Para começar na UPA sem travar, o recém-formado precisa dominar primeiro a avaliação ABCDE e sete cenários que matam rápido: via aérea, parada cardiorrespiratória, sepse, dor torácica, AVC, anafilaxia e rebaixamento de consciência. O restante pode ser consultado durante o plantão.
A maioria dos médicos não trava por falta de conhecimento, e sim por falta de sequência. Diante de um paciente cianótico, hipotenso e confuso, o que paralisa é não saber o que fazer primeiro, e não o diagnóstico em si.

O que estudar antes de começar na UPA?
O estudo rende mais quando segue a lógica da sala de emergência: estabilizar antes de diagnosticar. Por isso, a avaliação ABCDE vem antes de qualquer protocolo específico, porque ela organiza o atendimento de qualquer paciente grave.
Por que a avaliação ABCDE vem primeiro?
O ABCDE impõe uma ordem que impede de pular etapas sob pressão: via aérea, respiração, circulação, estado neurológico e exposição. Cada problema encontrado é tratado antes de seguir para a letra seguinte, e a reavaliação é contínua.
Quais protocolos oficiais ajudam no estudo?
Os protocolos de suporte avançado do SAMU 192 trazem fluxos objetivos e adaptados à realidade brasileira. O material está no protocolo de suporte avançado de vida do Ministério da Saúde.
A tabela resume os cenários de maior risco e a primeira decisão de cada um. Ela serve como roteiro de estudo, não como substituto do protocolo completo.
| Cenário | Primeira decisão | Armadilha comum |
|---|---|---|
| Via aérea em risco | Oxigenar e preparar a intubação | Intubar sem plano B |
| Parada cardiorrespiratória | Compressões de qualidade e checar ritmo | Interromper compressões por tempo demais |
| Sepse com hipoperfusão | Lactato, culturas, antibiótico e volume | Atrasar o antibiótico à espera de exames |
| Dor torácica | ECG em até 10 minutos | Dispensar após um ECG normal |
| Déficit neurológico súbito | Hora exata do último momento visto bem | Perder a janela por demora na imagem |
| Anafilaxia | Adrenalina intramuscular imediata | Começar por anti-histamínico |
| Rebaixamento de consciência | Glicemia capilar | Esquecer a hipoglicemia |
Quais emergências o médico precisa dominar no primeiro plantão?
Alguns cenários não admitem consulta ao celular, porque a decisão precisa sair em segundos. Esses são os que merecem treino repetido antes de começar na UPA.
Como conduzir a via aérea sem travar?
O erro mais grave é iniciar a intubação sem material conferido e sem plano alternativo. Um roteiro prático de conferência está no checklist de intubação, com o plano B dito em voz alta antes da laringoscopia.
O que memorizar da parada cardiorrespiratória?
Compressões de 100 a 120 por minuto, com profundidade de 5 a 6 cm, desfibrilação precoce nos ritmos chocáveis e adrenalina 1 mg a cada 3 a 5 minutos. O algoritmo completo está no guia de parada cardiorrespiratória no ACLS (Megacode).
Como não atrasar o tratamento da sepse?
Na suspeita de choque séptico ou sepse provável, o antibiótico deve ser iniciado em até uma hora, depois da coleta de culturas sem atrasá-lo. As recomendações de volume, metas e vasopressor estão nas diretrizes da Surviving Sepsis Campaign.

Como organizar o estudo nas semanas antes de começar na UPA?
O estudo funciona melhor em blocos curtos, com um cenário por dia e revisão no dia seguinte. A sequência abaixo cabe em duas a três semanas para quem estuda uma ou duas horas por dia.
- Revise o ABCDE e treine falar cada etapa em voz alta;
- Estude via aérea e sequência rápida de intubação, com doses dos fármacos de indução;
- Revise o algoritmo de parada e os ritmos chocáveis e não chocáveis;
- Estude sepse, choque e o uso de noradrenalina;
- Revise dor torácica, ECG do infarto com supra e AVC com janela de trombólise;
- Feche com anafilaxia, crise convulsiva, hipoglicemia e intoxicações frequentes.
Quais doses vale ter na memória?
Doses de uso imediato, como adrenalina na parada e na anafilaxia, precisam estar decoradas. Na anafilaxia, a dose intramuscular é de 0,01 mg/kg, até 0,5 mg no adulto, como detalha o artigo sobre adrenalina na anafilaxia.
O que pode ficar para consultar no plantão?
Doses de manutenção, ajustes por função renal e esquemas de antibiótico podem ser consultados com calma. O que não pode ser consultado é a primeira atitude diante do paciente que piora na sua frente.
- Esquemas de antibiótico por foco de infecção;
- Ajuste de doses pela função renal e hepática;
- Diluição e velocidade de infusão de drogas contínuas;
- Critérios de internação e de transferência para hospital de referência.
Como agir quando o paciente grave chega e você está sozinho?
Na UPA, o médico frequentemente é o único na sala vermelha, e a equipe de enfermagem é a principal aliada. Distribuir tarefas em voz alta, com nome de quem faz o quê, evita que tudo dependa de uma só pessoa.
Quando pedir transferência?
A transferência é necessária quando o paciente precisa de recurso que a UPA não tem, como hemodinâmica, neurocirurgia ou UTI. O pedido deve sair cedo, junto da estabilização, porque a regulação leva tempo.
Como não esquecer o AVC na janela?
O primeiro dado a registrar é a hora do último momento em que o paciente foi visto bem, porque ela define a elegibilidade. Os critérios estão no artigo sobre trombólise no AVC isquêmico.
Perguntas frequentes sobre começar na UPA
As perguntas abaixo reúnem dúvidas de recém-formados nas semanas antes de começar na UPA. As respostas apontam o que priorizar no estudo.
Preciso de curso antes de começar na UPA?
Não há exigência legal de curso específico para o médico generalista, mas muitos serviços pedem suporte avançado de vida. O ACLS (Megacode) e cursos de via aérea treinam exatamente os cenários que mais assustam.
Qual o erro mais comum de quem vai começar na UPA?
O erro mais comum é tentar fechar o diagnóstico antes de estabilizar o paciente. A sequência ABCDE evita esse atraso.
Como lidar com a insegurança no primeiro plantão?
A insegurança diminui com treino de cenários e com a chance de discutir casos com médicos experientes. O guia sobre como se preparar para o primeiro plantão traz uma checagem prática.
Devo dispensar dor torácica com ECG normal?
Não, porque um único ECG normal não exclui síndrome coronariana aguda. A repetição do ECG e a troponina seriada fazem parte da avaliação.
Vale estudar ultrassom à beira-leito para começar na UPA?
Vale, porque o POCUS ajuda a diferenciar causas de choque e de dispneia em minutos. O aprendizado exige prática supervisionada, e não apenas aulas teóricas.
Começar na UPA com segurança desde o primeiro plantão
O recém-formado que recebe às 3 h um paciente rebaixado, hipotenso e sem acompanhante sabe que não há tempo para abrir o livro. Começar na UPA com uma sequência treinada é o que separa o plantão que trava do plantão que flui.
A Pós-Graduação em Medicina de Emergência do Instituto CDT tem 460 horas e 18 módulos, de emergências respiratórias e choque a trauma e ultrassom, além de dois fins de semana práticos em São Paulo com intubação, acesso central e POCUS. É a base para assumir a sala vermelha sem travar.