso tem uma implica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica fundamental, que a B\u00edblia do ECG enfatiza: em paciente com marca-passo funcionando, o ECG assume o padr\u00e3o de BRE e\u00a0<strong>n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel avaliar supra-ST de forma confi\u00e1vel<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, diante de suspeita de s\u00edndrome <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/bloqueio-de-ramo-ecg-como-diferenciar\/\" target=\"_blank\" data-type=\"post\" data-id=\"201067\" rel=\"noreferrer noopener\">coronariana<\/a> aguda em paciente com marca-passo, a conduta \u00e9 seriar a troponina e n\u00e3o tentar interpretar o segmento ST da forma convencional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o padr\u00e3o de strain esperado no ECG estimulado \u00e9 a&nbsp;<strong>discord\u00e2ncia<\/strong>: o segmento ST e a onda T devem estar no sentido oposto ao da por\u00e7\u00e3o terminal do QRS. Se a concord\u00e2ncia aparecer \u2014 ST e QRS no mesmo sentido \u2014 isso pode indicar isquemia subjacente e deve ser valorizado clinicamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Padr\u00f5es do ECG no marca-passo de dupla c\u00e2mara (DDD)<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No modo DDD, o ECG pode mostrar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Esp\u00edculas antes da onda P e antes do QRS:<\/strong>\u00a0estimula\u00e7\u00e3o atrial e ventricular completa (captura 100% das c\u00e2maras);<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Esp\u00edcula apenas antes da onda P:<\/strong>\u00a0h\u00e1 atividade ventricular nativa suficiente e o marca-passo estimula apenas o \u00e1trio;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Esp\u00edcula apenas antes do QRS:<\/strong>\u00a0h\u00e1 atividade atrial nativa, mas o sistema de condu\u00e7\u00e3o AV est\u00e1 comprometido e o marca-passo estimula somente o ventr\u00edculo;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Aus\u00eancia de esp\u00edcula:<\/strong>\u00a0a atividade card\u00edaca nativa est\u00e1 acima da frequ\u00eancia m\u00ednima programada e o marca-passo se inibe \u2014 isso n\u00e3o significa disfun\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um ponto importante: a aus\u00eancia de complexos estimulados n\u00e3o significa, por si s\u00f3, falha do marca-passo. Pode simplesmente refletir condu\u00e7\u00e3o card\u00edaca nativa satisfat\u00f3ria, com o dispositivo corretamente inibido.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Batimentos de fus\u00e3o e captura<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em ritmos estimulados, dois tipos de batimentos especiais podem aparecer:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Batimentos de captura (capture beats):<\/strong>&nbsp;s\u00e3o complexos de morfologia diferente, mais estreitos que os batimentos estimulados, resultantes de ativa\u00e7\u00e3o ventricular nativa coincidindo com um intervalo sem estimula\u00e7\u00e3o. Indicam que o ventr\u00edculo tem atividade el\u00e9trica intr\u00ednseca preservada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Batimentos de fus\u00e3o:<\/strong>&nbsp;ocorrem quando o ventr\u00edculo \u00e9 ativado simultaneamente pelo impulso do marca-passo e por um impulso nativo. O QRS resultante tem morfologia intermedi\u00e1ria: mais estreito que o estimulado puro, mas com esp\u00edcula vis\u00edvel. N\u00e3o representam disfun\u00e7\u00e3o \u2014 s\u00e3o fen\u00f4menos normais em determinados ritmos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reconhecendo disfun\u00e7\u00f5es do marca-passo no ECG<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As disfun\u00e7\u00f5es do marca-passo t\u00eam apresenta\u00e7\u00f5es eletrocardiogr\u00e1ficas caracter\u00edsticas que o m\u00e9dico precisa reconhecer com seguran\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Falha de captura<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ocorre quando a esp\u00edcula est\u00e1 presente, mas n\u00e3o \u00e9 seguida pelo complexo esperado (onda P ou QRS). O marca-passo gera o est\u00edmulo, mas o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o responde a ele. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As causas incluem deslocamento do eletrodo, fibrose no s\u00edtio de implante, eleva\u00e7\u00e3o do limiar de estimula\u00e7\u00e3o (por <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/alteracoes-potassio-ecg\/\" target=\"_blank\" data-type=\"post\" data-id=\"201219\" rel=\"noreferrer noopener\">hipercalemia<\/a>, por exemplo) e falha do eletrodo. No ECG: esp\u00edcula vis\u00edvel sem complexo atrial ou ventricular subsequente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Falha de sensing (<em>undersensing<\/em>)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O marca-passo n\u00e3o detecta a atividade card\u00edaca nativa e dispara est\u00edmulos em momentos inadequados \u2014 inclusive sobre ondas T, com risco de taquicardia ventricular. No ECG: esp\u00edculas em momentos inapropriados, sem rela\u00e7\u00e3o com a atividade card\u00edaca nativa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Oversensing<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O marca-passo detecta sinais que n\u00e3o s\u00e3o atividade card\u00edaca (interfer\u00eancias el\u00e9tricas, miopotenciais) e os interpreta como batimentos, inibindo a estimula\u00e7\u00e3o quando ela deveria ocorrer. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ECG: pausas inapropriadas sem esp\u00edcula, mesmo com frequ\u00eancia card\u00edaca abaixo da m\u00ednima programada. Em pacientes marca-passo-dependentes, esse fen\u00f4meno pode causar s\u00edncope ou parada card\u00edaca.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Falha de disparo (falha de sa\u00edda)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O marca-passo n\u00e3o gera o est\u00edmulo quando deveria. No ECG: aus\u00eancia de esp\u00edcula e aus\u00eancia de complexo estimulado, com frequ\u00eancia card\u00edaca abaixo do limite programado. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferentemente do oversensing, aqui o problema est\u00e1 na gera\u00e7\u00e3o do impulso \u2014 bateria esgotada, fratura do eletrodo ou falha no circuito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Marca-passo no ECG: tabela resumo das disfun\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th>Disfun\u00e7\u00e3o<\/th><th>O que acontece<\/th><th>Achado no ECG<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Falha de captura<\/td><td>Est\u00edmulo n\u00e3o captura a c\u00e2mara<\/td><td>Esp\u00edcula sem P ou QRS<\/td><\/tr><tr><td>Falha de sensing<\/td><td>N\u00e3o detecta atividade nativa<\/td><td>Esp\u00edculas em momentos inapropriados<\/td><\/tr><tr><td>Oversensing<\/td><td>Detecta sinais n\u00e3o card\u00edacos<\/td><td>Pausas sem esp\u00edcula inapropriadas<\/td><\/tr><tr><td>Falha de disparo<\/td><td>N\u00e3o gera est\u00edmulo<\/td><td>Aus\u00eancia de esp\u00edcula e bradicardia<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Marca-passo transcut\u00e2neo na emerg\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando um paciente chega em bradicardia maligna sintom\u00e1tica refrat\u00e1ria \u00e0s medidas farmacol\u00f3gicas, o marca-passo transcut\u00e2neo \u00e9 a alternativa dispon\u00edvel enquanto o marca-passo definitivo n\u00e3o \u00e9 implantado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como descreve a B\u00edblia do ECG, o protocolo do ACLS para bradicardia segue tr\u00eas etapas: atropina 1mg EV em bolus (repetindo a cada 2 minutos at\u00e9 3mg no total); se n\u00e3o responder, iniciar adrenalina ou dopamina em BIC ou marca-passo transcut\u00e2neo \u2014 sem superioridade comprovada entre essas tr\u00eas op\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos bloqueios muito avan\u00e7ados, como o BAVT e o BAV de 2\u00ba grau Mobitz 2, frequentemente as medidas farmacol\u00f3gicas s\u00e3o refrat\u00e1rias e o paciente s\u00f3 responde ao marca-passo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A chave para indicar o marca-passo transcut\u00e2neo no ECG \u00e9 identificar se o bloqueio \u00e9 maligno \u2014 mesmo que o paciente esteja assintom\u00e1tico no momento, bradicardias malignas t\u00eam risco de morte s\u00fabita e exigem interna\u00e7\u00e3o e suporte imediato.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Armadilhas na interpreta\u00e7\u00e3o do marca-passo no ECG<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns pontos geram confus\u00e3o frequente na pr\u00e1tica e merecem aten\u00e7\u00e3o especial:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Confundir o padr\u00e3o estimulado com BRE idiop\u00e1tico:<\/strong>&nbsp;o QRS do marca-passo e o BRE s\u00e3o morfologicamente semelhantes. A diferen\u00e7a est\u00e1 na presen\u00e7a da esp\u00edcula antes do QRS. Nos marca-passos modernos sem esp\u00edcula vis\u00edvel, \u00e9 imposs\u00edvel distinguir sem a hist\u00f3ria cl\u00ednica \u2014 pergunte sempre sobre hist\u00f3rico de implante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Interpretar supra-ST em ECG com marca-passo:<\/strong>&nbsp;como a morfologia do QRS estimulado \u00e9 discordante por natureza, o padr\u00e3o de ST n\u00e3o pode ser avaliado pelos crit\u00e9rios convencionais. Use os crit\u00e9rios de Sgarbossa se houver suspeita de s\u00edndrome coronariana aguda em paciente com marca-passo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Concluir disfun\u00e7\u00e3o pela aus\u00eancia de esp\u00edcula:<\/strong>&nbsp;a inibi\u00e7\u00e3o do marca-passo por atividade card\u00edaca nativa adequada \u00e9 um funcionamento normal do dispositivo. Sempre correlacione a frequ\u00eancia card\u00edaca atual com a frequ\u00eancia m\u00ednima programada antes de concluir disfun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Subestimar o BAV de 2\u00ba grau Mobitz 2 e o BAVT:<\/strong>\u00a0conforme destaca a B\u00edblia do ECG, esses bloqueios s\u00e3o malignos mesmo quando o paciente est\u00e1 aparentemente est\u00e1vel \u2014 risco de morte s\u00fabita \u00e9 alto e o encaminhamento imediato para <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/titulo-de-especialista-medico\/\" target=\"_blank\" data-type=\"post\" data-id=\"201296\" rel=\"noreferrer noopener\">cardiologia<\/a> \u00e9 obrigat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perguntas frequentes sobre marca-passo ECG<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Como saber se o marca-passo est\u00e1 funcionando pelo ECG?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O funcionamento adequado \u00e9 confirmado quando: a esp\u00edcula aparece no momento esperado (respeitando a frequ\u00eancia programada), cada esp\u00edcula \u00e9 seguida pelo complexo esperado (captura efetiva) e o dispositivo se inibe corretamente diante de atividade nativa acima da frequ\u00eancia m\u00ednima programada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 o modo magn\u00e9tico do marca-passo?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aplica\u00e7\u00e3o de um \u00edm\u00e3 sobre o gerador ativa o modo ass\u00edncrono (AOO, VOO ou DOO), em que o dispositivo estimula em frequ\u00eancia fixa independentemente da atividade card\u00edaca nativa. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 usado para testar a captura do marca-passo ou em situa\u00e7\u00f5es de interfer\u00eancia eletromagn\u00e9tica. Aten\u00e7\u00e3o: aplicar \u00edm\u00e3 em cardiodesfibrilador implant\u00e1vel (CDI) desativa a fun\u00e7\u00e3o de desfibrila\u00e7\u00e3o \u2014 n\u00e3o confundir os dispositivos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Paciente com marca-passo pode ter infarto no ECG?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, mas o diagn\u00f3stico \u00e9 dif\u00edcil pelo ECG convencional. A discord\u00e2ncia obrigat\u00f3ria do padr\u00e3o estimulado mascara as altera\u00e7\u00f5es do segmento ST. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os <a href=\"https:\/\/litfl.com\/sgarbossa-criteria-ecg-library\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">crit\u00e9rios de Sgarbossa<\/a> (concord\u00e2ncia do ST \u2265 1mm, supra-ST \u2265 5mm discordante ou infra-ST em V1-V3) podem ajudar, mas a dosagem de troponina \u00e9 indispens\u00e1vel sempre que houver suspeita cl\u00ednica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Qual a diferen\u00e7a entre marca-passo e CDI no ECG?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ambos podem gerar esp\u00edculas e complexos estimulados de apar\u00eancia similar. O CDI \u00e9 um cardiodesfibrilador implant\u00e1vel que combina fun\u00e7\u00e3o de marca-passo com capacidade de detectar e tratar taquiarritmias ventriculares. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ECG em repouso, a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel \u2014 \u00e9 preciso conhecer o hist\u00f3rico do dispositivo implantado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Domine o ECG com m\u00e9todo e seguran\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reconhecer o&nbsp;<strong>marca-passo no ECG<\/strong>&nbsp;\u2014 a esp\u00edcula, os padr\u00f5es de captura, as disfun\u00e7\u00f5es e as armadilhas diagn\u00f3sticas \u2014 \u00e9 parte de uma habilidade maior: interpretar qualquer tra\u00e7ado com m\u00e9todo, rapidez e seguran\u00e7a na beira do leito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\u00a0B\u00edblia do ECG\u00a0do Instituto CDT foi criada exatamente para isso. Com linguagem direta, casos cl\u00ednicos reais e uma abordagem pr\u00e1tica que vai da configura\u00e7\u00e3o correta do aparelho at\u00e9 as arritmias mais complexas \u2014 incluindo marca-passo, bloqueios malignos e taquicardias \u2014, o livro \u00e9 a refer\u00eancia que mais de 21 mil m\u00e9dicos escolheram para dominar o eletrocardiograma na pr\u00e1tica real:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/livros\/biblia_ecg\/?&amp;el=blog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">conhe\u00e7a a B\u00edblia do ECG aqui<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marca-passo no ECG: como identificar esp\u00edculas, padr\u00f5es de captura, ritmos estimulados e reconhecer disfun\u00e7\u00f5es no eletrocardiograma.<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":201370,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[212],"tags":[299,282],"class_list":["post-201367","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-manuais","tag-a-biblia-do-ecg","tag-manuais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=201367"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201367\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":201375,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201367\/revisions\/201375"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/201370"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=201367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=201367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=201367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}