O cardiointensivismo passou a constar da lista oficial de áreas de atuação médica com a Resolução CFM nº 2.472/2026, publicada no Diário Oficial da União em 28 de outubro de 2026. A mesma norma incluiu a Medicina Marítima e Hiperbárica, e a relação de áreas de atuação subiu de 62 para 64.
A notícia interessa a cardiologistas e intensivistas que já trabalham em unidades coronarianas, UTIs cardiológicas e pós-operatório de cirurgia cardíaca. A pergunta prática é quem pode obter o novo título e por qual caminho.

O que a Resolução CFM 2.472/2026 mudou?
A resolução homologa a Portaria nº 1/2026 da Comissão Mista de Especialidades, formada por CFM, AMB e CNRM. Ela atualiza a lista de especialidades e áreas de atuação e define as formas de obter cada titulação para registro no CRM.
O cardiointensivismo é especialidade ou área de atuação?
O cardiointensivismo é área de atuação, e não especialidade. Isso significa que o título exige uma especialidade prévia, como acontece com áreas já conhecidas, a exemplo de dor, medicina paliativa e emergência pediátrica.
O que mais mudou na lista?
A relação de especialidades permanece com 55 itens, e a lista de áreas de atuação ganhou Cardiointensivismo e Medicina Marítima e Hiperbárica. A resolução revogou a Resolução CFM nº 2.380/2024 e entrou em vigor na data de publicação, conforme o texto da Resolução CFM nº 2.472/2026.
Quem pode obter o título de cardiointensivismo?
O acesso à nova área é restrito a quem já tem formação em uma das duas especialidades de origem. A tabela resume os caminhos descritos na portaria anexa à resolução.
| Item | Regra para o cardiointensivismo |
|---|---|
| Natureza | Área de atuação médica |
| Pré-requisito | Residência credenciada pela CNRM ou título da AMB com RQE em Cardiologia ou em Medicina Intensiva |
| Residência na área | Programa de 1 ano credenciado pela CNRM |
| Alternativa à residência | Concurso de certificação da AMB em convênio com AMIB e SBC |
| Documento para o RQE | Certificado da residência ou certificação de área de atuação emitida pela AMB |
Quais são os dois caminhos para a titulação?
O primeiro é concluir o programa de residência na área, com duração de 1 ano, depois da residência ou do título na especialidade de origem. O segundo é a aprovação no concurso de certificação promovido pela AMB em convênio com a Associação de Medicina Intensiva Brasileira e a Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Quando abre a primeira prova?
A resolução define as formas de obtenção, mas não traz datas de prova nem requisitos detalhados de experiência. Esses pontos dependem dos editais, que devem ser acompanhados nos portais da Associação Médica Brasileira e da AMIB.

O que muda na prática para quem trabalha em UTI cardiológica?
O reconhecimento formaliza uma atuação que já existia nos grandes centros, onde o paciente com choque cardiogênico, arritmia grave ou pós-operatório cardíaco exige domínio das duas áreas. A mudança tende a influenciar escalas, coordenação de unidades e exigências de credenciamento ao longo do tempo.
O médico sem o título pode continuar trabalhando na unidade coronariana?
Pode, porque a nova área de atuação não proíbe ninguém de exercer a medicina na UTI. O que muda é o direito de divulgar o título e registrar o RQE correspondente, e a lógica do registro de qualificação de especialista continua a mesma.
Quais competências o cardiointensivismo reúne?
A área cruza o raciocínio hemodinâmico do intensivista com o conhecimento de cardiopatias do cardiologista. Na rotina, aparecem com frequência estes cenários:
- choque cardiogênico com uso de vasopressores, inotrópicos e suporte circulatório mecânico;
- arritmias graves com instabilidade hemodinâmica e necessidade de cardioversão ou marca-passo;
- pós-operatório de cirurgia cardíaca, com sangramento, tamponamento e disfunção ventricular;
- insuficiência cardíaca descompensada com congestão refratária e hipoperfusão;
- síndromes coronarianas agudas complicadas, antes e depois da intervenção.
Como se preparar para o novo título?
O caminho depende da formação atual de cada médico. A ordem abaixo organiza os passos para quem pretende seguir a área:
- confirmar se já possui residência ou título com RQE em Cardiologia ou Medicina Intensiva;
- verificar a existência de programas de residência na área credenciados na sua região;
- acompanhar a publicação do edital da prova de certificação da AMB com AMIB e SBC;
- ler os requisitos do edital sobre tempo de atuação e documentação exigida;
- revisar os temas da prova com material atualizado de terapia intensiva e cardiologia.
Pós-graduação dá o título de cardiointensivismo?
Não dá. A pós-graduação lato sensu não substitui a residência nem a prova de certificação, e não gera RQE, embora possa ajudar na atualização técnica e no preparo para a prova de título de especialista.
Onde a carreira do intensivista entra nisso?
Para o intensivista, a nova área abre um caminho formal de diferenciação dentro da UTI. O panorama da rotina e do mercado do médico intensivista ajuda a avaliar se o investimento faz sentido para cada perfil.
Perguntas frequentes sobre cardiointensivismo
As perguntas abaixo surgiram assim que a nova lista foi publicada. As respostas se baseiam no texto da resolução e da portaria anexa.
Clínico geral pode fazer cardiointensivismo?
Não diretamente, porque o pré-requisito é Cardiologia ou Medicina Intensiva. O clínico precisa antes obter uma dessas especialidades por residência ou título.
O cardiointensivismo exige residência obrigatória?
Não exige, porque a portaria também prevê o concurso de certificação da AMB. A residência de 1 ano é um dos dois caminhos possíveis.
Quem já tem RQE em Medicina Intensiva ganha o título automaticamente?
Não, o título de cardiointensivismo depende da residência na área ou da aprovação na prova. O RQE na especialidade de origem é apenas o pré-requisito.
O que é a área de Medicina Marítima e Hiperbárica?
É a outra área criada pela mesma resolução, com pré-requisito em Medicina do Trabalho ou Medicina do Tráfego. A titulação também segue o modelo de residência de 1 ano ou prova da AMB.
Como divulgar o título depois de obtido?
Somente após o registro no CRM, com o número do RQE da área de atuação. As regras do carimbo médico e da divulgação do RQE valem também para a nova área.
Cardiointensivismo: formalizar o que a UTI já exigia
O plantonista que recebe o paciente em choque cardiogênico às 3 horas e precisa decidir entre inotrópico, vasopressor e balão sabe que esse conhecimento já era cobrado muito antes da resolução. O cardiointensivismo dá nome e regra a essa competência, mas o domínio técnico continua sendo construído no dia a dia.
A atualização em hemodinâmica, drogas vasoativas e suporte ao paciente crítico é o foco da pós-graduação em Medicina Intensiva do Instituto CDT, que não confere título nem RQE. A formação ajuda o médico a conduzir a UTI com segurança enquanto define o caminho para a titulação.