{"id":206594,"date":"2026-10-12T15:00:00","date_gmt":"2026-10-12T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/?p=206594"},"modified":"2026-10-11T16:18:19","modified_gmt":"2026-10-11T19:18:19","slug":"sindrome-de-brugada-no-ecg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/sindrome-de-brugada-no-ecg\/","title":{"rendered":"Supra em corcova em V1 e V2: como confirmar a s\u00edndrome de Brugada no ECG"},"content":{"rendered":"<p>Reconhecer a s\u00edndrome de Brugada no ECG \u00e9 tarefa de pronto-socorro, n\u00e3o s\u00f3 de eletrofisiologista, porque o primeiro tra\u00e7ado costuma ser feito ap\u00f3s uma s\u00edncope em jovem. A canalopatia afeta mais homens, ocorre sem cardiopatia estrutural e pode causar fibrila\u00e7\u00e3o ventricular durante o sono, a febre ou ap\u00f3s refei\u00e7\u00f5es volumosas.<\/p>\n<p>O contraste com o <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/infarto-agudo-miocardio-ecg\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">infarto no ECG<\/a> confunde muitos plantonistas, porque os dois elevam o ST em V1 e V2 com condutas opostas. Levar Brugada para a hemodin\u00e2mica ou dar alta a um supra isqu\u00eamico s\u00e3o erros que a leitura da morfologia evita.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/out-sindrome-de-brugada-no-ecg-1-r.webp\" alt=\"s\u00edndrome de Brugada no ECG\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Subir V1 e V2 para o segundo e o terceiro espa\u00e7o intercostal aumenta a chance de flagrar o padr\u00e3o tipo 1 na via de sa\u00edda do ventr\u00edculo direito.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Como reconhecer a s\u00edndrome de Brugada no ECG?<\/h2>\n<p>A s\u00edndrome de Brugada no ECG aparece nas deriva\u00e7\u00f5es precordiais direitas, que olham para a via de sa\u00edda do ventr\u00edculo direito. S\u00f3 o padr\u00e3o tipo 1 tem valor diagn\u00f3stico, e os demais funcionam como alerta para investiga\u00e7\u00e3o complementar.<\/p>\n<h3>O que define o padr\u00e3o tipo 1?<\/h3>\n<p>O tipo 1 tem ponto J elevado em 2 mm ou mais, seguido de ST convexo descendente, em forma de corcova, e onda T negativa. Basta aparecer em uma deriva\u00e7\u00e3o precordial direita, V1 ou V2, registrada no quarto, terceiro ou segundo espa\u00e7o intercostal.<\/p>\n<h3>Como diferenciar o tipo 2, em sela?<\/h3>\n<p>No tipo 2 o ST sobe, faz uma depress\u00e3o e volta a subir, formando uma sela, com onda T positiva ou achatada em V2. Ele n\u00e3o fecha diagn\u00f3stico, mas justifica repetir o tra\u00e7ado com deriva\u00e7\u00f5es altas e, em casos selecionados, teste provocativo.<\/p>\n<p>A tabela re\u00fane as diferen\u00e7as pr\u00e1ticas entre os dois padr\u00f5es. Ela serve como checagem r\u00e1pida diante de supra em V1 e V2 sem dor tor\u00e1cica.<\/p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Caracter\u00edstica<\/th>\n<th>Tipo 1 (corcova)<\/th>\n<th>Tipo 2 (sela)<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Ponto J<\/td>\n<td>2 mm ou mais<\/td>\n<td>Elevado, com r&#8217; amplo<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Forma do ST<\/td>\n<td>Convexo e descendente<\/td>\n<td>C\u00f4ncavo, em sela<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Onda T em V1\/V2<\/td>\n<td>Negativa<\/td>\n<td>Positiva ou achatada<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Valor diagn\u00f3stico<\/td>\n<td>Diagn\u00f3stico se espont\u00e2neo<\/td>\n<td>Apenas sugestivo<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Pr\u00f3ximo passo<\/td>\n<td>Encaminhar e estratificar risco<\/td>\n<td>Deriva\u00e7\u00f5es altas e avalia\u00e7\u00e3o especializada<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2>Como aumentar a sensibilidade da s\u00edndrome de Brugada no ECG?<\/h2>\n<p>O padr\u00e3o \u00e9 din\u00e2mico e pode sumir de um dia para o outro, por isso um tra\u00e7ado normal n\u00e3o exclui a doen\u00e7a. A t\u00e9cnica de registro faz diferen\u00e7a, e a <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/como-fazer-eletrocardiograma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">padroniza\u00e7\u00e3o do eletrocardiograma<\/a> \u00e9 o ponto de partida.<\/p>\n<h3>Por que registrar V1 e V2 em deriva\u00e7\u00f5es altas?<\/h3>\n<p>A via de sa\u00edda do ventr\u00edculo direito varia de altura entre pacientes, e o eletrodo no quarto espa\u00e7o pode passar abaixo dela. Repetir V1 e V2 no terceiro e no segundo espa\u00e7o intercostal revela casos que o tra\u00e7ado padr\u00e3o deixa escapar.<\/p>\n<h3>Como funciona o teste com bloqueador de s\u00f3dio?<\/h3>\n<p>O teste usa ajmalina 1 mg\/kg ou flecainida 2 mg\/kg por via venosa em 10 minutos, com monitoriza\u00e7\u00e3o e desfibrilador \u00e0 m\u00e3o. Ele \u00e9 interrompido quando surge o tipo 1, extrass\u00edstoles ventriculares ou alargamento importante do QRS, e deve ser feito em servi\u00e7o especializado.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/out-sindrome-de-brugada-no-ecg-2.webp\" alt=\"s\u00edndrome de Brugada no ECG\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>No padr\u00e3o tipo 1, o ST desce em rampa convexa a partir de um ponto J de pelo menos 2 mm e termina em onda T negativa.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Quais situa\u00e7\u00f5es imitam ou revelam a s\u00edndrome de Brugada no ECG?<\/h2>\n<p>V\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es produzem supra em V1 e V2 que regride ao tratar a causa, as chamadas fenoc\u00f3pias. Antes de rotular o paciente, \u00e9 preciso afast\u00e1-las e revisar o que ele recebeu.<\/p>\n<h3>Quais fenoc\u00f3pias afastar primeiro?<\/h3>\n<p>A <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/hipercalemia-como-identificar-no-ecg\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">hipercalemia<\/a> \u00e9 a mais comum no pronto-socorro e desaparece ap\u00f3s a corre\u00e7\u00e3o. Isquemia do ventr\u00edculo direito, embolia pulmonar, pericardite e compress\u00e3o mec\u00e2nica por <em>pectus excavatum<\/em> tamb\u00e9m entram na lista, assim como o bloqueio de ramo direito, que tem r&#8217; sem a descida em corcova.<\/p>\n<h3>Por que a febre muda a conduta?<\/h3>\n<p>A febre altera a fun\u00e7\u00e3o do canal de s\u00f3dio e pode transformar um tra\u00e7ado normal em padr\u00e3o tipo 1. Paciente com Brugada conhecido e febre precisa de antit\u00e9rmico precoce e de novo ECG, porque a janela de risco de arritmia aumenta.<\/p>\n<p>Alguns f\u00e1rmacos e subst\u00e2ncias revelam o padr\u00e3o ou precipitam arritmia. A lista abaixo re\u00fane os que aparecem com frequ\u00eancia na emerg\u00eancia e na anestesia.<\/p>\n<ul>\n<li>Antiarr\u00edtmicos da classe Ic, como flecainida e propafenona, usados na cardiovers\u00e3o qu\u00edmica;<\/li>\n<li>Antidepressivos tric\u00edclicos e l\u00edtio, principalmente em intoxica\u00e7\u00e3o ou dose alta;<\/li>\n<li>Anest\u00e9sicos como bupivaca\u00edna e propofol em infus\u00e3o prolongada ou em dose elevada;<\/li>\n<li>Coca\u00edna e ingest\u00e3o excessiva de \u00e1lcool, que costumam aparecer juntas no plant\u00e3o noturno.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Como conduzir o paciente com s\u00edndrome de Brugada no ECG?<\/h2>\n<p>A conduta depende de sintomas e do tipo de padr\u00e3o, e n\u00e3o do ECG isolado. O padr\u00e3o tipo 1 espont\u00e2neo em assintom\u00e1tico tem risco maior que o induzido por droga, que isoladamente n\u00e3o fecha diagn\u00f3stico sem sintoma associado.<\/p>\n<h3>Quem recebe cardiodesfibrilador implant\u00e1vel?<\/h3>\n<p>Sobreviventes de parada card\u00edaca ou com taquicardia ventricular sustentada documentada t\u00eam indica\u00e7\u00e3o classe I de cardiodesfibrilador. S\u00edncope de prov\u00e1vel origem arr\u00edtmica com tipo 1 espont\u00e2neo tem indica\u00e7\u00e3o IIa, e os detalhes est\u00e3o na <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/eurheartj\/article\/43\/40\/3997\/6675633\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">diretriz de arritmias ventriculares da ESC de 2022<\/a>.<\/p>\n<h3>Qual o papel da quinidina e da abla\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n<p>A quinidina \u00e9 op\u00e7\u00e3o para quem tem indica\u00e7\u00e3o de cardiodesfibrilador e n\u00e3o pode ou n\u00e3o quer o implante, e para choques recorrentes. A abla\u00e7\u00e3o epic\u00e1rdica do substrato na via de sa\u00edda do ventr\u00edculo direito \u00e9 reservada a arritmias recorrentes em centros experientes.<\/p>\n<p>A sequ\u00eancia abaixo organiza a conduta diante de um padr\u00e3o sugestivo no pronto-socorro. Ela prioriza o que muda risco imediato antes do encaminhamento.<\/p>\n<ol type=\"1\">\n<li>Afastar isquemia aguda, hipercalemia e demais fenoc\u00f3pias com cl\u00ednica, troponina e eletr\u00f3litos;<\/li>\n<li>Perguntar sobre s\u00edncope, respira\u00e7\u00e3o ag\u00f4nica noturna e morte s\u00fabita familiar antes dos 45 anos;<\/li>\n<li>Registrar V1 e V2 no segundo e no terceiro espa\u00e7o intercostal;<\/li>\n<li>Tratar febre de imediato e suspender f\u00e1rmacos listados no <a href=\"https:\/\/www.brugadadrugs.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">BrugadaDrugs<\/a>;<\/li>\n<li>Encaminhar ao eletrofisiologista e orientar rastreio dos parentes de primeiro grau.<\/li>\n<\/ol>\n<h2>Perguntas frequentes sobre s\u00edndrome de Brugada no ECG<\/h2>\n<p>As d\u00favidas a seguir s\u00e3o as que mais aparecem quando o laudo cita padr\u00e3o de Brugada. Cada resposta traz o ponto pr\u00e1tico que muda a conduta.<\/p>\n<h3>Padr\u00e3o tipo 2 isolado \u00e9 s\u00edndrome de Brugada no ECG?<\/h3>\n<p>N\u00e3o, o tipo 2 n\u00e3o fecha diagn\u00f3stico e pode aparecer em pessoas saud\u00e1veis. Ele indica repetir o ECG com deriva\u00e7\u00f5es altas e avaliar hist\u00f3ria cl\u00ednica e familiar.<\/p>\n<h3>S\u00edncope em jovem com ECG normal afasta Brugada?<\/h3>\n<p>N\u00e3o afasta, porque o padr\u00e3o \u00e9 intermitente e pode aparecer s\u00f3 com febre ou \u00e0 noite. A <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/abordagem-da-sincope-separar-a-benigna-da-sincope-cardiaca-de-risco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">abordagem da s\u00edncope<\/a> com hist\u00f3ria familiar de morte s\u00fabita define quem merece investiga\u00e7\u00e3o com especialista.<\/p>\n<h3>O teste gen\u00e9tico confirma a s\u00edndrome de Brugada no ECG?<\/h3>\n<p>O gene <em>SCN5A<\/em> \u00e9 o mais associado, mas a maioria dos pacientes n\u00e3o tem variante identificada. O teste ajuda no rastreio familiar, e o diagn\u00f3stico continua sendo cl\u00ednico e eletrocardiogr\u00e1fico.<\/p>\n<h3>Qual antiarr\u00edtmico evitar na fibrila\u00e7\u00e3o atrial desse paciente?<\/h3>\n<p>A propafenona e a flecainida devem ser evitadas porque bloqueiam o canal de s\u00f3dio e podem precipitar arritmia ventricular. A cardiovers\u00e3o el\u00e9trica \u00e9 alternativa segura quando h\u00e1 instabilidade ou decis\u00e3o de reverter.<\/p>\n<h3>O que fazer na tempestade el\u00e9trica?<\/h3>\n<p>A infus\u00e3o de isoproterenol \u00e9 recomendada para suprimir fibrila\u00e7\u00e3o ventricular recorrente nesse contexto, associado \u00e0 quinidina quando dispon\u00edvel. A <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/taquicardia-ventricular-ecg\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">taquicardia ventricular<\/a> inst\u00e1vel segue o protocolo habitual de choque.<\/p>\n<h2>S\u00edndrome de Brugada no ECG: do tra\u00e7ado d\u00fabio ao encaminhamento certo<\/h2>\n<p>Um homem de 28 anos chega febril com gripe e relata que desmaiou \u00e0 noite, e o ECG da triagem mostra um supra estranho em V1. O plantonista fica entre chamar a hemodin\u00e2mica e liberar com antit\u00e9rmico, sem certeza de qual padr\u00e3o est\u00e1 vendo.<\/p>\n<p>Esse impasse se resolve com treino repetido de morfologia, deriva\u00e7\u00f5es altas e fenoc\u00f3pias da s\u00edndrome de Brugada no ECG. O <a href=\"https:\/\/editora.institutocdt.com.br\/produto\/a-biblia-do-ecg?el=blog\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">livro A B\u00edblia do ECG<\/a> organiza esses padr\u00f5es com tra\u00e7ados comentados para consulta no plant\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como reconhecer a s\u00edndrome de Brugada no ECG: padr\u00e3o tipo 1 e tipo 2, deriva\u00e7\u00f5es altas, fenoc\u00f3pias, febre, drogas a evitar e quando indicar CDI no plant\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":206591,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[212],"tags":[277,1426,1425,1424],"class_list":["post-206594","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-manuais","tag-eletrocardiograma","tag-morte-subita","tag-padrao-de-brugada","tag-sindrome-de-brugada-no-ecg"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=206594"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206594\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":206883,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206594\/revisions\/206883"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/206591"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=206594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=206594"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=206594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}