Sequência rápida de intubação: o passo a passo para não perder a via aérea

sequência rápida de intubação

Assumir a via aérea de um paciente grave é uma das decisões de maior risco da emergência. A sequência rápida de intubação existe para fazer isso com o mínimo de complicações — e depende de preparo, não de coragem.

Este guia reúne o passo a passo, as drogas e os erros que transformam uma intubação em catástrofe. O objetivo é chegar ao tubo com segurança hemodinâmica e sem aspiração.

sequência rápida de intubação
A pré-oxigenação e a otimização hemodinâmica antecedem a indução na sequência rápida.

O que é a sequência rápida de intubação e quando indicá-la?

A sequência rápida de intubação combina indução e bloqueio neuromuscular quase simultâneos, sem ventilação prolongada com bolsa, para reduzir o risco de aspiração. É a técnica padrão na maioria das intubações de emergência.

Ela se aplica ao paciente com estômago cheio presumido e necessidade de via aérea definitiva. O preparo prévio, tema central da medicina de emergência, define o sucesso.

Quais são os 7 Ps?

Preparação, pré-oxigenação, pré-tratamento, paralisia com indução, posicionamento, posicionamento do tubo com prova e pós-intubação. Cada etapa reduz um risco específico.

Como pré-oxigenar corretamente?

Oferecer O₂ a 100% por 3 minutos (ou 8 respirações de capacidade vital), em posição de rampa, com oxigenação apneica por cateter nasal. A meta é ampliar a janela segura de apneia.

Quais drogas usar na sequência rápida de intubação?

A escolha do indutor e do bloqueador guia a segurança da sequência rápida de intubação. A tabela resume:

FármacoPapelDose usual
Etomidatoindutor estável0,3 mg/kg
Quetaminaindutor (choque/broncoespasmo)1–2 mg/kg
Succinilcolinabloqueador rápido/curto1–1,5 mg/kg
Rocurôniobloqueador alternativo1,2 mg/kg

Etomidato ou quetamina?

O etomidato é hemodinamicamente estável; a quetamina brilha no choque e no broncoespasmo. Evita-se propofol no paciente hipotenso, pelo risco de piora da pressão, como reforça a literatura de via aérea (LITFL).

Succinilcolina ou rocurônio?

A succinilcolina age rápido e dura pouco, mas é contraindicada na hipercalemia e em algumas neuropatias. O rocurônio 1,2 mg/kg é a alternativa quando há contraindicação.

Como executar a sequência rápida de intubação passo a passo?

Um roteiro objetivo organiza a beira do leito:

  1. Preparar material, monitorização, aspiração e plano B;
  2. Pré-oxigenar e otimizar a hemodinâmica antes da indução;
  3. Administrar indutor e bloqueador em sequência;
  4. Posicionar, laringoscopar e passar o tubo;
  5. Confirmar com capnografia e iniciar sedação contínua.

Como prever uma via aérea difícil?

Ferramentas como LEMON e MACOCHA ajudam a antecipar dificuldade. A avaliação estruturada é reforçada pela Difficult Airway Society.

Como evitar o colapso peri-intubação?

Corrigir hipotensão e hipoxemia antes do procedimento, pois indução e pressão positiva reduzem o retorno venoso. O manejo hemodinâmico dialoga com a medicina intensiva.

sequência rápida de intubação
A capnografia confirma o tubo e evita a intubação esofágica não reconhecida.

Erros comuns na sequência rápida de intubação

As armadilhas mais frequentes:

  • Pular a pré-oxigenação adequada;
  • Ventilar com bolsa e insuflar o estômago;
  • Usar dose plena de indutor no paciente chocado;
  • Dispensar a capnografia na confirmação;
  • Não preparar um plano de resgate da via aérea.

Capnografia é obrigatória?

Sim. A capnografia é o padrão para confirmar o tubo e monitorar a ventilação, evitando a intubação esofágica não reconhecida, um dos temas de segurança diagnóstica.

Perguntas frequentes sobre sequência rápida de intubação

As dúvidas mais comuns no plantão aparecem a seguir.

Posso ventilar com bolsa antes do tubo?

Em geral evita-se, para não insuflar o estômago; reserva-se à dessaturação, com manobras cuidadosas.

Qual indutor no choque?

A quetamina é a preferida pela estabilidade hemodinâmica relativa.

Succinilcolina pode em hipercalemia?

Não; nesse caso o rocurônio é a escolha na sequência rápida de intubação.

Preciso de pré-tratamento sempre?

Não; é individualizado conforme o contexto (ex.: broncoespasmo grave).

Como confirmar sem capnografia?

Ausculta e névoa ajudam, mas a dispneia persistente após intubação exige rever a posição do tubo.

Domine a sequência rápida de intubação antes que o paciente dessature

Uma via aérea perdida se conta em segundos, e a insegurança nesse momento é uma das maiores dores de quem faz plantão. Treinar a sequência rápida de intubação é o que garante calma quando não há margem para erro.

A Pós-Graduação em Medicina de Emergência do Instituto CDT treina o procedimento com casos reais, do preparo ao pós-intubação. Aprofunde no manejo do choque e troque condutas na comunidade médica do CDT.

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