{"id":201410,"date":"2026-03-23T19:08:28","date_gmt":"2026-03-23T22:08:28","guid":{"rendered":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/?p=201410"},"modified":"2026-03-23T19:08:28","modified_gmt":"2026-03-23T22:08:28","slug":"flutter-atrial-ecg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/flutter-atrial-ecg\/","title":{"rendered":"Flutter atrial ECG: diagn\u00f3stico diferencial e conduta"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\u00a0<strong>flutter atrial ECG<\/strong>\u00a0\u00e9 um dos achados que mais gera d\u00favida na pr\u00e1tica cl\u00ednica \u2014 e por um bom motivo: na maioria das vezes em que ele est\u00e1 presente, n\u00e3o d\u00e1 para v\u00ea-lo claramente no tra\u00e7ado. A frequ\u00eancia card\u00edaca elevada esconde as cl\u00e1ssicas ondas F em serrote que os livros mostram, e o m\u00e9dico acaba diante de uma taquicardia de QRS estreito sem saber exatamente o que est\u00e1 tratando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Saber reconhecer o\u00a0<strong>flutter atrial ECG<\/strong>, diferenci\u00e1-lo da taquicardia por reentrada nodal (TRN) e da fibrila\u00e7\u00e3o atrial (FA), e conduzir corretamente o caso \u2014 seja com controle de frequ\u00eancia, seja com cardiovers\u00e3o \u2014 \u00e9 habilidade indispens\u00e1vel em qualquer plant\u00e3o de emerg\u00eancia. Para quem quer dominar as arritmias do in\u00edcio ao fim, o artigo sobre\u00a0<a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/como-ler-um-eletrocardiograma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">como ler um eletrocardiograma<\/a>\u00a0\u00e9 o ponto de partida obrigat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 flutter atrial<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O flutter atrial \u00e9 uma taquiarritmia supraventricular caracterizada por ativa\u00e7\u00e3o atrial r\u00e1pida e organizada, geralmente em torno de 300 despolariza\u00e7\u00f5es atriais por minuto, produzida por um circuito de macrorreentrada no \u00e1trio direito. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferente da fibrila\u00e7\u00e3o atrial \u2014 em que o ritmo atrial \u00e9 ca\u00f3tico e desorganizado \u2014, no flutter a atividade atrial \u00e9 regular e produz um padr\u00e3o t\u00edpico de ondas F em &#8220;dente de serra&#8221; ou serrote, mais vis\u00edvel nas deriva\u00e7\u00f5es inferiores (DII, DIII e avF) e em V1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O n\u00f3 atrioventricular n\u00e3o consegue conduzir todas as 300 despolariza\u00e7\u00f5es por minuto para os ventr\u00edculos, gerando bloqueios vari\u00e1veis. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O padr\u00e3o mais comum \u00e9 o bloqueio 2:1 \u2014 dois impulsos atriais para cada QRS \u2014, resultando em frequ\u00eancia ventricular de aproximadamente\u00a0<strong>150 bpm<\/strong>. Esse n\u00famero \u00e9 a pista cl\u00ednica mais importante do\u00a0<strong>flutter atrial ECG<\/strong>: toda taquicardia com QRS estreito em torno de 150 bpm deve levantar imediatamente a suspeita de flutter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como ensina a B\u00edblia do ECG: &#8220;A \u00fanica pista pra n\u00f3s detetives \u00e9 que a FC na maioria das vezes estar\u00e1 em 150 bpm.&#8221; Em bloqueios 3:1 ou 4:1, a frequ\u00eancia ventricular cai para 100 ou 75 bpm respectivamente \u2014 situa\u00e7\u00f5es em que o diagn\u00f3stico \u00e9 mais dif\u00edcil porque a FC n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o sugestiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil ver as ondas F<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O principal motivo pelo qual o\u00a0<strong>flutter atrial ECG<\/strong>\u00a0\u00e9 frequentemente n\u00e3o reconhecido est\u00e1 na sobreposi\u00e7\u00e3o das ondas F ao complexo QRS e \u00e0 onda T. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a FC ventricular em 150 bpm, o intervalo R-R \u00e9 curto e os complexos se sobrep\u00f5em \u00e0s ondas F de 300 bpm \u2014 o resultado \u00e9 que o padr\u00e3o em serrote fica parcialmente escondido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas situa\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis, \u00e9 poss\u00edvel ver o serrote nas deriva\u00e7\u00f5es inferiores ou em V1, especialmente quando o bloqueio AV \u00e9 maior (3:1 ou 4:1) e h\u00e1 mais intervalo entre os QRSs. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, na maioria dos casos cl\u00ednicos, a FC estar\u00e1 t\u00e3o alta que o serrote n\u00e3o \u00e9 diretamente vis\u00edvel \u2014 e o diagn\u00f3stico vai depender da adenosina e da pausa ventricular que ela produz.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O algoritmo diagn\u00f3stico na emerg\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A abordagem de qualquer taquicardia come\u00e7a pelo mesmo m\u00e9todo. A B\u00edblia do ECG prop\u00f5e um racioc\u00ednio simples e eficaz para qualquer taquiarritmia com QRS estreito: se o R-R \u00e9 regular, provavelmente \u00e9 TSV; se o R-R \u00e9 irregular, provavelmente \u00e9 FA. O&nbsp;<strong>flutter atrial ECG<\/strong>&nbsp;cai na primeira categoria \u2014 R-R regular \u2014 e \u00e9 indistingu\u00edvel da TRN pela simples an\u00e1lise do tra\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O m\u00e9todo para confirmar se uma TSV de R-R regular \u00e9 TRN ou flutter passa necessariamente pela adenosina e pela manobra vagal modificada, conforme o protocolo do ACLS. O fluxo \u00e9 o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante de TSV est\u00e1vel com QRS estreito e R-R regular, o primeiro passo \u00e9 a\u00a0<strong>manobra de Valsalva modificada<\/strong>: o paciente senta, sopra uma seringa de 10 ou 20 ml durante 15 segundos, e imediatamente deita-se com as pernas elevadas por mais 15 segundos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse protocolo tem taxa de revers\u00e3o de at\u00e9 43% nas TRNs. Se reverter, era TRN. Se n\u00e3o reverter, segue para a adenosina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\u00a0<strong>adenosina<\/strong>\u00a0\u00e9 administrada em bolus r\u00e1pido de 6 mg EV (flush imediato com 20 ml de SF) com ECG rodando em modo de 1 canal por 60 segundos para registrar o que acontece. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a taquicardia reverter para sinusal, era TRN. Se a FC cair momentaneamente com pausa ventricular e depois a taquicardia retornar, e durante essa pausa aparecerem as ondas F em serrote \u2014 era\u00a0<strong>flutter atrial<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A adenosina desmascara o flutter ao bloquear transitoriamente a condu\u00e7\u00e3o pelo n\u00f3 AV, tornando as ondas F vis\u00edveis no tra\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se os 6 mg n\u00e3o surtirem efeito, repete-se com 12 mg e, se necess\u00e1rio, uma terceira dose de 18 mg. A aus\u00eancia de resposta \u00e0 adenosina em dose plena, com manuten\u00e7\u00e3o da taquicardia, refor\u00e7a fortemente o diagn\u00f3stico de flutter.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/flutter-atrial-ECG-1024x683.png\" alt=\"flutter atrial ECG\" class=\"wp-image-201412\" srcset=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/flutter-atrial-ECG-1024x683.png 1024w, https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/flutter-atrial-ECG-300x200.png 300w, https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/flutter-atrial-ECG-768x512.png 768w, https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/flutter-atrial-ECG.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Diagn\u00f3stico diferencial: flutter atrial ECG vs FA vs TRN<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os tr\u00eas diagn\u00f3sticos diferenciais mais importantes ao encontrar um&nbsp;<strong>flutter atrial ECG<\/strong>&nbsp;s\u00e3o a fibrila\u00e7\u00e3o atrial, a taquicardia por reentrada nodal e a taquicardia ventricular com condu\u00e7\u00e3o aberrante. Entender as diferen\u00e7as agiliza a decis\u00e3o na beira do leito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferencia\u00e7\u00e3o fundamental entre as taquiarritmias de QRS estreito fica ainda mais clara ao integrar os achados do ECG com a manobra vagal e a adenosina:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th>Achado<\/th><th>FA<\/th><th>TRN<\/th><th>Flutter atrial<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>R-R<\/td><td>Irregular<\/td><td>Regular<\/td><td>Regular<\/td><\/tr><tr><td>Onda P<\/td><td>Ausente (ondas f irregulares)<\/td><td>Ausente ou retr\u00f3grada<\/td><td>Ondas F em serrote (quando vis\u00edveis)<\/td><\/tr><tr><td>FC ventricular t\u00edpica<\/td><td>Vari\u00e1vel<\/td><td>&gt; 150 bpm<\/td><td>~150 bpm (bloqueio 2:1)<\/td><\/tr><tr><td>Resposta \u00e0 adenosina<\/td><td>Pausa + ondas f irregulares<\/td><td>Revers\u00e3o para sinusal<\/td><td>Pausa + ondas F vis\u00edveis + retorno da taquicardia<\/td><\/tr><tr><td>Resposta \u00e0 Valsalva<\/td><td>Sem revers\u00e3o<\/td><td>Revers\u00e3o frequente<\/td><td>Sem revers\u00e3o<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A taquicardia ventricular entra no diagn\u00f3stico diferencial quando o QRS est\u00e1 alargado. Como ensina a B\u00edblia do ECG: R-R regular com QRS alargado em V1 negativo \u00e9 BRE; em V1 positivo \u00e9 BRD. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, diante de QRS largo em paciente inst\u00e1vel, a conduta \u00e9 cardiovers\u00e3o e n\u00e3o adenosina. Para aprofundar o diagn\u00f3stico diferencial das taquicardias de QRS largo, veja o artigo sobre\u00a0<a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/taquicardia-ventricular-ecg\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">taquicardia ventricular ECG<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Flutter atrial ECG: conduta cl\u00ednica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Confirmado o diagn\u00f3stico de&nbsp;<strong>flutter atrial ECG<\/strong>, o manejo segue a mesma l\u00f3gica da fibrila\u00e7\u00e3o atrial \u2014 mas com uma diferen\u00e7a importante na energia de cardiovers\u00e3o. A B\u00edblia do ECG \u00e9 direta: &#8220;Sabendo que \u00e9 flutter voc\u00ea n\u00e3o pode cardioverter pra ritmo sinusal da mesma forma. O manejo ser\u00e1 igual \u00e0 fibrila\u00e7\u00e3o atrial.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A avalia\u00e7\u00e3o inicial divide o caso em dois cen\u00e1rios: flutter est\u00e1vel e flutter inst\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Flutter atrial ECG est\u00e1vel<\/strong>\u00a0(sem hipotens\u00e3o, sem rebaixamento de consci\u00eancia, sem dor tor\u00e1cica isqu\u00eamica): o objetivo \u00e9 o\u00a0<strong>controle da frequ\u00eancia ventricular<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O agente de escolha \u00e9 o betabloqueador \u2014 o metoprolol 5 mg EV lento, podendo ser repetido at\u00e9 3 doses (m\u00e1ximo 15 mg). O objetivo \u00e9 reduzir a FC abaixo de 100 bpm para melhorar o d\u00e9bito card\u00edaco e o conforto do paciente. Diltiazem EV \u00e9 uma alternativa nos pacientes sem contraindica\u00e7\u00e3o aos betabloqueadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A amiodarona \u00e9 uma alternativa quando h\u00e1 disfun\u00e7\u00e3o ventricular associada, pela sua menor a\u00e7\u00e3o inotr\u00f3pica negativa em compara\u00e7\u00e3o aos betabloqueadores e bloqueadores dos canais de c\u00e1lcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Flutter atrial ECG inst\u00e1vel<\/strong>\u00a0(hipotens\u00e3o, s\u00edncope, dor tor\u00e1cica, insufici\u00eancia respirat\u00f3ria): a indica\u00e7\u00e3o \u00e9 a\u00a0<strong>cardiovers\u00e3o el\u00e9trica sincronizada<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A energia inicial para flutter \u00e9 de\u00a0<strong>50 joules<\/strong>, progressiva para 100 joules se n\u00e3o reverter \u2014 energia significativamente menor do que os 150 joules usados na FA. Essa diferen\u00e7a existe porque o flutter \u00e9 um ritmo mais organizado e mais sens\u00edvel \u00e0 cardiovers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sincroniza\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria: o cardioversor deve disparar no complexo QRS para evitar o fen\u00f4meno R sobre T, que poderia induzir fibrila\u00e7\u00e3o ventricular.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Considera\u00e7\u00f5es sobre anticoagula\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O flutter atrial compartilha com a fibrila\u00e7\u00e3o atrial o risco de forma\u00e7\u00e3o de trombos atriais e eventos tromboemb\u00f3licos, incluindo AVC. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com as diretrizes da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cardiol.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sociedade Brasileira de Cardiologia<\/a>, o risco tromboemb\u00f3lico do flutter deve ser estratificado e manejado da mesma forma que na FA \u2014 utilizando o escore CHA\u2082DS\u2082-VASc para indica\u00e7\u00e3o de anticoagula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A regra geral, alinhada \u00e0s diretrizes internacionais de eletrofisiologia, incluindo as publicadas pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.heart.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">American Heart Association<\/a>, \u00e9 que, se o flutter tem dura\u00e7\u00e3o conhecida inferior a 48 horas, a cardiovers\u00e3o pode ser realizada sem anticoagula\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, mas deve ser iniciada anticoagula\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o procedimento. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para dura\u00e7\u00f5es incertas ou superiores a 48 horas, a anticoagula\u00e7\u00e3o deve ser mantida por pelo menos 3 semanas antes da cardiovers\u00e3o eletiva, ou \u00e9 necess\u00e1rio realizar ecocardiograma transesof\u00e1gico para excluir trombo atrial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na emerg\u00eancia com instabilidade hemodin\u00e2mica, a cardiovers\u00e3o \u00e9 imediata independentemente do status de anticoagula\u00e7\u00e3o \u2014 o benef\u00edcio supera o risco tromboemb\u00f3lico agudo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Armadilhas no diagn\u00f3stico do flutter atrial ECG<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns erros frequentes comprometem o diagn\u00f3stico e a conduta no&nbsp;<strong>flutter atrial ECG<\/strong>. Conhec\u00ea-los reduz erros na pr\u00e1tica:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Interpretar o serrote como artefato:<\/strong>&nbsp;em deriva\u00e7\u00f5es de m\u00e1 qualidade ou com muito ru\u00eddo, as ondas F podem ser confundidas com tremor muscular ou artefato de movimento. A an\u00e1lise em m\u00faltiplas deriva\u00e7\u00f5es e a correla\u00e7\u00e3o cl\u00ednica resolvem a d\u00favida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Confundir flutter com FA:<\/strong>&nbsp;ambos t\u00eam aus\u00eancia de onda P sinusal, mas a chave diferencial \u00e9 o R-R. No flutter, o R-R \u00e9 regular; na FA, \u00e9 irregular. O m\u00e9todo do papel descrito na B\u00edblia do ECG \u2014 marcar dois QRSs e comparar a dist\u00e2ncia com os demais \u2014 \u00e9 suficiente para fazer essa distin\u00e7\u00e3o na maioria dos casos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fazer adenosina em taquicardia de QRS largo:<\/strong>&nbsp;adenosina em QRS largo pode precipitar fibrila\u00e7\u00e3o ventricular se a taquicardia for ventricular. Nunca use adenosina em QRS largo sem certeza de origem supraventricular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Usar energia inadequada na cardiovers\u00e3o:<\/strong>&nbsp;tratar flutter como FA e usar 150 J de in\u00edcio \u00e9 desnecess\u00e1rio. O flutter responde a 50 J \u2014 uma distin\u00e7\u00e3o que importa especialmente em cardioversores com menor reserva de carga.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perguntas frequentes sobre flutter atrial ECG<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As d\u00favidas mais comuns dos m\u00e9dicos sobre&nbsp;<strong>flutter atrial ECG<\/strong>&nbsp;na pr\u00e1tica cl\u00ednica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Flutter atrial pode ser confundido com ritmo sinusal?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em bloqueios de alta raz\u00e3o (4:1 ou 5:1), a FC ventricular pode ser de 60 a 75 bpm \u2014 pr\u00f3xima do normal. Nesses casos, a aus\u00eancia de onda P sinusal e a presen\u00e7a de ondas F entre os QRSs (\u00e0s vezes vis\u00edveis nas deriva\u00e7\u00f5es inferiores) s\u00e3o os elementos que fazem o diagn\u00f3stico. O R-R permanece regular, o que diferencia do flutter com bloqueio vari\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Adenosina pode ser usada para tratar o flutter?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o para tratar \u2014 apenas para diagnosticar. A adenosina produz bloqueio AV transit\u00f3rio que desmascara as ondas F durante a pausa ventricular. Quando a pausa passa, o flutter retorna. O tratamento do flutter \u00e9 o controle de frequ\u00eancia ou a cardiovers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Flutter e fibrila\u00e7\u00e3o atrial podem coexistir?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim. Alguns pacientes alternam entre flutter e FA, condi\u00e7\u00e3o chamada de flutter-fibrila\u00e7\u00e3o. O manejo segue o mesmo racional das duas arritmias, e o diagn\u00f3stico \u00e9 feito pela an\u00e1lise do tra\u00e7ado em diferentes momentos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Flutter atrial sempre precisa de cardiovers\u00e3o?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o. Flutter est\u00e1vel sem comprometimento hemodin\u00e2mico pode ser manejado com controle de frequ\u00eancia e anticoagula\u00e7\u00e3o at\u00e9 decis\u00e3o terap\u00eautica definitiva. A cardiovers\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria no flutter inst\u00e1vel. A abla\u00e7\u00e3o por cateter do istmo cavotricusp\u00eddeo \u00e9 o tratamento curativo de escolha para flutter t\u00edpico recorrente, com altas taxas de sucesso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Domine as arritmias com a B\u00edblia do ECG do Instituto CDT<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reconhecer o\u00a0<strong>flutter atrial ECG<\/strong>, diferenci\u00e1-lo da FA e da TRN, e conduzir cada caso com seguran\u00e7a depende de m\u00e9todo \u2014 e m\u00e9todo se aprende com a refer\u00eancia certa. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\u00a0<strong>B\u00edblia do ECG<\/strong>\u00a0do Instituto CDT foi escrita para isso: linguagem direta, casos cl\u00ednicos reais, racioc\u00ednio passo a passo e as mesmas dicas que o Dr. Thiago Amorim usa no plant\u00e3o. Das bradicardias \u00e0s taquiarritmias, do infarto ao flutter:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/livros\/biblia_ecg\/?&amp;el=blog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">conhe\u00e7a a B\u00edblia do ECG aqui<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Flutter atrial ECG: como reconhecer as ondas F em serrote, diagnosticar diferencial com FA e TSV, e conduzir o caso est\u00e1vel e inst\u00e1vel com seguran\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":201413,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[212],"tags":[299,282],"class_list":["post-201410","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-manuais","tag-a-biblia-do-ecg","tag-manuais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201410","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=201410"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201410\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":201416,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201410\/revisions\/201416"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/201413"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=201410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=201410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=201410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}