{"id":206517,"date":"2026-10-06T15:00:00","date_gmt":"2026-10-06T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/?p=206517"},"modified":"2026-10-06T15:00:00","modified_gmt":"2026-10-06T18:00:00","slug":"tratamento-da-colica-renal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/tratamento-da-colica-renal\/","title":{"rendered":"Roteiro do tratamento da c\u00f3lica renal: analgesia, terapia expulsiva e sinais de urg\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>O tratamento da c\u00f3lica renal come\u00e7a antes de qualquer exame, porque a dor da ureterolit\u00edase est\u00e1 entre as mais intensas que um paciente descreve no pronto-socorro. Dor lombar em c\u00f3lica, irradiada para flanco, virilha ou genitais, com inquieta\u00e7\u00e3o e n\u00e1useas, \u00e9 o quadro t\u00edpico de um c\u00e1lculo que deixou o rim e travou no ureter.<\/p>\n<p>Uma mudan\u00e7a de pr\u00e1tica ainda n\u00e3o chegou a todos os plant\u00f5es: escopolamina dilu\u00edda em soro, repetida a cada hora, deixou de ser o padr\u00e3o. Diretrizes atuais colocam o anti-inflamat\u00f3rio no centro, liberam o opioide como resgate e condenam a hidrata\u00e7\u00e3o vigorosa que muitos ainda prescrevem.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/out-tratamento-da-colica-renal-1.webp\" alt=\"tratamento da c\u00f3lica renal\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O anti-inflamat\u00f3rio por via venosa ou intramuscular alivia mais e reduz a necessidade de resgate do que os antiespasm\u00f3dicos, que n\u00e3o somam benef\u00edcio.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Como fazer a analgesia no tratamento da c\u00f3lica renal?<\/h2>\n<p>A analgesia deve ser proporcional \u00e0 dor, e o erro mais comum \u00e9 subdosar por receio. A <a href=\"https:\/\/uroweb.org\/guidelines\/urolithiasis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">diretriz de urolit\u00edase da EAU<\/a> recomenda anti-inflamat\u00f3rios n\u00e3o esteroides, incluindo dipirona, e paracetamol como primeira escolha, com opioide ou cetamina como segunda op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Qual anti-inflamat\u00f3rio escolher e em que dose?<\/h3>\n<p>Cetorolaco 30 mg por via venosa, diclofenaco 75 mg intramuscular ou ibuprofeno oral s\u00e3o op\u00e7\u00f5es equivalentes na pr\u00e1tica. Antes da dose, conv\u00e9m checar creatinina, gesta\u00e7\u00e3o e sangramento, porque o risco renal cresce em quem j\u00e1 tem obstru\u00e7\u00e3o, desidrata\u00e7\u00e3o ou <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/insuficiencia-renal-aguda-criterios-kdigo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">les\u00e3o renal aguda pelos crit\u00e9rios KDIGO<\/a>.<\/p>\n<h3>O opioide prende o c\u00e1lculo?<\/h3>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de que o opioide piore a expuls\u00e3o ou aumente complica\u00e7\u00f5es. Morfina titulada por via venosa \u00e9 o resgate adequado quando o anti-inflamat\u00f3rio n\u00e3o basta, seguindo as regras da <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/dor-intensa-a-prescricao-de-opioides-com-seguranca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">prescri\u00e7\u00e3o de opioides com seguran\u00e7a<\/a> para evitar seda\u00e7\u00e3o excessiva.<\/p>\n<h2>Quais exames guiam o tratamento da c\u00f3lica renal?<\/h2>\n<p>A tomografia de abdome sem contraste \u00e9 o exame de refer\u00eancia, e o ultrassom \u00e9 a escolha em gestantes e crian\u00e7as. C\u00e1lculos de \u00e1cido \u00farico s\u00e3o radiotransparentes na radiografia simples, mas aparecem na tomografia.<\/p>\n<h3>O que o ultrassom \u00e0 beira do leito resolve?<\/h3>\n<p>O <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/ultrassom-a-beira-do-leito\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ultrassom \u00e0 beira do leito<\/a> mostra hidronefrose e, em parte dos casos, o pr\u00f3prio c\u00e1lculo. Hidronefrose com cl\u00ednica t\u00edpica e sem sinais de complica\u00e7\u00e3o permite alta com analgesia, reservando a tomografia para d\u00favida diagn\u00f3stica ou dor refrat\u00e1ria.<\/p>\n<h3>Quando o quadro n\u00e3o \u00e9 c\u00e1lculo?<\/h3>\n<p>Idoso com primeira c\u00f3lica renal da vida precisa de aneurisma de aorta abdominal exclu\u00eddo antes da alta. Pielonefrite, apendicite retrocecal, tor\u00e7\u00e3o de ov\u00e1rio, gravidez ect\u00f3pica e dissec\u00e7\u00e3o arterial tamb\u00e9m simulam a mesma dor.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/out-tratamento-da-colica-renal-2.webp\" alt=\"tratamento da c\u00f3lica renal\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O ultrassom \u00e0 beira do leito mostra hidronefrose em boa parte dos casos, mas o c\u00e1lculo em si nem sempre aparece no ureter m\u00e9dio.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Quando o tratamento da c\u00f3lica renal vira urg\u00eancia urol\u00f3gica?<\/h2>\n<p>Rim obstru\u00eddo e infectado \u00e9 emerg\u00eancia, porque antibi\u00f3tico sozinho n\u00e3o drena a urina contaminada. A lista re\u00fane os achados que exigem contato imediato com a urologia.<\/p>\n<ul>\n<li>Febre, calafrios ou sinais de sepse junto com hidronefrose;<\/li>\n<li>Eleva\u00e7\u00e3o de creatinina ou olig\u00faria, sugerindo obstru\u00e7\u00e3o com les\u00e3o renal;<\/li>\n<li>Rim \u00fanico funcional ou transplantado com c\u00e1lculo obstrutivo;<\/li>\n<li>Dor refrat\u00e1ria a anti-inflamat\u00f3rio e opioide em doses adequadas;<\/li>\n<li>Obstru\u00e7\u00e3o bilateral ou an\u00faria em qualquer paciente.<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Como \u00e9 feita a desobstru\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n<p>O cateter duplo J e a nefrostomia percut\u00e2nea t\u00eam efic\u00e1cia semelhante para drenar o sistema coletor. A retirada definitiva do c\u00e1lculo fica para depois do controle da infec\u00e7\u00e3o, e o antibi\u00f3tico segue o racioc\u00ednio da <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/tratamento-da-infeccao-urinaria-cistite-pielonefrite-e-a-escolha-certa-do-antibiotico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pielonefrite complicada<\/a>, com urocultura antes da primeira dose.<\/p>\n<h3>Por que n\u00e3o hidratar de forma vigorosa?<\/h3>\n<p>No tratamento da c\u00f3lica renal, grandes volumes aumentam a press\u00e3o num sistema j\u00e1 obstru\u00eddo e n\u00e3o aceleram a expuls\u00e3o. Hidrata\u00e7\u00e3o s\u00f3 para corrigir d\u00e9ficit \u00e9 o suficiente, e a ingest\u00e3o de mais de dois litros de \u00e1gua por dia vale para a preven\u00e7\u00e3o de novos epis\u00f3dios.<\/p>\n<h2>Como conduzir a alta no tratamento da c\u00f3lica renal?<\/h2>\n<p>O tamanho e a localiza\u00e7\u00e3o do c\u00e1lculo orientam a expectativa de expuls\u00e3o espont\u00e2nea. A tabela resume a conduta usual sem complica\u00e7\u00e3o, e os crit\u00e9rios de procedimento est\u00e3o na <a href=\"https:\/\/www.auanet.org\/guidelines-and-quality\/guidelines\/kidney-stones-surgical-management-guideline\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">diretriz de manejo cir\u00fargico da AUA<\/a>.<\/p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Tamanho do c\u00e1lculo ureteral<\/th>\n<th>Chance de expuls\u00e3o<\/th>\n<th>Conduta habitual<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>At\u00e9 5 mm<\/td>\n<td>Alta, a maioria sai sozinho<\/td>\n<td>Observa\u00e7\u00e3o com analgesia<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>5 a 10 mm, ureter distal<\/td>\n<td>Intermedi\u00e1ria<\/td>\n<td>Terapia expulsiva com alfabloqueador<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Acima de 10 mm<\/td>\n<td>Baixa<\/td>\n<td>Encaminhar para ureteroscopia ou litotripsia<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h3>Como prescrever a terapia expulsiva?<\/h3>\n<p>A tansulosina 0,4 mg uma vez ao dia, por at\u00e9 quatro semanas, aumenta a expuls\u00e3o de c\u00e1lculos distais acima de 5 mm. O uso \u00e9 fora da bula nessa indica\u00e7\u00e3o, e hipotens\u00e3o postural e ejacula\u00e7\u00e3o retr\u00f3grada devem ser explicadas ao paciente.<\/p>\n<h3>O que orientar na sa\u00edda do pronto-socorro?<\/h3>\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o de alta evita retornos desnecess\u00e1rios e identifica cedo quem complicou. A sequ\u00eancia abaixo cobre o essencial para o paciente que vai para casa.<\/p>\n<ol type=\"1\">\n<li>Prescrever anti-inflamat\u00f3rio em hor\u00e1rio fixo por poucos dias, com opioide oral de resgate;<\/li>\n<li>Associar tansulosina quando o c\u00e1lculo distal tiver entre 5 e 10 mm;<\/li>\n<li>Pedir que filtre a urina e guarde o c\u00e1lculo para an\u00e1lise de composi\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Orientar retorno imediato se houver febre, v\u00f4mitos persistentes ou redu\u00e7\u00e3o da urina;<\/li>\n<li>Agendar reavalia\u00e7\u00e3o urol\u00f3gica com imagem se n\u00e3o houver expuls\u00e3o em quatro semanas.<\/li>\n<\/ol>\n<h2>Perguntas frequentes sobre tratamento da c\u00f3lica renal<\/h2>\n<p>As perguntas abaixo surgem com frequ\u00eancia na passagem de plant\u00e3o da emerg\u00eancia. Cada resposta resume a conduta aceita pelas diretrizes atuais.<\/p>\n<h3>Antiespasm\u00f3dico ajuda no tratamento da c\u00f3lica renal?<\/h3>\n<p>N\u00e3o, somar escopolamina ao anti-inflamat\u00f3rio n\u00e3o melhora o controle da dor. A associa\u00e7\u00e3o apenas atrasa a analgesia eficaz quando substitui a dose adequada de anti-inflamat\u00f3rio.<\/p>\n<h3>Como fica o tratamento da c\u00f3lica renal na gestante?<\/h3>\n<p>O ultrassom \u00e9 o primeiro exame, e o paracetamol \u00e9 a base da analgesia, com opioide se necess\u00e1rio. Anti-inflamat\u00f3rios devem ser evitados, conforme a lista de <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/gestante-e-lactante-os-medicamentos-seguros-na-gestacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">medicamentos seguros na gesta\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<h3>Todo paciente precisa de tomografia?<\/h3>\n<p>N\u00e3o, jovens com quadro t\u00edpico, sem febre e com boa resposta \u00e0 analgesia podem receber alta ap\u00f3s ultrassom. A tomografia \u00e9 reservada para d\u00favida, idade avan\u00e7ada, dor refrat\u00e1ria ou suspeita de complica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>A dipirona pode ser usada sozinha?<\/h3>\n<p>Pode, a dipirona tem efic\u00e1cia analg\u00e9sica e \u00e9 alternativa quando o anti-inflamat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 seguro. Em dor intensa, por\u00e9m, costuma precisar de associa\u00e7\u00e3o ou de resgate com opioide.<\/p>\n<h3>Quando repetir a imagem ap\u00f3s a alta?<\/h3>\n<p>A reavalia\u00e7\u00e3o \u00e9 feita se a dor persistir ou se n\u00e3o houver expuls\u00e3o em at\u00e9 quatro semanas. C\u00e1lculo parado por muito tempo pode causar perda de fun\u00e7\u00e3o renal sem sintomas.<\/p>\n<h2>Tratamento da c\u00f3lica renal sem retorno na madrugada seguinte<\/h2>\n<p>O paciente volta \u00e0s 4 horas da manh\u00e3, com febre e a mesma dor, depois de receber escopolamina, tr\u00eas litros de soro e alta sem orienta\u00e7\u00e3o. No tratamento da c\u00f3lica renal, esse retorno quase sempre tem origem em analgesia fraca, hidrata\u00e7\u00e3o exagerada ou sinal de obstru\u00e7\u00e3o infectada que passou sem ser procurado.<\/p>\n<p>Ter \u00e0 m\u00e3o doses, contraindica\u00e7\u00f5es e crit\u00e9rios de encaminhamento resolve a hesita\u00e7\u00e3o na hora de prescrever. O livro <a href=\"https:\/\/editora.institutocdt.com.br\/produto\/condutas-praticas-na-emergencia-manual-baseado-em-evidencias?el=blog\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Condutas Pr\u00e1ticas na Emerg\u00eancia<\/a> re\u00fane esse tipo de protocolo em formato de consulta r\u00e1pida, baseado em evid\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tratamento da c\u00f3lica renal no PS: AINE como primeira linha, opioide sem medo, hidrata\u00e7\u00e3o sem exagero, tansulosina e os sinais que exigem desobstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":206514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[212],"tags":[1367,1366,1364,1365],"class_list":["post-206517","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-manuais","tag-analgesia-na-emergencia","tag-terapia-expulsiva","tag-tratamento-da-colica-renal","tag-ureterolitiase"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206517","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=206517"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206517\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":206769,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206517\/revisions\/206769"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/206514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=206517"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=206517"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=206517"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}