Síndrome geniturinária da menopausa: estrogênio vaginal ou alternativa não hormonal?

síndrome geniturinária da menopausa

A síndrome geniturinária da menopausa reúne ressecamento vaginal, ardência, dispareunia, urgência miccional e infecções urinárias de repetição causados pela queda do estrogênio. O termo substituiu “atrofia vulvovaginal” em 2014 justamente para incluir uretra e bexiga, que sofrem o mesmo hipoestrogenismo.

Ao contrário dos fogachos, que tendem a melhorar com os anos, esse quadro é progressivo e piora sem tratamento. Muitas pacientes nunca falam dele na consulta, e muitos médicos nunca perguntam, o que transforma uma condição tratável em dor crônica silenciosa.

síndrome geniturinária da menopausa
Ressecamento, dor na relação e ardência urinária raramente são contados de forma espontânea, por isso a pergunta direta faz parte da consulta do climatério.

Como reconhecer a síndrome geniturinária da menopausa?

O diagnóstico da síndrome geniturinária da menopausa é clínico, baseado em sintomas e exame compatíveis, sem exame complementar na maioria dos casos. A pergunta ativa faz parte do diagnóstico clínico do climatério e é o passo que mais muda o desfecho.

Quais sintomas fazem parte do quadro?

Os sintomas se dividem em três grupos, e a paciente pode ter só um deles. A lista ajuda a estruturar a anamnese, porque queixas urinárias costumam ser tratadas isoladamente sem ligação com a menopausa.

  • Genitais, como ressecamento, ardência, prurido e irritação vulvovaginal;
  • Sexuais, como dispareunia, menor lubrificação e sangramento após a relação;
  • Urinários, como urgência, disúria sem infecção e cistites de repetição.

O que procurar no exame ginecológico?

Mucosa pálida, fina e friável, perda do pregueamento vaginal, petéquias e retração do introito são achados típicos, com pH vaginal acima de 5. Líquen escleroso, candidíase, dermatite de contato e lesões neoplásicas entram no diferencial e mudam a conduta.

Quando o estrogênio vaginal é a primeira escolha?

Para sintomas moderados a graves da síndrome geniturinária da menopausa, o estrogênio vaginal em baixa dose é o tratamento mais eficaz e é a primeira linha do posicionamento de 2020 da Sociedade Norte-Americana de Menopausa. No Brasil há três opções locais, com eficácia semelhante entre elas.

Estrogênio vaginal Apresentação Esquema habitual de manutenção
Estriol Creme vaginal 1 mg por aplicação, 2 a 3 vezes por semana
Estradiol Comprimido vaginal de baixa dose 2 vezes por semana após fase inicial diária
Promestrieno Creme ou óvulo vaginal 2 a 3 aplicações por semana

Como prescrever e orientar a paciente?

A adesão depende mais da orientação do que da molécula escolhida. A sequência abaixo resume o que costuma funcionar no consultório.

  1. Explicar que o quadro é crônico e que os sintomas voltam quando o tratamento para;
  2. Começar com aplicação diária por cerca de duas semanas, conforme a bula do produto;
  3. Passar para manutenção de duas a três vezes por semana, à noite, antes de deitar;
  4. Preferir comprimido vaginal quando o creme escorre e atrapalha a rotina;
  5. Reavaliar em 8 a 12 semanas, examinando mucosa e perguntando sobre relação sexual.

Precisa associar progesterona?

Não, porque a absorção sistêmica nas doses vaginais baixas é mínima e não estimula o endométrio de forma relevante. Sangramento vaginal durante o uso, porém, exige investigação como em qualquer mulher na pós-menopausa.

síndrome geniturinária da menopausa
O estrogênio vaginal em baixa dose age na mucosa com absorção sistêmica mínima e não exige associação com progesterona.

Quando a alternativa não hormonal é melhor na síndrome geniturinária da menopausa?

A opção sem hormônio serve para sintomas leves, para quem não aceita estrogênio e para contraindicação formal. Ela alivia, mas não reverte a atrofia com a mesma eficácia do tratamento hormonal.

Qual a diferença entre hidratante e lubrificante?

O hidratante vaginal, muitas vezes à base de ácido hialurônico, é aplicado de duas a três vezes por semana e mantém a mucosa úmida de forma contínua. O lubrificante é usado só na hora da relação, e os à base de água são os mais compatíveis com preservativo.

O laser vaginal funciona?

Os estudos iniciais sugeriram melhora de elasticidade e lubrificação, mas a evidência de longo prazo é fraca. Um ensaio randomizado publicado no JAMA em 2021 não mostrou superioridade do laser de CO2 fracionado sobre o procedimento simulado.

Como tratar a síndrome geniturinária da menopausa em situações especiais?

Três cenários concentram dúvidas: câncer de mama, uso de reposição sistêmica e infecção urinária de repetição. Em cada um, a decisão muda de forma diferente.

E a sobrevivente de câncer de mama?

A primeira linha é não hormonal, e o estrogênio vaginal em baixa dose fica para sintomas refratários, após discussão com o oncologista. A cautela é maior em usuárias de inibidor de aromatase, cujo objetivo terapêutico é manter o estrogênio o mais baixo possível.

A reposição sistêmica já trata o quadro?

Muitas vezes não, e a paciente em estradiol transdérmico para fogachos pode seguir com dispareunia. A reposição hormonal na menopausa e o estrogênio vaginal podem ser usados juntos, cada um com seu objetivo.

Por que tratar melhora a cistite de repetição?

O estrogênio local restaura lactobacilos e acidez vaginal, reduzindo a colonização por bactérias uropatogênicas. Para quem já recebeu vários ciclos de antibiótico por cistite, o tratamento vaginal é medida preventiva de primeira linha.

Perguntas frequentes sobre síndrome geniturinária da menopausa

As perguntas a seguir estão entre as mais feitas por pacientes e colegas no ambulatório de climatério. As respostas trazem a orientação prática atual.

A síndrome geniturinária da menopausa melhora sozinha?

Não, ela tende a piorar com o tempo, ao contrário dos sintomas vasomotores. Sem tratamento, a mucosa fica mais fina e os sintomas urinários e sexuais se acumulam.

Por quanto tempo usar o estrogênio vaginal?

Em geral de forma contínua, porque os sintomas retornam após a suspensão. O uso prolongado em baixa dose não mostrou aumento relevante de câncer de endométrio nos estudos disponíveis.

Fitoterápicos tratam a síndrome geniturinária da menopausa?

Não há evidência consistente de benefício na atrofia da mucosa com isoflavonas ou cimicífuga. O papel dos fitoterápicos na menopausa é limitado e se concentra nos fogachos.

Testosterona resolve a dor na relação?

Não, a testosterona pode ajudar o desejo em casos selecionados, mas não trata a mucosa atrófica. Sem estrogênio local, a dispareunia persiste mesmo com libido recuperada.

Quando investigar outra causa?

Lesão ulcerada, placa esbranquiçada, sangramento ou ausência de resposta após três meses pedem nova avaliação. Líquen escleroso e neoplasia vulvar precisam ser afastados, às vezes com biópsia.

Síndrome geniturinária da menopausa começa na pergunta que falta

Muitas mulheres passam anos tratando cistites, trocando de lubrificante e evitando relações até alguém perguntar sobre ressecamento. Quando isso acontece, a síndrome geniturinária da menopausa costuma estar avançada, e a paciente já concluiu que dor faz parte da idade.

Perguntar, examinar e escolher entre estrogênio local e alternativa não hormonal com segurança exige domínio do climatério como um todo. A Coleção Pilares da Saúde Feminina de Alta Performance reúne no livro esse raciocínio, da reposição hormonal ao tratamento local.

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