{"id":206663,"date":"2026-10-01T08:00:00","date_gmt":"2026-10-01T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/?p=206663"},"modified":"2026-10-10T19:13:37","modified_gmt":"2026-10-10T22:13:37","slug":"obesidade-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/obesidade-no-brasil\/","title":{"rendered":"Obesidade no Brasil: estudo GBD mostra adultos obesos saltando de 7,8% para 27,7% desde 1990"},"content":{"rendered":"<p>Em 11 de setembro de 2026, a <em>Lancet Regional Health \u2013 Americas<\/em> publicou o Global Burden of Disease 2023 sobre excesso de peso em 17 pa\u00edses latino-americanos. Entre adultos de 25 anos ou mais, a obesidade no Brasil passou de 7,8% em 1990 para 27,7% em 2023.<\/p>\n<p>Em 1990, cerca de um em cada 13 adultos brasileiros tinha obesidade; em 2023, mais de um em cada quatro. No mesmo intervalo, o excesso de peso, que soma sobrepeso e obesidade, subiu de 40,3% para 66,8%, o que coloca dois em cada tr\u00eas adultos acima do peso.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/out-obesidade-no-brasil-1-r.webp\" alt=\"obesidade no Brasil\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O IMC classifica o excesso de peso em n\u00edvel populacional, mas n\u00e3o distingue massa magra de gordura nem mostra onde ela se acumula.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>O que o estudo GBD mostrou sobre a obesidade no Brasil?<\/h2>\n<p>A an\u00e1lise estimou preval\u00eancia de sobrepeso e obesidade por pa\u00eds, sexo e faixa et\u00e1ria, al\u00e9m da carga de doen\u00e7a atribu\u00edda ao IMC elevado. O resumo e os m\u00e9todos est\u00e3o na <a href=\"https:\/\/www.healthdata.org\/research-analysis\/library\/prevalence-overweight-and-obesity-and-burden-high-body-mass-index-latin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">p\u00e1gina do estudo no IHME<\/a>, instituto que coordena o GBD.<\/p>\n<h3>Por que o Brasil se destacou entre os 17 pa\u00edses?<\/h3>\n<p>Segundo Deborah Malta, pesquisadora da UFMG e coautora do estudo, o aumento da obesidade no Brasil foi o maior entre os pa\u00edses analisados. No excesso de peso somado, o maior aumento percentual da regi\u00e3o ficou com a Col\u00f4mbia, de 68,9%.<\/p>\n<h3>Como a Am\u00e9rica Latina aparece no conjunto?<\/h3>\n<p>Em 2023, a regi\u00e3o tinha 274 milh\u00f5es de adultos com sobrepeso ou obesidade, 72,1% do total, sendo 127 milh\u00f5es com obesidade. O Chile teve a maior preval\u00eancia padronizada de excesso de peso em adultos, de 79,9%, e o M\u00e9xico liderou entre crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A tabela re\u00fane os principais n\u00fameros para compara\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Os dados brasileiros referem-se a adultos de 25 anos ou mais, faixa usada pelo GBD para a popula\u00e7\u00e3o adulta.<\/p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Indicador<\/th>\n<th>1990<\/th>\n<th>2023<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Obesidade em adultos no Brasil<\/td>\n<td>7,8%<\/td>\n<td>27,7%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Excesso de peso em adultos no Brasil<\/td>\n<td>40,3%<\/td>\n<td>66,8%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Excesso de peso em adultos na Am\u00e9rica Latina<\/td>\n<td>N\u00e3o informado no resumo<\/td>\n<td>72,1% (274 milh\u00f5es)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Obesidade em adultos na Am\u00e9rica Latina<\/td>\n<td>N\u00e3o informado no resumo<\/td>\n<td>127 milh\u00f5es<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2>Quais doen\u00e7as a obesidade no Brasil est\u00e1 puxando?<\/h2>\n<p>Na regi\u00e3o, 15,8 milh\u00f5es de anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs) foram atribu\u00eddos ao IMC elevado em 2023. Diabetes, doen\u00e7a isqu\u00eamica do cora\u00e7\u00e3o e doen\u00e7a renal cr\u00f4nica foram os tr\u00eas maiores contribuintes nos dois sexos.<\/p>\n<h3>Por que diabetes, cora\u00e7\u00e3o e rim lideram?<\/h3>\n<p>A gordura visceral se associa a resist\u00eancia insul\u00ednica, dislipidemia e hipertens\u00e3o, o trip\u00e9 da <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/cintura-glicose-e-pressao-o-diagnostico-da-sindrome-metabolica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">s\u00edndrome metab\u00f3lica<\/a>. Essa combina\u00e7\u00e3o alimenta o diabetes, acelera a aterosclerose coronariana e sobrecarrega o rim por hiperfiltra\u00e7\u00e3o e hipertens\u00e3o.<\/p>\n<h3>O que o dado muda na sa\u00fade da mulher?<\/h3>\n<p>O IMC elevado j\u00e1 est\u00e1 entre os tr\u00eas principais fatores de risco para DALYs em mulheres na maioria dos pa\u00edses da regi\u00e3o. O artigo completo, com os dados por sexo, pode ser consultado pelo <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.lana.2026.101623\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">DOI da publica\u00e7\u00e3o na Lancet<\/a>.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/out-obesidade-no-brasil-2.webp\" alt=\"obesidade no Brasil\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Diabetes, doen\u00e7a isqu\u00eamica do cora\u00e7\u00e3o e doen\u00e7a renal cr\u00f4nica foram as tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es que mais somaram anos de vida perdidos atribu\u00eddos ao IMC elevado.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Como avaliar a obesidade no Brasil al\u00e9m do IMC?<\/h2>\n<p>O IMC funciona bem para contar casos numa popula\u00e7\u00e3o, mas classifica mal o risco de cada paciente. Um homem de 100 kg com 15% de gordura e outro com 35% t\u00eam o mesmo n\u00famero na balan\u00e7a e perfis metab\u00f3licos opostos.<\/p>\n<h3>Por que medir a cintura em toda consulta?<\/h3>\n<p>A circunfer\u00eancia abdominal \u00e9 marcador independente de risco cardiometab\u00f3lico, porque reflete a gordura visceral. Pelo crit\u00e9rio da IDF, valores de 94 cm ou mais em homens e 80 cm ou mais em mulheres indicam risco aumentado.<\/p>\n<h3>Qual roteiro seguir na primeira avalia\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o do paciente com excesso de peso tem etapas que se complementam, e pular uma delas empobrece a decis\u00e3o terap\u00eautica. A sequ\u00eancia a seguir organiza a consulta inicial.<\/p>\n<ol type=\"1\">\n<li>Registrar peso, altura, IMC e circunfer\u00eancia abdominal no prontu\u00e1rio;<\/li>\n<li>Estimar composi\u00e7\u00e3o corporal por bioimped\u00e2ncia ou outro m\u00e9todo dispon\u00edvel;<\/li>\n<li>Rastrear glicemia, perfil lip\u00eddico, fun\u00e7\u00e3o renal e enzimas hep\u00e1ticas;<\/li>\n<li>Investigar <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/tratamento-da-esteatose-hepatica-perda-de-peso-controle-metabolico-e-rastreio-de-fibrose\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">esteatose hep\u00e1tica e fibrose<\/a> quando houver altera\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica;<\/li>\n<li>Revisar medicamentos que favorecem ganho de peso e condi\u00e7\u00f5es como apneia do sono.<\/li>\n<\/ol>\n<h2>Como tratar a obesidade no Brasil na pr\u00e1tica?<\/h2>\n<p>O tratamento combina mudan\u00e7a alimentar, atividade f\u00edsica, sono e, quando indicado, farmacoterapia ou cirurgia. O objetivo cl\u00ednico \u00e9 reduzir gordura preservando massa magra, e n\u00e3o apenas diminuir o n\u00famero da balan\u00e7a.<\/p>\n<h3>Quando considerar medicamento?<\/h3>\n<p>A farmacoterapia costuma ser considerada com IMC de 30 ou mais, ou de 27 ou mais com comorbidade associada. A escolha do f\u00e1rmaco segue um <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/tratamento-medicamentoso-da-obesidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">protocolo de prescri\u00e7\u00e3o racional na obesidade<\/a>, que pesa efic\u00e1cia, custo e perfil de cada paciente.<\/p>\n<h3>Quais erros atrapalham o seguimento?<\/h3>\n<p>Alguns erros se repetem no consult\u00f3rio e anulam parte do benef\u00edcio do tratamento. A lista re\u00fane os mais frequentes, que valem tanto para a mudan\u00e7a de estilo de vida quanto para o uso de medicamentos.<\/p>\n<ul>\n<li>Acompanhar s\u00f3 o peso, sem medir cintura nem composi\u00e7\u00e3o corporal;<\/li>\n<li>Perder peso \u00e0 custa de m\u00fasculo, sem prote\u00edna adequada nem treino de for\u00e7a;<\/li>\n<li>Suspender o tratamento ao atingir a meta, sem plano de manuten\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Ignorar comorbidades que j\u00e1 est\u00e3o instaladas e exigem tratamento pr\u00f3prio.<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Por que olhar os jovens agora?<\/h3>\n<p>Entre adolescentes e adultos jovens da regi\u00e3o, a preval\u00eancia de obesidade cresceu 346,3% no per\u00edodo analisado. Esse avan\u00e7o antecipa diabetes e doen\u00e7a cardiovascular, e o problema come\u00e7a ainda antes, na <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/obesidade-em-criancas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">obesidade em crian\u00e7as<\/a>.<\/p>\n<h2>Perguntas frequentes sobre obesidade no Brasil<\/h2>\n<p>As d\u00favidas mais comuns sobre o novo estudo e seus n\u00fameros est\u00e3o respondidas abaixo. As respostas se baseiam no resumo publicado e na pr\u00e1tica cl\u00ednica.<\/p>\n<h3>Qual \u00e9 a preval\u00eancia atual da obesidade no Brasil?<\/h3>\n<p>Pelo GBD 2023, 27,7% dos adultos brasileiros de 25 anos ou mais tinham obesidade. Somando sobrepeso, a propor\u00e7\u00e3o com excesso de peso chegava a 66,8%.<\/p>\n<h3>A obesidade no Brasil cresceu mais que nos vizinhos?<\/h3>\n<p>Sim, segundo a coautora Deborah Malta, o aumento da obesidade em adultos foi o maior entre os 17 pa\u00edses. A preval\u00eancia mais que triplicou entre 1990 e 2023.<\/p>\n<h3>O que \u00e9 DALY e por que o estudo usa essa medida?<\/h3>\n<p>DALY soma os anos de vida perdidos por morte precoce e os vividos com incapacidade. A medida permite comparar o peso de fatores de risco muito diferentes numa mesma escala.<\/p>\n<h3>Quais doen\u00e7as mais pesam na obesidade no Brasil e na regi\u00e3o?<\/h3>\n<p>Diabetes, doen\u00e7a isqu\u00eamica do cora\u00e7\u00e3o e doen\u00e7a renal cr\u00f4nica lideram a carga atribu\u00edda ao IMC elevado. Por isso, o rastreio dessas condi\u00e7\u00f5es faz parte de qualquer avalia\u00e7\u00e3o do paciente com excesso de peso.<\/p>\n<h3>O IMC ainda serve para diagnosticar obesidade?<\/h3>\n<p>Serve como triagem e para estudos populacionais, mas n\u00e3o basta sozinho no consult\u00f3rio. Circunfer\u00eancia abdominal e composi\u00e7\u00e3o corporal completam a avalia\u00e7\u00e3o do risco individual.<\/p>\n<h2>Obesidade no Brasil e o prontu\u00e1rio sem cintura<\/h2>\n<p>O paciente de 48 anos volta pela terceira vez para renovar o anti-hipertensivo, e o prontu\u00e1rio tem press\u00e3o anotada em todas as consultas, mas nenhuma medida de cintura. Com a obesidade no Brasil nesse patamar, a d\u00favida sobre como abordar o peso sem constranger nem improvisar \u00e9 di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Conduzir essa conversa com m\u00e9todo exige saber avaliar composi\u00e7\u00e3o corporal, indicar farmacoterapia e acompanhar resultados. A <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/pos_nutrologia\/?el=blog\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Nutrologia do Instituto CDT<\/a> prepara o m\u00e9dico para tratar obesidade e doen\u00e7as metab\u00f3licas com base em evid\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Obesidade no Brasil: an\u00e1lise GBD publicada em 11\/09\/2026 mostra adultos obesos passando de 7,8% para 27,7%. 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