{"id":204244,"date":"2026-07-13T16:17:42","date_gmt":"2026-07-13T19:17:42","guid":{"rendered":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/?p=204244"},"modified":"2026-07-13T20:38:59","modified_gmt":"2026-07-13T23:38:59","slug":"infarto-de-parede-posterior-no-ecg-como-reconhecer-e-confirmar-o-diagnostico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/infarto-de-parede-posterior-no-ecg-como-reconhecer-e-confirmar-o-diagnostico\/","title":{"rendered":"Infarto de parede posterior no ECG: como reconhecer e confirmar o diagn\u00f3stico"},"content":{"rendered":"<p>Existe um infarto que n\u00e3o aparece onde o olho procura. O infarto de parede posterior no ECG \u00e9 subdiagnosticado justamente porque n\u00e3o h\u00e1 deriva\u00e7\u00e3o convencional apontada diretamente para essa parede.<\/p>\n<p>Perder esse diagn\u00f3stico significa negar reperfus\u00e3o a um STEMI. Este guia mostra os sinais indiretos, a confirma\u00e7\u00e3o correta e as associa\u00e7\u00f5es que todo plantonista precisa reconhecer de imediato.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/tec-03-b1.webp\" alt=\"infarto de parede posterior no ECG\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Infra de ST em V1\u2013V3 com R alta sugere infarto posterior \u2014 confirme com V7\u2013V9.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2 id=\"por-que-o-infarto-de-parede-posterior-no-ecg-passa-despercebido\">Por que o infarto de parede posterior no ECG passa despercebido?<\/h2>\n<p>A parede posterior n\u00e3o tem deriva\u00e7\u00e3o direta no ECG de 12 deriva\u00e7\u00f5es. Assim, o infarto de parede posterior no ECG se manifesta por sinais em espelho nas deriva\u00e7\u00f5es precordiais direitas.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 um tra\u00e7ado que parece &#8220;s\u00f3 isquemia anterior&#8221;, quando na verdade h\u00e1 oclus\u00e3o transmural posterior. Reconhecer o padr\u00e3o \u00e9 uma compet\u00eancia central da <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/ganhar-confianca-na-cardiologia-da-emergencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">cardiologia da emerg\u00eancia<\/a>.<\/p>\n<h3 id=\"quais-deriva\u00e7\u00f5es-olham-a-parede-posterior\">Quais deriva\u00e7\u00f5es &#8220;olham&#8221; a parede posterior?<\/h3>\n<p>Nenhuma das 12 cl\u00e1ssicas olha de frente. No infarto de parede posterior no ECG, s\u00e3o as deriva\u00e7\u00f5es V7, V8 e V9 que registram a parede diretamente.<\/p>\n<h3 id=\"qual-art\u00e9ria-costuma-estar-envolvida\">Qual art\u00e9ria costuma estar envolvida?<\/h3>\n<p>Em geral a art\u00e9ria circunflexa ou a coron\u00e1ria direita, o que explica a associa\u00e7\u00e3o frequente com o infarto inferior e com o cuidado intensivo na <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/pos_medicinaintensiva\/?el=blog\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">medicina intensiva<\/a>.<\/p>\n<h2 id=\"como-reconhecer-o-infarto-de-parede-posterior-no-ecg\">Como reconhecer o infarto de parede posterior no ECG?<\/h2>\n<p>O padr\u00e3o indireto \u00e9 caracter\u00edstico e deve disparar a suspeita. A tabela resume os achados:<\/p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Achado em V1\u2013V3<\/th>\n<th>Interpreta\u00e7\u00e3o<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Infra de ST em V1\u2013V3<\/td>\n<td>Imagem em espelho do supra posterior<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Onda R alta (R\/S &gt; 1) em V1\u2013V2<\/td>\n<td>Espelho da onda Q posterior<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Onda T positiva e proeminente<\/td>\n<td>Reflexo da isquemia transmural<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h3 id=\"o-que-significa-infra-de-st-em-v1\">O que significa infra de ST em V1?<\/h3>\n<p>Infra de ST em V1\u2013V3 \u00e9 o gatilho: obriga a investigar a parede posterior, colocando as deriva\u00e7\u00f5es V7\u2013V9.<\/p>\n<h3 id=\"como-confirmar-com-v7-v9\">Como confirmar com V7-V9?<\/h3>\n<p>Posicionar os eletrodos posteriores e buscar supra de ST \u2265 0,5 mm em V7\u2013V9 (\u2265 1 mm em homens &lt; 40 anos) confirma o infarto de parede posterior no ECG.<\/p>\n<h2 id=\"que-associa\u00e7\u00f5es-n\u00e3o-podem-escapar-no-infarto-de-parede-posterior-no-ecg\">Que associa\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem escapar no infarto de parede posterior no ECG?<\/h2>\n<p>O infarto posterior raramente vem sozinho. A abordagem sistem\u00e1tica evita surpresas:<\/p>\n<ol type=\"1\">\n<li>Diante de supra inferior (DII, DIII, aVF), investigar sempre o ventr\u00edculo direito com V3R\/V4R;<\/li>\n<li>Diante de infra em V1\u2013V3, investigar a parede posterior com V7\u2013V9;<\/li>\n<li>Confirmar reciprocidade entre paredes antes de fechar o laudo;<\/li>\n<li>Correlacionar sempre com a cl\u00ednica e a curva de troponina;<\/li>\n<li>Acionar a reperfus\u00e3o se confirmado o STEMI posterior.<\/li>\n<\/ol>\n<h3 id=\"por-que-pesquisar-o-ventr\u00edculo-direito\">Por que pesquisar o ventr\u00edculo direito?<\/h3>\n<p>O infarto inferior frequentemente acompanha o de VD, que muda o manejo (cuidado com nitrato e volume) e pode cursar com hipotens\u00e3o e <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/avaliacao-da-dispneia-no-idoso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dispneia<\/a>. Supra em V4R confirma o acometimento direito no infarto de parede posterior no ECG.<\/p>\n<h3 id=\"o-infarto-posterior-isolado-indica-reperfus\u00e3o\">O infarto posterior isolado indica reperfus\u00e3o?<\/h3>\n<p>Sim. O STEMI posterior isolado \u00e9 indica\u00e7\u00e3o de reperfus\u00e3o, ainda que n\u00e3o haja supra nas deriva\u00e7\u00f5es usuais, seguindo as <a href=\"https:\/\/www.escardio.org\/Guidelines\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">diretrizes da ESC<\/a>.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/tec-03-b2.webp\" alt=\"infarto de parede posterior no ECG\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>No infarto inferior, pesquise sempre o ventr\u00edculo direito com V3R e V4R.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2 id=\"erros-comuns-diante-do-infarto-de-parede-posterior-no-ecg\">Erros comuns diante do infarto de parede posterior no ECG<\/h2>\n<p>As armadilhas mais perigosas:<\/p>\n<ul>\n<li>Ler o infra anterior como &#8220;isquemia subendoc\u00e1rdica&#8221; e parar a\u00ed;<\/li>\n<li>N\u00e3o posicionar V7\u2013V9 quando h\u00e1 infra em V1\u2013V3;<\/li>\n<li>Ignorar a onda R alta em V1 como variante normal;<\/li>\n<li>Esquecer de pesquisar VD no infarto inferior;<\/li>\n<li>Aguardar troponina para agir num STEMI eletrocardiogr\u00e1fico.<\/li>\n<\/ul>\n<h3 id=\"vale-registrar-deriva\u00e7\u00f5es-extras-de-rotina\">Vale registrar deriva\u00e7\u00f5es extras de rotina?<\/h3>\n<p>Sim, sempre que o padr\u00e3o indireto ou a cl\u00ednica sugerirem. A biblioteca de ECG do <a href=\"https:\/\/litfl.com\/posterior-myocardial-infarction-ecg-library\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">LITFL<\/a> ilustra bem esses tra\u00e7ados.<\/p>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes-sobre-infarto-de-parede-posterior-no-ecg\">Perguntas frequentes sobre infarto de parede posterior no ECG<\/h2>\n<p>As d\u00favidas mais comuns no plant\u00e3o aparecem a seguir.<\/p>\n<h3 id=\"infra-em-v1-v3-\u00e9-sempre-infarto-posterior\">Infra em V1-V3 \u00e9 sempre infarto posterior?<\/h3>\n<p>N\u00e3o, mas obriga a investigar a parede posterior com V7\u2013V9 antes de descartar.<\/p>\n<h3 id=\"onde-coloco-v7-v8-e-v9\">Onde coloco V7, V8 e V9?<\/h3>\n<p>Na mesma linha horizontal de V6, progredindo at\u00e9 a regi\u00e3o paravertebral esquerda.<\/p>\n<h3 id=\"qual-o-corte-de-supra-em-v7-v9\">Qual o corte de supra em V7-V9?<\/h3>\n<p>Supra \u2265 0,5 mm (\u2265 1 mm em homens &lt; 40 anos) confirma o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<h3 id=\"precisa-de-supra-nas-deriva\u00e7\u00f5es-comuns\">Precisa de supra nas deriva\u00e7\u00f5es comuns?<\/h3>\n<p>N\u00e3o. O padr\u00e3o em espelho j\u00e1 indica reperfus\u00e3o quando confirmado atr\u00e1s.<\/p>\n<h3 id=\"como-diferenciar-de-causas-de-tonturas\u00edncope\">Como diferenciar de causas de tontura\/s\u00edncope?<\/h3>\n<p>Correlacionando com a cl\u00ednica; a <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/como-abordar-a-queixa-de-tontura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">queixa de tontura<\/a> pode mascarar uma s\u00edndrome coronariana.<\/p>\n<h2 id=\"nunca-mais-perca-um-infarto-de-parede-posterior-no-ecg\">Nunca mais perca um infarto de parede posterior no ECG<\/h2>\n<p>Deixar passar um STEMI posterior \u00e9 negar tratamento a quem tinha janela de reperfus\u00e3o \u2014 uma das falhas que mais pesam na consci\u00eancia do emergencista. A inseguran\u00e7a na leitura fina do ECG \u00e9 uma dor concreta de quem atende dor tor\u00e1cica.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/pos_medicinadeemergencia\/?el=blog\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Medicina de Emerg\u00eancia do Instituto CDT<\/a> treina essa leitura sistem\u00e1tica com casos reais, do espelho precordial \u00e0s deriva\u00e7\u00f5es extras. Aprofunde na <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/seguranca-no-diagnostico-em-psiquiatria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">seguran\u00e7a diagn\u00f3stica<\/a> e participe da <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/comunidade-medica-para-troca-de-experiencias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">comunidade m\u00e9dica do CDT<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Infarto de parede posterior no ECG: reconhe\u00e7a o infra de ST em V1-V3, R alta em V1, confirme com V7-V9 e n\u00e3o perca o STEMI que as deriva\u00e7\u00f5es comuns escondem.<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":204325,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[277,356,878,877],"class_list":["post-204244","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-graduacao-medica","tag-eletrocardiograma","tag-emergencia","tag-infarto-agudo-do-miocardio","tag-infarto-de-parede-posterior-no-ecg"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204244","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=204244"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204244\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":204390,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204244\/revisions\/204390"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/204325"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=204244"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=204244"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=204244"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}