Trombólise no AVC isquêmico: janela, critérios e a decisão que não pode atrasar

trombólise no AVC isquêmico

No AVC, “tempo é cérebro” — e cada minuto sem reperfusão custa neurônios. A trombólise no AVC isquêmico é uma das decisões mais sensíveis do plantão, em que hesitar ou errar critério muda o desfecho funcional do paciente. Um material próximo é o de AVC isquêmico.

Este guia organiza a janela terapêutica, os critérios de inclusão e exclusão, os alvos pressóricos e a interface com a trombectomia mecânica. O foco é decidir com rapidez e segurança, num cenário em que a demora tem custo neurológico mensurável.

trombólise no AVC isquêmico
A tomografia exclui hemorragia antes da trombólise.

Quando indicar a trombólise no AVC isquêmico?

A trombólise no AVC isquêmico é indicada até 4,5 horas do início dos sintomas, com déficit neurológico incapacitante e tomografia sem hemorragia. Confirmar o horário de início é o primeiro passo.

O benefício decresce a cada minuto: estima-se que cerca de 1,9 milhão de neurônios se perca por minuto de isquemia. Por isso o indicador que realmente importa é o tempo porta-agulha, e organizá-lo é competência central da medicina de emergência.

Qual é a janela de tempo?

Até 4,5 horas do início dos sintomas, contadas a partir do último momento em que o paciente foi visto assintomático — e não do momento em que foi encontrado. Fora dessa janela, a trombólise no AVC isquêmico dá lugar à avaliação de trombectomia em janela estendida, guiada por neuroimagem de perfusão.

O que fazer se o horário é desconhecido?

No AVC do despertar, a ressonância com mismatch entre difusão e FLAIR identifica pacientes provavelmente dentro da janela, permitindo tratar mesmo sem horário definido. É conduta restrita a serviços estruturados, e materiais sobre o tema estão no portal da Academia Brasileira de Neurologia.

Quais critérios pesam na trombólise no AVC isquêmico?

A decisão cruza critérios de inclusão com uma lista de exclusões que precisa ser percorrida rapidamente, sem pular itens. A tabela resume os parâmetros da trombólise no AVC isquêmico:

Item Parâmetro
Janela ≤ 4,5 h do início
Imagem TC sem hemorragia
Pressão arterial < 185/110 mmHg antes de iniciar
Trombolítico alteplase 0,9 mg/kg (máx 90 mg)
Glicemia corrigir hipo/hiperglicemia extremas

Quais as principais contraindicações?

Hemorragia na tomografia, sangramento ativo, cirurgia de grande porte ou trauma craniano recentes, coagulopatia significativa e pressão não controlada acima de 185/110 mmHg. Uso de anticoagulante oral com INR elevado ou dose recente de anticoagulante direto também exclui a maioria dos casos.

Como preparar a pressão arterial?

Reduzindo para abaixo de 185/110 mmHg com anti-hipertensivo endovenoso titulável antes de iniciar a infusão. Depois da trombólise no AVC isquêmico, o alvo passa a ser inferior a 180/105 mmHg por 24 horas, com aferições frequentes segundo protocolo.

Como conduzir a trombólise no AVC isquêmico passo a passo?

O fluxo do código AVC é cronometrado e cada etapa tem um tempo-alvo definido, do acolhimento à infusão. Um roteiro prático organiza a sequência:

  1. Reconhecer o déficit e cronometrar o início dos sintomas;
  2. Realizar TC de crânio para excluir hemorragia;
  3. Checar critérios, glicemia e alvo pressórico;
  4. Infundir alteplase 0,9 mg/kg (10% em bolus);
  5. Monitorar déficit e pressão e avaliar trombectomia.

Quando encaminhar para trombectomia?

Diante de oclusão de grande vaso na angiotomografia, a trombectomia mecânica é indicada e pode ser feita em janelas bem mais amplas, chegando a 24 horas em casos selecionados por perfusão. A trombólise não deve ser adiada enquanto se organiza a transferência, e recomendações estão no portal da American Stroke Association.

Como vigiar após o trombolítico?

Com avaliação neurológica e pressórica em intervalos curtos nas primeiras 24 horas, evitando punções e sondagens desnecessárias. Piora súbita do déficit, cefaleia intensa, vômitos ou queda do nível de consciência exigem tomografia imediata pela suspeita de transformação hemorrágica, cuidado compartilhado com a medicina intensiva.

trombólise no AVC isquêmico
A janela é de até 4,5 horas do início dos sintomas.

Erros comuns na trombólise no AVC isquêmico

As armadilhas a seguir são as que mais atrasam ou inviabilizam a reperfusão:

  • Não cronometrar com precisão o início dos sintomas;
  • Iniciar sem excluir hemorragia na tomografia;
  • Ignorar o alvo pressórico antes da infusão;
  • Errar a dose ou a fração em bolus da alteplase;
  • Retardar a avaliação de trombectomia na oclusão de grande vaso.

A idade avançada contraindica?

Não. A idade avançada isoladamente não contraindica a trombólise, e pacientes acima de 80 anos também se beneficiam quando tratados na janela. O que pesa é o estado funcional prévio, a extensão do déficit e o risco hemorrágico individual.

Perguntas frequentes sobre trombólise no AVC isquêmico

As dúvidas mais comuns sobre a trombólise no AVC isquêmico aparecem a seguir, respondidas de forma objetiva.

Qual o trombolítico padrão?

A alteplase na dose de 0,9 mg/kg, com máximo de 90 mg, aplicando-se 10% em bólus e o restante em infusão de uma hora. A tenecteplase em dose única vem ganhando espaço por simplificar a administração, sobretudo quando há transferência para trombectomia.

AVC leve deve ser trombolisado?

Quando o déficit é incapacitante para aquele paciente — afasia, hemianopsia ou perda de força que comprometa a função —, sim, independentemente da pontuação baixa na escala. Déficits mínimos e não incapacitantes exigem discussão individual do risco hemorrágico.

A trombectomia dispensa a trombólise?

Não. Na oclusão de grande vaso dentro da janela, o paciente elegível deve receber a trombólise e seguir para a trombectomia, sem que uma atrase a outra. A trombectomia isolada fica para quem tem contraindicação ao trombolítico ou está fora da janela.

Qual o principal risco?

A transformação hemorrágica sintomática, que ocorre em uma pequena parcela dos tratados e exige suspensão imediata da infusão, tomografia e suporte. O risco é amplamente superado pelo ganho funcional quando os critérios são respeitados.

Hipertensão impede o tratamento?

Apenas se permanecer acima de 185/110 mmHg apesar do tratamento endovenoso. Conseguindo-se o controle com segurança, a trombólise pode ser realizada, mantendo-se o alvo pressórico nas 24 horas seguintes.

Os minutos que se perdem antes da agulha

O paciente chegou dentro da janela, a tomografia estava limpa e, ainda assim, a infusão só começou duas horas depois. O tempo não se perdeu na decisão clínica: foi na ficha preenchida antes do exame, na espera pelo laudo formal, na discussão sobre quem assina. A trombólise no AVC isquêmico raramente falha por falta de conhecimento — falha por falta de fluxo.

Construir e sustentar esse fluxo, com papéis definidos e tempos-alvo, é parte do treinamento em emergência tanto quanto conhecer os critérios. A Pós-Graduação em Medicina de Emergência do Instituto CDT trabalha o código AVC nesse nível operacional, com casos reais.

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