O IMC é preditor de via aérea difícil?

Via aérea avançada - IOT obeso

Olá, laringoscopista.

A intubação orotraqueal (IOT) é um procedimento de resgate das vias aéreas, sendo o tempo necessário para sua realização um fator determinante para o prognóstico do paciente.

Contudo, diversos fatores podem dificultar a execução da IOT, como condições clínicas pré-existentes, obesidade ou alterações anatômicas.

Nesse contexto, discute-se atualmente a influência da obesidade (IMC > 30 kg/m²) no aumento da dificuldade da intubação.

O que investigou o estudo?

Um estudo intitulado “Association between body mass index and difficult intubation with a double lumen tube: A retrospective cohort study”, publicado no Journal of Clinical Anesthesia em outubro de 2022, avaliou a relação entre o índice de massa corporal (IMC) e o risco de intubação difícil com tubo de duplo lúmen.

Como o estudo foi realizado?

  • Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo;
  • Foram analisados 8.641 pacientes submetidos à IOT com tubo duplo lúmen;
  • Dois grupos foram formados: IMC < 30 (6.290 pacientes) e IMC > 30 (2.351 pacientes);
  • Todos os pacientes passaram por avaliação pré-operatória das vias aéreas feita por anestesiologistas.

Quais foram os principais resultados?

  • 1.459 pacientes foram classificados como portadores de via aérea difícil:
    • 16% no grupo IMC < 30 kg/m²;
    • 18% no grupo IMC > 30 kg/m².
  • Pacientes obesos apresentaram maior incidência de:
    • Escore de Mallampati aumentado;
    • Anormalidades anatômicas das vias aéreas;
    • Apneia do sono.
  • Na análise primária, a relação entre IMC e dificuldade de intubação foi linear;
  • Na análise secundária, a cada aumento de 5 kg/m² no IMC:
    • Houve elevação de 6% no risco de IOT difícil em pacientes sem anormalidades de via aérea;
    • Houve elevação de 7% nos casos com anormalidades identificadas.

Conclusão: IMC elevado significa via aérea difícil?

Apesar de haver uma relação entre IMC aumentado e maior risco de intubação difícil com tubo de duplo lúmen, o efeito observado foi pequeno do ponto de vista clínico.

Assim, os autores concluíram que o IMC, isoladamente, não se mostra um preditor útil para identificação de via aérea difícil.

Para mais detalhes sobre o estudo, clique aqui.

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