Olá, médico.
As infecções de corrente sanguínea estão entre as principais causas de morbimortalidade hospitalar. Administrar o antibiótico certo, no tempo certo, pode significar salvar uma vida ou perder o controle da sepse. Mas qual é a duração ideal do tratamento?
Essa é a pergunta que o estudo BALANCE, publicado no New England Journal of Medicine, buscou responder ao comparar 7 versus 14 dias de antibioticoterapia em pacientes hospitalizados com bacteremia, incluindo casos graves em UTI.
O que investigou o estudo?
O trabalho intitulado “Antibiotic Treatment for 7 versus 14 Days in Patients with Bloodstream Infections” avaliou se cursos mais curtos (7 dias) poderiam ser tão eficazes quanto os tradicionais 14 dias, sem aumentar mortalidade ou recaídas.
Como o estudo foi realizado?
- Tipo de estudo: ensaio clínico randomizado multicêntrico de não inferioridade;
- Amostra: 3.608 pacientes em 74 hospitais de 7 países;
- Perfil dos pacientes: 55% estavam em UTI no momento da inclusão;
- Critérios de exclusão:
- Imunossupressão grave;
- Endocardite;
- Abscessos não drenados;
- Osteomielite;
- Culturas contaminadas;
- Casos de Staphylococcus aureus;
- Intervenção: pacientes randomizados para receber 7 ou 14 dias de antibioticoterapia adequada;
- Desfecho primário: mortalidade em 90 dias após o diagnóstico de bacteremia.
Quais foram os principais resultados?
- Mortalidade em 90 dias:
- 14,5% no grupo 7 dias;
- 16,1% no grupo 14 dias.
- Diferença: −1,6 p.p. (IC 95,7%: −4,0 a 0,8), confirmando não inferioridade do curso mais curto;
- Resultados consistentes na análise por protocolo e em subgrupos:
- Pacientes de UTI;
- Patógenos gram-negativos e gram-positivos;
- Diferentes focos infecciosos.
- Fontes mais comuns de bacteremia:
- Trato urinário: 42,2%;
- Abdômen: 18,8%;
- Pulmão: 13%.
- Vantagens do grupo de 7 dias:
- Menor exposição antimicrobiana;
- Mais dias livres de antibiótico.
Conclusão: 7 dias podem ser suficientes?
O BALANCE mostrou que, em pacientes hospitalizados com bacteremia (incluindo críticos em UTI), 7 dias de antibioticoterapia foram não inferiores a 14 dias em relação à mortalidade em 90 dias.
Além de reduzir o uso de antimicrobianos, a estratégia pode impactar custos hospitalares e resistência bacteriana, reforçando a importância de reavaliar protocolos e aplicar evidências atualizadas na prática clínica.