Poucas tarefas geram tanta insegurança no plantão quanto acertar a infusão de um vasopressor na instabilidade hemodinâmica. O cálculo de drogas vasoativas converte a dose em mcg/kg/min na taxa em mL/h que a bomba entrega.
Um erro de vírgula muda a perfusão de quem está em choque em segundos.

Por que a conversão de mcg/kg/min para mL/h confunde tanto?
A prescrição vem em mcg/kg/min, mas a bomba trabalha em mL/h. Entre os dois estão a concentração da diluição e o peso, variáveis que mudam a cada caso.
Quando uma é assumida sem conferência, o cálculo de drogas vasoativas perde precisão.
A fórmula que resolve tudo é direta: mL/h = (dose em mcg/kg/min × peso em kg × 60) ÷ concentração em mcg/mL. O fator 60 converte minutos em hora; a concentração vem da droga diluída no volume final.
Como calcular o gotejamento da noradrenalina passo a passo?
Considere noradrenalina a 64 mcg/mL (4 ampolas de 4 mg em 234 mL de soro glicosado, total de 250 mL), conduta detalhada no guia de noradrenalina: diluição e preparo.
Para 70 kg a 0,1 mcg/kg/min: (0,1 × 70 × 60) ÷ 64 = 6,56 mL/h.
Ao titular para 0,3 mcg/kg/min, a conta sobe para cerca de 19,7 mL/h. Repetir esse cálculo de drogas vasoativas a cada ajuste evita o hábito de “girar a bomba no olho”.
Quais são as principais drogas e suas doses de referência?
Cada agente tem faixa terapêutica própria, e conhecê-la orienta a prescrição e a checagem. A tabela resume diluições e faixas de dose usuais em terapia intensiva, alinhadas ao material sobre tabela de drogas vasoativas.
| Droga | Diluição usual (volume final 250 mL) | Faixa de dose | Efeito predominante |
|---|---|---|---|
| Noradrenalina | 4 amp (16 mg) → 64 mcg/mL | 0,01–1 mcg/kg/min | Vasoconstrição (alfa) |
| Adrenalina | 6 amp (6 mg) → 24 mcg/mL | 0,01–0,5 mcg/kg/min | Inotropismo e vasoconstrição |
| Dobutamina | 1 amp (250 mg) → 1000 mcg/mL | 2,5–20 mcg/kg/min | Inotropismo (beta-1) |
| Vasopressina | 20 UI em 100 mL | 0,01–0,04 UI/min | Vasoconstrição não adrenérgica |
A vasopressina foge ao padrão por ser dosada em UI/min fixa, e não em mcg/kg/min. Ainda assim, entra no mesmo raciocínio de conversão para mL/h a partir da concentração final.
Como a diluição altera a velocidade de infusão?
Concentrações diferentes geram taxas distintas para a mesma dose: a mais concentrada entrega menos mL/h e a mais diluída exige volume maior, fator crítico na restrição hídrica. Conferir a concentração real é indispensável no cálculo de drogas vasoativas.
Quando a noradrenalina é a primeira escolha?
No choque séptico, a noradrenalina é o vasopressor de primeira linha, recomendação forte da Surviving Sepsis Campaign. A meta é manter pressão arterial média de ao menos 65 mmHg após reposição volêmica, conforme os critérios diagnósticos de sepse.
Quando ela não basta, acrescenta-se vasopressina antes de elevar demais a dose adrenérgica. O cálculo de drogas vasoativas anda junto com a escolha racional do agente.
Quando indicar dobutamina e adrenalina?
A dobutamina é o inotrópico de escolha na disfunção miocárdica com débito baixo, comum no choque cardiogênico abordado na pós-graduação em medicina intensiva. Aumenta a contratilidade, mas pode causar taquicardia e hipotensão.
A adrenalina entra no choque refratário e na parada cardiorrespiratória, no algoritmo da parada cardiorrespiratória e ACLS. Por ser arritmogênica, exige monitorização contínua e cálculo de drogas vasoativas rigoroso.

Quais são os erros comuns no cálculo de drogas vasoativas?
Os deslizes mais frequentes não estão na matemática, mas em descuidos sob estresse. Reconhecê-los antes é a melhor defesa do paciente, tema do panorama sobre o que são drogas vasoativas.
- Usar peso estimado desatualizado em vez do peso real ou ideal do paciente;
- Confundir a concentração da diluição padrão da unidade com a que foi efetivamente preparada;
- Esquecer o fator 60 e calcular mL/min em vez de mL/h;
- Manter vasopressor em acesso periférico por tempo prolongado, com risco de extravasamento e necrose;
- Realizar desmame abrupto, provocando hipotensão de rebote em paciente ainda instável.
A infusão periférica é tolerada só por curto período, em baixa dose e enquanto se obtém acesso central. A finalidade clínica de cada agente está em para que serve a droga vasoativa.
Como organizar a checagem antes de iniciar a infusão?
Uma sequência fixa reduz erros e padroniza o cuidado. A rotina abaixo serve como dupla checagem antes da bomba.
- Confirmar o peso atual do paciente e a meta de pressão arterial média;
- Verificar a diluição preparada e calcular a concentração real em mcg/mL;
- Aplicar a fórmula e conferir o resultado em mL/h com um segundo profissional;
- Garantir acesso adequado, preferencialmente central, e bomba dedicada;
- Registrar dose, taxa e horário, reavaliando a cada titulação.
Esse fluxo dialoga com os padrões de segurança defendidos pela AMIB no manejo do paciente crítico. A consistência importa tanto quanto a conta.
Perguntas frequentes sobre cálculo de drogas vasoativas
Abaixo, as dúvidas mais recorrentes de quem titula vasopressores no plantão.
Qual a fórmula básica para converter mcg/kg/min em mL/h?
mL/h = (dose × peso × 60) ÷ concentração em mcg/mL. O fator 60 transforma minutos em hora e a concentração vem da diluição preparada.
Por que o peso é tão importante no cálculo de drogas vasoativas?
Porque a dose é ponderal: variações de peso alteram a velocidade de infusão. Peso impreciso desloca a titulação.
Pode-se administrar noradrenalina em acesso periférico?
Apenas por pouco tempo, em baixa dose, até obter acesso central. O uso prolongado eleva o risco de extravasamento e necrose.
Como fazer o desmame do vasopressor com segurança?
De forma gradual, guiada pela pressão arterial média e pela perfusão. O desmame abrupto causa hipotensão.
A vasopressina segue o cálculo em mcg/kg/min?
Não. É dosada em UI/min fixa, mas igualmente convertida para mL/h conforme a concentração final.
Acerte o cálculo de drogas vasoativas e proteja o paciente grave
Cada titulação em mL/h decide a perfusão de quem está à beira da descompensação, e a dúvida na hora errada custa caro à segurança do paciente. Quem domina o cálculo de drogas vasoativas decide com firmeza em vez de improvisar.
Para transformar essa rotina em automatismo, com diluições, fórmulas e fluxos em um só lugar, o Manual Prático de Agentes Vasoativos é o apoio de cabeceira que faltava na estante do plantonista.