Manutenção da via aérea em paciente com PCR e o desfecho neurológico

Olá, laringoscopista!

A parada cardiorrespiratória (PCR) extra-hospitalar continua sendo um dos maiores desafios enfrentados pelas equipes médicas de atendimento pré-hospitalar. Nessas situações críticas, além das manobras de ressuscitação cardiopulmonar, recai sobre o profissional a responsabilidade de garantir, de forma precisa e rápida, o manejo adequado das vias aéreas.

Entretanto, o momento ideal para a realização da via aérea avançada ainda é motivo de debate — especialmente no que diz respeito ao impacto dessa decisão sobre o desfecho neurológico do paciente.

O que buscou o estudo?

Com o intuito de lançar luz sobre essa questão, um estudo intitulado The association of delayed advanced airway management and neurological outcome after out-of-hospital cardiac arrest in Japan, publicado no American Journal of Emergency Medicine em dezembro de 2022, analisou a relação entre o tempo de obtenção da via aérea avançada e o desempenho neurológico de pacientes em PCR extra-hospitalar.

Metodologia aplicada

  • Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo realizado no Japão;
  • Foram incluídos 182.913 casos de PCR ocorridos fora do ambiente hospitalar;
  • Os pacientes foram divididos em dois grupos com base no ritmo cardíaco inicial:
    • Ritmo chocável: 11.740 casos;
    • Ritmo não chocável: 171.173 casos.
  • Foram considerados como dispositivos de via aérea avançada tanto os supraglóticos quanto a intubação orotraqueal.

Principais achados do estudo

  • O atraso na obtenção da via aérea avançada foi negativamente associado ao desempenho neurológico dos pacientes, independentemente do ritmo inicial.
  • Contudo, nos casos em que o tempo de parada superou 9,2 minutos, essa associação negativa permaneceu apenas entre os pacientes com ritmo não chocável.

Conclusão clínica

O estudo reforça a importância da rapidez na abordagem da via aérea em cenários de PCR extra-hospitalar. O atraso na instalação de dispositivos avançados — seja via supraglótica ou intubação — está correlacionado a piores desfechos neurológicos, especialmente quando o tempo total de parada é inferior a 9,2 minutos.

Para ritmos não chocáveis, o impacto negativo do atraso persiste mesmo após esse tempo. Esse dado deve ser considerado pelas equipes de atendimento, reforçando a necessidade de decisões assertivas e treinamento técnico contínuo. Veja mais detalhes do estudo aqui.

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