Sedação com fentanil e cetamina aumenta a chance de hipotensão?

Médico prestes a fazer intubação orotraqueal

Olá, laringoscopista. 

A indução anestésica para a intubação orotraqueal (IOT) geralmente é baseada no uso de 3 classes de drogas: opioide, hipnótico e bloqueador neuromuscular. Contudo, o uso do fentanil, opioide mais usado, está associado a potencialização dos efeitos cardiodepressores dos hipnóticos, o que pode piorar o prognóstico do paciente. 

Nesse sentido, um estudo, — The effect of ketamine and fentanyl on haemodynamics during intubation in pre-hospital and retrieval medicine —, publicado no Acta Anaesthesiologica Scandinavica em dezembro de 2022, avaliou o impacto hemodinâmico da indução com fentanil e cetamina para a intubação orotraqueal.

O objetivo do estudo foi avaliar o efeito hemodinâmico da adição de fentanil à cetamina no momento pós-intubação orotraqueal.

Como o estudo foi realizado 

– Esse foi um estudo observacional retrospectivo;

– Um total de 804 pacientes foram incluídos na análise;

– Formaram-se dois grupos: grupo cetamina (669 pacientes) e grupo cetamina e fentanil (135 pacientes);

– A dose de cetamina foi de 1,25 mg/kg e a de fentanil foi de 1,1 mcg/kg;

– Os desfechos primários foram as alterações na Pressão Arterial Sistólica (PAS) do paciente de acordo com a sua linha de base.

Resultados

– A taxa de sucesso da intubação foi de 95% em ambos os grupos;

– Na análise multivariada, foi identificado que a idade, o peso e a PAS baixa no momento da indução são fatores que aumentam as variações pós-intubação;

– O fentanil não foi associado ao aumento da incidência das alterações pressóricas do desfecho primário;

– A hipotensão pós-intubação foi associada com os seguintes fatores: maior idade e PAS baixa no momento da indução;

– A hipertensão pós-intubação foi associada com o aumento do peso do paciente e com a PAS elevado no momento da indução.

Conclusão

O estudo relata que a adição de fentanil à cetamina para a intubação orotraqueal (IOT) não foi responsável por gerar alterações hemodinâmicas pós-intubação. Entretanto, o autor afirma que as doses usadas foram relativamente baixas e aponta para a necessidade de mais estudos para confirmar os achados.

Para mais detalhes sobre o estudo, clique no link abaixo:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36495319

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