Olá, laringoscopista.
A intubação orotraqueal (IOT) é um procedimento que exige conhecimento teórico e prático do médico, sobretudo no ambiente pré-hospitalar.
Isso se deve à importância de se conseguir intubar na primeira laringoscopia, com objetivo de compensar o paciente e, assim, garantir um melhor prognóstico.
Entretanto, os fatores que geram dificuldade para a intubação de primeira passagem ainda não são plenamente conhecidos.
Nesse sentido, um estudo — Advanced airway management: a descriptive analysis of complications and factors associated with first-attempt intubation failure in prehospital emergency care — publicado no jornal Emergências em dezembro de 2021, avaliou as complicações e os fatores relacionados à falha na primeira tentativa de intubação orotraqueal no ambiente pré-hospitalar.
O objetivo do estudo foi analisar o manejo da via aérea em emergências pré-hospitalares e, com isso, determinar as principais complicações e os fatores ligados à falha na primeira tentativa de intubação.
Como o estudo foi realizado?
– Esse foi um estudo de coorte observacional retrospectivo.
– 425 pacientes foram avaliados e incluídos no estudo.
– Desse total, 417 pacientes foram intubados e 8 foram submetidos a um procedimento supraglótico (máscara laríngea ou ventilação com ambu).
Resultados
– A taxa de sucesso na primeira tentativa de intubação foi de 76,7%.
– Foram registradas 183 complicações em 92 pacientes.
– Os efeitos adversos foram mais frequentes no grupo que apresentou falha na primeira tentativa de IOT.
– As complicações mais comuns foram:
- Hipoxemia leve com SpO2 entre 80 e 90% (22,4%);
- Hipoxemia grave com SpO2 < 80% (5,5%);
- Intubação esofágica (21,9%);
- Hipotensão com PAS < 90mmHg (17,5%);
- Intubação seletiva (7,1%);
- Sangramento/laceração (8,7%);
- Vômito (9,3%);
- Parada cardiorrespiratória (5,5%)
– Os principais fatores associados à falha na intubação foram:
- Idade > 55 anos;
- Sexo masculino;
- IMC > 30;
- SpO2 < 90%;
- PCR como causa da IOT;
- Glasgow entre 9 e 13;
- Intubação realizada em público;
- Laringoscopia direta em vez de laringoscopia óptica;
- Uso de estilete;
- Posição do laringoscopista diferente da ortostática;
- Cormack-Lehane > 2.
Conclusão
Este estudo torna evidentes quais são os principais fatores relacionados à falha na primeira tentativa de intubação. Além disso, foi relatado que esse problema está associado a uma maior incidência de eventos adversos.
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