Existe um infarto que não aparece onde o olho procura. O infarto de parede posterior no ECG é subdiagnosticado justamente porque não há derivação convencional apontada diretamente para essa parede.
Perder esse diagnóstico significa negar reperfusão a um STEMI. Este guia mostra os sinais indiretos, a confirmação correta e as associações que todo plantonista precisa reconhecer de imediato.

Por que o infarto de parede posterior no ECG passa despercebido?
A parede posterior não tem derivação direta no ECG de 12 derivações. Assim, o infarto de parede posterior no ECG se manifesta por sinais em espelho nas derivações precordiais direitas.
O resultado é um traçado que parece “só isquemia anterior”, quando na verdade há oclusão transmural posterior. Reconhecer o padrão é uma competência central da cardiologia da emergência.
Quais derivações “olham” a parede posterior?
Nenhuma das 12 clássicas olha de frente. No infarto de parede posterior no ECG, são as derivações V7, V8 e V9 que registram a parede diretamente.
Qual artéria costuma estar envolvida?
Em geral a artéria circunflexa ou a coronária direita, o que explica a associação frequente com o infarto inferior e com o cuidado intensivo na medicina intensiva.
Como reconhecer o infarto de parede posterior no ECG?
O padrão indireto é característico e deve disparar a suspeita. A tabela resume os achados:
| Achado em V1–V3 | Interpretação |
|---|---|
| Infra de ST em V1–V3 | Imagem em espelho do supra posterior |
| Onda R alta (R/S > 1) em V1–V2 | Espelho da onda Q posterior |
| Onda T positiva e proeminente | Reflexo da isquemia transmural |
O que significa infra de ST em V1?
Infra de ST em V1–V3 é o gatilho: obriga a investigar a parede posterior, colocando as derivações V7–V9.
Como confirmar com V7-V9?
Posicionar os eletrodos posteriores e buscar supra de ST ≥ 0,5 mm em V7–V9 (≥ 1 mm em homens < 40 anos) confirma o infarto de parede posterior no ECG.
Que associações não podem escapar no infarto de parede posterior no ECG?
O infarto posterior raramente vem sozinho. A abordagem sistemática evita surpresas:
- Diante de supra inferior (DII, DIII, aVF), investigar sempre o ventrículo direito com V3R/V4R;
- Diante de infra em V1–V3, investigar a parede posterior com V7–V9;
- Confirmar reciprocidade entre paredes antes de fechar o laudo;
- Correlacionar sempre com a clínica e a curva de troponina;
- Acionar a reperfusão se confirmado o STEMI posterior.
Por que pesquisar o ventrículo direito?
O infarto inferior frequentemente acompanha o de VD, que muda o manejo (cuidado com nitrato e volume) e pode cursar com hipotensão e dispneia. Supra em V4R confirma o acometimento direito no infarto de parede posterior no ECG.
O infarto posterior isolado indica reperfusão?
Sim. O STEMI posterior isolado é indicação de reperfusão, ainda que não haja supra nas derivações usuais, seguindo as diretrizes da ESC.

Erros comuns diante do infarto de parede posterior no ECG
As armadilhas mais perigosas:
- Ler o infra anterior como “isquemia subendocárdica” e parar aí;
- Não posicionar V7–V9 quando há infra em V1–V3;
- Ignorar a onda R alta em V1 como variante normal;
- Esquecer de pesquisar VD no infarto inferior;
- Aguardar troponina para agir num STEMI eletrocardiográfico.
Vale registrar derivações extras de rotina?
Sim, sempre que o padrão indireto ou a clínica sugerirem. A biblioteca de ECG do LITFL ilustra bem esses traçados.
Perguntas frequentes sobre infarto de parede posterior no ECG
As dúvidas mais comuns no plantão aparecem a seguir.
Infra em V1-V3 é sempre infarto posterior?
Não, mas obriga a investigar a parede posterior com V7–V9 antes de descartar.
Onde coloco V7, V8 e V9?
Na mesma linha horizontal de V6, progredindo até a região paravertebral esquerda.
Qual o corte de supra em V7-V9?
Supra ≥ 0,5 mm (≥ 1 mm em homens < 40 anos) confirma o diagnóstico.
Precisa de supra nas derivações comuns?
Não. O padrão em espelho já indica reperfusão quando confirmado atrás.
Como diferenciar de causas de tontura/síncope?
Correlacionando com a clínica; a queixa de tontura pode mascarar uma síndrome coronariana.
Nunca mais perca um infarto de parede posterior no ECG
Deixar passar um STEMI posterior é negar tratamento a quem tinha janela de reperfusão — uma das falhas que mais pesam na consciência do emergencista. A insegurança na leitura fina do ECG é uma dor concreta de quem atende dor torácica.
A Pós-Graduação em Medicina de Emergência do Instituto CDT treina essa leitura sistemática com casos reais, do espelho precordial às derivações extras. Aprofunde na segurança diagnóstica e participe da comunidade médica do CDT.