Em 14 de setembro de 2026, o Ministério da Saúde publicou a Portaria SCTIE/MS nº 56, que incorpora o carbonato de lítio de 450 mg de liberação prolongada para o transtorno bipolar. A decisão sobre lítio de liberação prolongada SUS encerra um processo que passou por consulta pública da Conitec até 6 de julho.
Na prática, muitos pacientes do sistema público tomam o comprimido de liberação imediata duas ou três vezes ao dia, e a dose do meio da tarde é a que mais se perde. A formulação nova permite tomada única diária, o que muda a conversa sobre adesão no ambulatório.

O que a portaria do lítio de liberação prolongada SUS decidiu?
A portaria torna pública a decisão de incorporar a apresentação de 450 mg para pacientes com transtorno bipolar. A lista das portarias publicadas na mesma data está no informe do Conass sobre as incorporações.
Quando o medicamento chega às farmácias do SUS?
Pela regra de incorporação, as áreas técnicas têm até 180 dias a partir da publicação para efetivar a oferta. Isso aponta para meados de março de 2027, sem garantia de que todos os municípios recebam ao mesmo tempo.
Qual foi o papel da consulta pública?
A Conitec abriu a consulta para receber contribuições de profissionais e pacientes antes da recomendação final. A convocação publicada pela ABP destacou a experiência clínica dos psiquiatras como parte relevante do processo.
Por que o lítio de liberação prolongada SUS importa na clínica?
O lítio segue como estabilizador de primeira escolha na manutenção do transtorno bipolar. Ele é o único com redução demonstrada de suicídio, o que pesa muito na escolha para quem já tentou.
Qual a diferença entre liberação imediata e prolongada?
A diferença está no perfil de absorção e na posologia, não no íon. A tabela compara as duas formas nos pontos que mais afetam a prescrição.
| Aspecto | Liberação imediata | Liberação prolongada (450 mg) |
|---|---|---|
| Posologia habitual | Dose dividida ao longo do dia | Dose única diária, em geral à noite |
| Pico sérico | Mais alto e mais precoce | Menor e mais tardio |
| Coleta da litemia | Cerca de 12 horas após a última dose | Cerca de 12 horas após a última dose |
| Monitorização | Litemia, função renal, TSH e cálcio | A mesma, sem dispensa de exames |
O lítio de liberação prolongada SUS protege contra suicídio?
O efeito antissuicida vem do lítio, e não da formulação. A vantagem prática é indireta, porque a tomada única tende a facilitar a adesão, e a adesão é o que sustenta a proteção.

Como prescrever o lítio de liberação prolongada SUS com segurança?
A dose é guiada pela litemia, e não pelo número de comprimidos. Na manutenção, os alvos mais usados ficam entre 0,6 e 0,8 mmol/L, com faixa mais alta no episódio agudo de mania.
Como trocar a formulação sem perder o controle?
A troca costuma manter a mesma dose diária total, mas a litemia precisa ser repetida. A sequência abaixo organiza a transição no ambulatório.
- Conferir litemia, creatinina e TSH recentes antes de mudar a apresentação;
- Manter a dose diária total e concentrar a tomada em horário fixo;
- Orientar a coleta cerca de 12 horas após a última dose;
- Repetir a litemia cinco a sete dias depois da troca;
- Ajustar a dose conforme o nível sérico e a resposta clínica.
Quais situações elevam a litemia?
A intoxicação costuma vir de uma mudança no entorno, e não de erro de dose. Os gatilhos abaixo merecem orientação explícita ao paciente e à família.
- Início de diurético tiazídico, inibidor da ECA ou bloqueador do receptor de angiotensina;
- Uso de anti-inflamatório não esteroide por conta própria para dor;
- Desidratação por diarreia, vômitos, calor intenso ou jejum prolongado;
- Queda da filtração glomerular, que pede o ajuste de dose na insuficiência renal.
O que ainda falta para o lítio de liberação prolongada SUS?
A portaria não detalha o fluxo de dispensação nem os critérios de acesso em cada rede. Até a oferta efetiva, o comprimido de liberação imediata segue como a opção disponível no sistema público.
A formulação prolongada poupa o rim?
Não há evidência sólida de que picos menores protejam a função renal a longo prazo. A vigilância de creatinina, TSH e cálcio continua pelo menos a cada seis meses, independentemente da apresentação.
O paciente estável precisa trocar?
Quem está bem controlado, com boa adesão e litemia no alvo, não tem obrigação de mudar. A troca faz mais sentido para quem esquece doses ou tem efeitos ligados ao pico, como tremor.
Perguntas frequentes sobre lítio de liberação prolongada SUS
Médicos da rede pública e da atenção primária costumam chegar com as mesmas dúvidas sobre a mudança. As respostas abaixo seguem a portaria e a prática clínica consolidada.
O lítio de liberação prolongada SUS já pode ser retirado?
Ainda não, porque a portaria abre o prazo de até 180 dias para a oferta. A disponibilidade depende da organização de cada rede após a compra.
Qual apresentação foi incorporada?
Foi incorporado o carbonato de lítio de 450 mg de liberação prolongada. A indicação na portaria é o tratamento de pacientes com transtorno bipolar.
O lítio de liberação prolongada SUS pode ser partido?
Comprimidos de liberação prolongada não devem ser triturados ou mastigados, porque isso anula o mecanismo de liberação. A orientação sobre partir o comprimido deve ser conferida na bula do produto dispensado.
A litemia muda com a tomada única?
Com a tomada única noturna, o nível colhido 12 horas depois tende a ser um pouco mais alto que com doses divididas. Por isso a interpretação deve considerar a formulação e o horário da última dose.
O lítio exige avaliação de risco de suicídio no seguimento?
Sim, a avaliação do risco de suicídio faz parte de cada consulta no transtorno bipolar. O lítio também é tóxico em superdosagem, e a quantidade dispensada merece atenção em paciente de alto risco.
Lítio de liberação prolongada SUS e o paciente que esquece a dose da tarde
O retorno com litemia baixa e a frase “às vezes esqueço o do meio-dia” é uma das cenas mais comuns do ambulatório de psiquiatria. Com o lítio de liberação prolongada SUS, a solução pode ser simplificar o esquema, desde que o médico domine a monitorização.
A pós-graduação em Psiquiatria do Instituto CDT trabalha transtorno bipolar, estabilizadores de humor e litemia com discussão de casos reais. É uma forma de prescrever com mais segurança e interpretar cada exame sem hesitação.