Olá, laringoscopista.
O trauma cranioencefálico (TCE) moderado a grave é uma das causas frequentes da necessidade de intubação orotraqueal (IOT).
Contudo, esses pacientes podem precisar de um tempo de internação prolongado e, consequentemente, maior tempo de ventilação mecânica invasiva.
Por isso, avalia-se hoje qual procedimento — intubação prolongada ou traqueostomia — garante um melhor prognóstico para esses pacientes.
Nesse sentido, um estudo — Tracheostomy versus prolonged intubation in moderate to severe traumatic brain injury: a multicentre retrospective cohort study — publicado no Canadian Journal of Anesthesia em julho de 2023 comparou o uso da traqueostomia com a intubação orotraqueal em pacientes com trauma cranioencefálico internados.
O objetivo do estudo foi avaliar os potenciais benefícios clínicos da traqueostomia vs. intubação endotraqueal prolongada em pacientes com trauma cranioencefálico moderado a grave internados em unidades de terapia intensiva. Além disso, visou comparar se o momento da traqueostomia — precoce e tardia — tem impacto sobre a mortalidade.
Como o estudo foi realizado
– Esse foi um estudo de coorte multicêntrico retrospectivo;
– 26.923 pacientes foram avaliados, mas apenas 983 cumpriram os critérios de inclusão;
– Os pacientes incluídos apresentavam TCE moderado a grave, com glasgow < 13;
– Todos os pacientes estavam intubados e com auxílio de ventilação mecânica por pelo menos 96 horas;
– O desfecho primário foi mortalidade em 30 dias.
Resultados
– Do total de pacientes incluídos, 690 permaneceram intubados por mais de 96 horas e 374 foram submetidos à traqueostomia.
– A taxa de mortalidade foi menor nos pacientes traqueostomizados (21%) quando comparados aos intubados (53%).
– O tempo da necessidade de ventilação mecânica foi maior no grupo da traqueostomia que no grupo da intubação prolongada, mas sem alteração no tempo de internação hospitalar.
– Não houve diferença significativa em relação à traqueostomia precoce ou tardia.
Conclusão
O estudo torna evidente que a traqueostomia foi associada à redução da mortalidade quando comparada à intubação orotraqueal prolongada em pacientes com trauma cranioencefálico moderado a grave. Contudo, o autor aponta a necessidade de mais estudos para confirmar os achados.
Para mais detalhes sobre o estudo, clique no link abaixo:
https://link.springer.com/article/10.1007/s12630-023-02539-7