{"id":207209,"date":"2026-10-30T15:00:00","date_gmt":"2026-10-30T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/?p=207209"},"modified":"2026-10-30T15:00:00","modified_gmt":"2026-10-30T18:00:00","slug":"insulina-no-paciente-internado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/insulina-no-paciente-internado\/","title":{"rendered":"Prescreva insulina no paciente internado sem escala m\u00f3vel isolada: metas, doses e ajustes"},"content":{"rendered":"<p>A prescri\u00e7\u00e3o de insulina no paciente internado ainda aparece, em muitos prontu\u00e1rios, como uma \u00fanica linha: insulina regular conforme glicemia capilar. Esse esquema reage \u00e0 hiperglicemia depois que ela acontece, deixa o paciente oscilar entre picos e quedas e \u00e9 desaconselhado pelas diretrizes atuais.<\/p>\n<p>Um dado de fisiologia explica o problema melhor que qualquer estudo. O livro Insulina Al\u00e9m da Glicose lembra que cerca de metade da insulina produzida em 24 horas \u00e9 secre\u00e7\u00e3o basal, cont\u00ednua e independente das refei\u00e7\u00f5es, e \u00e9 justamente essa metade que a escala m\u00f3vel nunca rep\u00f5e.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/insulina-no-paciente-internado-fig1-1024x732.webp\" alt=\"insulina no paciente internado\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>No paciente cr\u00edtico, a insulina regular em infus\u00e3o cont\u00ednua exige glicemia capilar frequente e protocolo escrito, com meta entre 140 e 180 mg\/dL.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Qual \u00e9 a meta para a insulina no paciente internado?<\/h2>\n<p>As metas mudaram depois que o controle muito rigoroso mostrou mais hipoglicemia e nenhum ganho de sobrevida. Hoje, enfermaria e UTI t\u00eam faixas diferentes.<\/p>\n<h3>Qual a faixa de glicemia na enfermaria?<\/h3>\n<p>Para o paciente n\u00e3o cr\u00edtico, com ou sem diabetes pr\u00e9vio, a meta \u00e9 de 100 a 180 mg\/dL. A recomenda\u00e7\u00e3o est\u00e1 no cap\u00edtulo de <a href=\"https:\/\/diretriz.diabetes.org.br\/?p=21079\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">hiperglicemia hospitalar da diretriz da SBD<\/a>, que tamb\u00e9m orienta glicemia na admiss\u00e3o de todo adulto internado.<\/p>\n<h3>E no paciente cr\u00edtico na UTI?<\/h3>\n<p>Na UTI, a faixa usual \u00e9 de 140 a 180 mg\/dL com insulina regular endovenosa em protocolo validado. Nas aulas de Medicina Intensiva da p\u00f3s, o estudo NICE-SUGAR \u00e9 o divisor de \u00e1guas: o alvo de 81 a 108 mg\/dL aumentou a mortalidade e a hipoglicemia grave.<\/p>\n<h3>Quando iniciar a insulina no paciente internado?<\/h3>\n<p>O gatilho \u00e9 a hiperglicemia persistente, definida por duas ou mais glicemias acima de 180 mg\/dL em 24 horas. A partir da\u00ed, o esquema com componente basal passa a ser a regra, e a corre\u00e7\u00e3o sozinha fica restrita a casos leves.<\/p>\n<h2>Como calcular a dose de insulina no paciente internado?<\/h2>\n<p>O c\u00e1lculo parte do peso, da glicemia de admiss\u00e3o e do uso pr\u00e9vio de insulina. Doses domiciliares altas indicam maior resist\u00eancia.<\/p>\n<h3>Qual esquema usar em cada faixa de glicemia?<\/h3>\n<p>A tabela resume o esquema sugerido pela SBD para o paciente n\u00e3o cr\u00edtico. Serve de ponto de partida e deve ser revista a cada 24 a 48 horas.<\/p>\n<table>\n<colgroup>\n<col style=\"width: 50%\" \/>\n<col style=\"width: 50%\" \/>\n<\/colgroup>\n<thead>\n<tr>\n<th>Situa\u00e7\u00e3o<\/th>\n<th>Esquema sugerido<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>140 a 180 mg\/dL, sem picos acima de 250<\/td>\n<td>Glicemia capilar e insulina de corre\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>180 a 200 mg\/dL, sem insulina em casa<\/td>\n<td>Basal com corre\u00e7\u00e3o ou inibidor de DPP-4 com corre\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Acima de 200 e abaixo de 250 mg\/dL<\/td>\n<td>Basal-plus: basal com corre\u00e7\u00e3o antes das refei\u00e7\u00f5es<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Acima de 250 mg\/dL, DM1 ou dose domiciliar acima de 0,6 UI\/kg<\/td>\n<td>Basal-bolus completo<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h3>Quanto de basal e quanto de bolus?<\/h3>\n<p>A dose di\u00e1ria total costuma ficar entre 0,2 e 0,6 UI\/kg\/dia, metade como basal e metade dividida nas tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es. Idosos, fr\u00e1geis e pacientes com insufici\u00eancia renal, hep\u00e1tica ou card\u00edaca entram no perfil sens\u00edvel e recebem doses menores, como no <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/controle-glicemico-o-esquema-de-insulina-basal-bolus-na-pratica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">esquema basal-b\u00f3lus na pr\u00e1tica<\/a>.<\/p>\n<h3>Quais medicamentos orais suspender na interna\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n<p>Sulfonilureias e glinidas n\u00e3o s\u00e3o recomendadas pelo risco de hipoglicemia, e os agonistas de GLP-1 tamb\u00e9m n\u00e3o, pelo risco de aspira\u00e7\u00e3o em seda\u00e7\u00e3o. Os inibidores de SGLT2 podem ser mantidos em casos selecionados, com pesquisa de cetonas se houver sintomas.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/insulina-no-paciente-internado-fig2-1024x682.webp\" alt=\"insulina no paciente internado\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A glicemia capilar antes das refei\u00e7\u00f5es e ao deitar orienta a titula\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da dose basal e da dose prandial durante a interna\u00e7\u00e3o.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Como ajustar a insulina no paciente internado em jejum, dieta enteral ou corticoide?<\/h2>\n<p>As situa\u00e7\u00f5es especiais s\u00e3o onde a prescri\u00e7\u00e3o mais erra. Jejum, dieta por sonda e corticoide mudam a curva de glicemia ao longo do dia e pedem ajustes espec\u00edficos.<\/p>\n<h3>O que fazer quando o paciente fica em jejum?<\/h3>\n<p>O bolus prandial \u00e9 suspenso, mas a basal continua, em geral com redu\u00e7\u00e3o de dose. Suspender toda a insulina em jejum \u00e9 erro cl\u00e1ssico e, no diabetes tipo 1, abre caminho para a <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/protocolo-de-cetoacidose-diabetica-a-ordem-certa-de-volume-potassio-e-insulina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">cetoacidose diab\u00e9tica<\/a>.<\/p>\n<h3>Como prescrever na dieta enteral cont\u00ednua?<\/h3>\n<p>A basal cobre de 50 a 80% da dose di\u00e1ria, e o restante entra como corre\u00e7\u00e3o a cada 4 a 6 horas com an\u00e1logo r\u00e1pido ou a cada 6 horas com regular. Se a dieta for interrompida, a glicose endovenosa deve come\u00e7ar logo, como lembra o texto sobre <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/nutricao-enteral-no-paciente-critico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">nutri\u00e7\u00e3o enteral no paciente cr\u00edtico<\/a>.<\/p>\n<h3>E a hiperglicemia induzida por corticoide?<\/h3>\n<p>Prednisona em dose \u00fanica pela manh\u00e3 gera hiperglicemia vespertina, e a NPH matinal acompanha bem esse padr\u00e3o. Os itens abaixo resumem a dose inicial proposta pela SBD, que se soma \u00e0 insulina de base.<\/p>\n<ul>\n<li>Cerca de 10 mg de prednisona: NPH de 0,1 UI\/kg pela manh\u00e3;<\/li>\n<li>Cerca de 20 mg de prednisona: NPH de 0,2 UI\/kg pela manh\u00e3;<\/li>\n<li>Cerca de 30 mg de prednisona: NPH de 0,3 UI\/kg pela manh\u00e3;<\/li>\n<li>Acima de 40 mg de prednisona: NPH de 0,4 UI\/kg pela manh\u00e3.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Como titular a dose e tratar a hipoglicemia?<\/h2>\n<p>Na insulina no paciente internado, a dose inicial \u00e9 s\u00f3 um palpite informado, e o ajuste di\u00e1rio garante a meta. A <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC11635037\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">se\u00e7\u00e3o hospitalar dos Standards of Care da ADA<\/a> refor\u00e7a glicemia antes das refei\u00e7\u00f5es quando o paciente come e a cada 4 a 6 horas em jejum.<\/p>\n<h3>Qual a sequ\u00eancia de titula\u00e7\u00e3o di\u00e1ria?<\/h3>\n<p>A sequ\u00eancia numerada abaixo organiza a revis\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o na visita. Ela evita mudar v\u00e1rias coisas ao mesmo tempo e perder a causa da oscila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ol type=\"1\">\n<li>Conferir as glicemias das \u00faltimas 24 horas e a aceita\u00e7\u00e3o da dieta;<\/li>\n<li>Ajustar a basal pelas glicemias de jejum, em 10 a 20% da dose di\u00e1ria;<\/li>\n<li>Ajustar o bolus pela glicemia antes da refei\u00e7\u00e3o seguinte;<\/li>\n<li>Reduzir doses diante de qualquer valor abaixo de 70 mg\/dL;<\/li>\n<li>Revisar corticoide, dieta e infec\u00e7\u00e3o antes de culpar a insulina.<\/li>\n<\/ol>\n<h3>Como tratar a hipoglicemia na enfermaria?<\/h3>\n<p>No paciente consciente, a conduta \u00e9 oferecer de 15 a 30 g de glicose por via oral ou sonda e repetir a glicemia em 15 minutos. No inconsciente, entra a glicose endovenosa ou, sem acesso, glucagon 1 mg intramuscular, conduta resumida em <a href=\"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/manejo-da-hipoglicemia-a-regra-dos-15-glicose-ev-e-a-causa-por-tras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">manejo da hipoglicemia<\/a>.<\/p>\n<h2>Perguntas frequentes sobre insulina no paciente internado<\/h2>\n<p>As d\u00favidas abaixo aparecem com frequ\u00eancia nas passagens de plant\u00e3o da enfermaria. As respostas resumem a conduta mais aceita hoje.<\/p>\n<h3>A escala m\u00f3vel isolada pode ser usada na insulina no paciente internado?<\/h3>\n<p>S\u00f3 em hiperglicemia leve ou de estresse, por pouco tempo e com reavalia\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. Na hiperglicemia persistente, a corre\u00e7\u00e3o sem basal deixa de ser recomendada.<\/p>\n<h3>Qual dose inicial usar na insulina no paciente internado?<\/h3>\n<p>Em geral, de 0,2 a 0,6 UI\/kg\/dia, com metade como basal. Pacientes idosos, fr\u00e1geis ou com insufici\u00eancia renal come\u00e7am na faixa mais baixa.<\/p>\n<h3>Precisa pedir hemoglobina glicada na admiss\u00e3o?<\/h3>\n<p>Sim, quando n\u00e3o houver resultado dos \u00faltimos tr\u00eas meses. Um valor igual ou acima de 6,5% sugere diabetes pr\u00e9vio e orienta a prescri\u00e7\u00e3o de alta.<\/p>\n<h3>A insulina basal deve ser mantida em jejum?<\/h3>\n<p>Sim, em dose geralmente reduzida, porque metade da necessidade di\u00e1ria n\u00e3o depende das refei\u00e7\u00f5es. Retirar a basal favorece hiperglicemia e, no tipo 1, cetoacidose.<\/p>\n<h3>O paciente pode receber alta com a mesma prescri\u00e7\u00e3o hospitalar?<\/h3>\n<p>Nem sempre, porque dieta, atividade e estresse mudam fora do hospital. A alta exige rever o esquema e a glicada.<\/p>\n<h2>Insulina no paciente internado: da folha de prescri\u00e7\u00e3o \u00e0 visita seguinte<\/h2>\n<p>A folha da enfermaria mostra 320 mg\/dL \u00e0s 11 h, 64 mg\/dL \u00e0s 3 h e quatro doses de regular no meio. Esse serrote \u00e9 a assinatura da insulina no paciente internado prescrita s\u00f3 por escala, e cada pico e cada queda prolongam a interna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A inseguran\u00e7a para escolher a dose basal, adaptar o esquema ao corticoide ou \u00e0 sonda e entender a fisiologia da insulina \u00e9 o que mant\u00e9m o serrote no prontu\u00e1rio. O livro <a href=\"https:\/\/editora.institutocdt.com.br\/produto\/insulina-alem-da-glicose?el=blog\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Insulina Al\u00e9m da Glicose<\/a> explica secre\u00e7\u00e3o basal, resist\u00eancia e escalonamento terap\u00eautico, base para prescrever com racioc\u00ednio e n\u00e3o por tabela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Insulina no paciente internado: metas de 100 a 180 mg\/dL, dose por peso, basal-bolus, jejum, dieta enteral, corticoide e conduta na hipoglicemia na enfermaria.<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":207206,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[212],"tags":[1596,1595,985,1594],"class_list":["post-207209","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-manuais","tag-esquema-basal-bolus","tag-hiperglicemia-hospitalar","tag-hipoglicemia","tag-insulina-no-paciente-internado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207209","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=207209"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207209\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":207386,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207209\/revisions\/207386"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/207206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=207209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=207209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutocdt.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=207209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}