Qual máscara laríngea é melhor para a intubação? Estudo compara 3 dispositivos

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O uso de dispositivos supraglóticos, como as máscaras laríngeas, é essencial para o resgate da via aérea de pacientes em insuficiência respiratória grave. Além de fornecer suporte ventilatório, algumas máscaras laríngeas podem servir como conduto para a posterior passagem do tubo orotraqueal.

No entanto, ainda não há consenso sobre qual máscara laríngea é mais adequada para servir como canal para a intubação orotraqueal. Nesse sentido, um estudo recente trouxe evidências importantes para orientar a escolha do dispositivo.

O que o estudo avaliou sobre máscaras laríngeas?

O estudo intitulado “A randomized controlled trial comparing three supraglottic airway devices used as a conduit to facilitate tracheal intubation with flexible bronchoscopy” foi publicado no Canadian Journal of Anaesthesia em abril de 2023.

O objetivo foi comparar a eficácia de três máscaras laríngeas de segunda geração como condutos para intubação endotraqueal guiada por broncoscopia. Essa é uma questão relevante para profissionais que atuam em via aérea avançada, especialmente em cenários de via aérea difícil.

Quais máscaras laríngeas foram comparadas?

O estudo avaliou três dispositivos supraglóticos de segunda geração amplamente utilizados na prática clínica:

  1. I-gel;
  2. Air-Q Blocker;
  3. AuraGain.

Todas essas máscaras laríngeas são projetadas para permitir a passagem de um tubo endotraqueal através do dispositivo, facilitando a intubação em situações nas quais a laringoscopia direta é difícil ou impossível.

Como o estudo foi realizado?

A metodologia do estudo seguiu padrões rigorosos para garantir a confiabilidade dos resultados. A pesquisa foi desenhada como um ensaio clínico prospectivo, simples-cego e randomizado.

Características do estudo:

  • 155 pacientes foram incluídos na análise;
  • Todos os pacientes eram classificados como ASA I a III;
  • O desfecho primário avaliado foi o tempo para a intubação;
  • Os desfechos secundários incluíram facilidade de inserção e remoção da máscara laríngea.

Essa abordagem metodológica permite comparar objetivamente o desempenho das três máscaras laríngeas em condições clínicas reais, fornecendo evidências para a tomada de decisão na prática médica.

Quais foram os resultados do estudo?

Os resultados trouxeram informações importantes para quem trabalha com manejo de vias aéreas em emergências. A análise dos dados revelou semelhanças e diferenças entre as máscaras laríngeas avaliadas.

Tempo para intubação

O tempo médio para a intubação não apresentou variação significativa entre as três máscaras laríngeas. Isso significa que, do ponto de vista da eficiência do procedimento de intubação em si, os três dispositivos oferecem desempenho comparável.

Número de tentativas

O número de tentativas necessárias para a intubação foi semelhante para todas as máscaras laríngeas avaliadas. Esse dado reforça que as três opções são igualmente eficazes como conduto para a passagem do tubo endotraqueal.

Facilidade de inserção da máscara laríngea

Neste quesito, houve diferença significativa entre os dispositivos. A máscara laríngea I-gel foi associada a uma maior facilidade de inserção, com tempo médio de apenas 10 segundos.

Tempo de inserção por dispositivo:

  • I-gel: 10 segundos;
  • Air-Q Blocker: 16 segundos;
  • AuraGain: 16 segundos.

A diferença de 6 segundos pode parecer pequena, mas em cenários de emergência cada segundo conta. Profissionais que dominam a técnica de intubação orotraqueal sabem que a rapidez na obtenção da via aérea pode ser determinante para o desfecho do paciente.

Facilidade de remoção

A máscara laríngea Air-Q Blocker apresentou maior facilidade de remoção após a passagem do tubo endotraqueal. Esse aspecto é relevante porque a remoção inadequada pode deslocar o tubo e comprometer a ventilação mecânica do paciente.

Qual a conclusão do estudo sobre máscaras laríngeas?

O estudo evidencia que todas as máscaras laríngeas de segunda geração avaliadas apresentaram desempenho semelhante em relação à intubação orotraqueal. Não houve diferença estatisticamente significativa no tempo de intubação ou no número de tentativas.

No entanto, existem nuances que podem orientar a escolha do dispositivo:

  • A máscara laríngea I-gel é a melhor opção quando a prioridade é a rapidez na inserção;
  • A máscara laríngea Air-Q Blocker é preferível quando se antecipa dificuldade na remoção do dispositivo;
  • A máscara laríngea AuraGain oferece desempenho intermediário em ambos os aspectos.

O que isso significa para a prática clínica?

Para o médico que atua em emergências e terapia intensiva, os resultados deste estudo trazem uma mensagem tranquilizadora: qualquer uma das três máscaras laríngeas de segunda geração é uma escolha adequada para servir como conduto para intubação.

A decisão pode ser baseada em outros fatores, como:

  • Disponibilidade do dispositivo no serviço;
  • Familiaridade da equipe com determinada máscara laríngea;
  • Características anatômicas específicas do paciente;
  • Custo do dispositivo.

Importância do treinamento em via aérea

Mais importante do que a escolha do dispositivo é o domínio da técnica. O estudo reforça que o profissional bem treinado consegue bons resultados com qualquer uma das máscaras laríngeas avaliadas.

Por isso, investir em capacitação prática é fundamental. A imersão presencial em via aérea avançada do Instituto CDT oferece treinamento com fresh frozen cadavers, permitindo que o médico pratique a inserção de máscaras laríngeas e a intubação em mais de 50 cenários reais.

Referência do estudo

Para mais detalhes sobre a metodologia e os resultados completos do estudo sobre máscaras laríngeas, acesse a publicação original no PubMed:

👉 A randomized controlled trial comparing three supraglottic airway devices used as a conduit to facilitate tracheal intubation with flexible bronchoscopy.

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