Em 11 de setembro de 2026, a Lancet Regional Health – Americas publicou o Global Burden of Disease 2023 sobre excesso de peso em 17 países latino-americanos. Entre adultos de 25 anos ou mais, a obesidade no Brasil passou de 7,8% em 1990 para 27,7% em 2023.
Em 1990, cerca de um em cada 13 adultos brasileiros tinha obesidade; em 2023, mais de um em cada quatro. No mesmo intervalo, o excesso de peso, que soma sobrepeso e obesidade, subiu de 40,3% para 66,8%, o que coloca dois em cada três adultos acima do peso.

O que o estudo GBD mostrou sobre a obesidade no Brasil?
A análise estimou prevalência de sobrepeso e obesidade por país, sexo e faixa etária, além da carga de doença atribuída ao IMC elevado. O resumo e os métodos estão na página do estudo no IHME, instituto que coordena o GBD.
Por que o Brasil se destacou entre os 17 países?
Segundo Deborah Malta, pesquisadora da UFMG e coautora do estudo, o aumento da obesidade no Brasil foi o maior entre os países analisados. No excesso de peso somado, o maior aumento percentual da região ficou com a Colômbia, de 68,9%.
Como a América Latina aparece no conjunto?
Em 2023, a região tinha 274 milhões de adultos com sobrepeso ou obesidade, 72,1% do total, sendo 127 milhões com obesidade. O Chile teve a maior prevalência padronizada de excesso de peso em adultos, de 79,9%, e o México liderou entre crianças.
A tabela reúne os principais números para comparação rápida. Os dados brasileiros referem-se a adultos de 25 anos ou mais, faixa usada pelo GBD para a população adulta.
| Indicador | 1990 | 2023 |
|---|---|---|
| Obesidade em adultos no Brasil | 7,8% | 27,7% |
| Excesso de peso em adultos no Brasil | 40,3% | 66,8% |
| Excesso de peso em adultos na América Latina | Não informado no resumo | 72,1% (274 milhões) |
| Obesidade em adultos na América Latina | Não informado no resumo | 127 milhões |
Quais doenças a obesidade no Brasil está puxando?
Na região, 15,8 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs) foram atribuídos ao IMC elevado em 2023. Diabetes, doença isquêmica do coração e doença renal crônica foram os três maiores contribuintes nos dois sexos.
Por que diabetes, coração e rim lideram?
A gordura visceral se associa a resistência insulínica, dislipidemia e hipertensão, o tripé da síndrome metabólica. Essa combinação alimenta o diabetes, acelera a aterosclerose coronariana e sobrecarrega o rim por hiperfiltração e hipertensão.
O que o dado muda na saúde da mulher?
O IMC elevado já está entre os três principais fatores de risco para DALYs em mulheres na maioria dos países da região. O artigo completo, com os dados por sexo, pode ser consultado pelo DOI da publicação na Lancet.

Como avaliar a obesidade no Brasil além do IMC?
O IMC funciona bem para contar casos numa população, mas classifica mal o risco de cada paciente. Um homem de 100 kg com 15% de gordura e outro com 35% têm o mesmo número na balança e perfis metabólicos opostos.
Por que medir a cintura em toda consulta?
A circunferência abdominal é marcador independente de risco cardiometabólico, porque reflete a gordura visceral. Pelo critério da IDF, valores de 94 cm ou mais em homens e 80 cm ou mais em mulheres indicam risco aumentado.
Qual roteiro seguir na primeira avaliação?
A avaliação do paciente com excesso de peso tem etapas que se complementam, e pular uma delas empobrece a decisão terapêutica. A sequência a seguir organiza a consulta inicial.
- Registrar peso, altura, IMC e circunferência abdominal no prontuário;
- Estimar composição corporal por bioimpedância ou outro método disponível;
- Rastrear glicemia, perfil lipídico, função renal e enzimas hepáticas;
- Investigar esteatose hepática e fibrose quando houver alteração metabólica;
- Revisar medicamentos que favorecem ganho de peso e condições como apneia do sono.
Como tratar a obesidade no Brasil na prática?
O tratamento combina mudança alimentar, atividade física, sono e, quando indicado, farmacoterapia ou cirurgia. O objetivo clínico é reduzir gordura preservando massa magra, e não apenas diminuir o número da balança.
Quando considerar medicamento?
A farmacoterapia costuma ser considerada com IMC de 30 ou mais, ou de 27 ou mais com comorbidade associada. A escolha do fármaco segue um protocolo de prescrição racional na obesidade, que pesa eficácia, custo e perfil de cada paciente.
Quais erros atrapalham o seguimento?
Alguns erros se repetem no consultório e anulam parte do benefício do tratamento. A lista reúne os mais frequentes, que valem tanto para a mudança de estilo de vida quanto para o uso de medicamentos.
- Acompanhar só o peso, sem medir cintura nem composição corporal;
- Perder peso à custa de músculo, sem proteína adequada nem treino de força;
- Suspender o tratamento ao atingir a meta, sem plano de manutenção;
- Ignorar comorbidades que já estão instaladas e exigem tratamento próprio.
Por que olhar os jovens agora?
Entre adolescentes e adultos jovens da região, a prevalência de obesidade cresceu 346,3% no período analisado. Esse avanço antecipa diabetes e doença cardiovascular, e o problema começa ainda antes, na obesidade em crianças.
Perguntas frequentes sobre obesidade no Brasil
As dúvidas mais comuns sobre o novo estudo e seus números estão respondidas abaixo. As respostas se baseiam no resumo publicado e na prática clínica.
Qual é a prevalência atual da obesidade no Brasil?
Pelo GBD 2023, 27,7% dos adultos brasileiros de 25 anos ou mais tinham obesidade. Somando sobrepeso, a proporção com excesso de peso chegava a 66,8%.
A obesidade no Brasil cresceu mais que nos vizinhos?
Sim, segundo a coautora Deborah Malta, o aumento da obesidade em adultos foi o maior entre os 17 países. A prevalência mais que triplicou entre 1990 e 2023.
O que é DALY e por que o estudo usa essa medida?
DALY soma os anos de vida perdidos por morte precoce e os vividos com incapacidade. A medida permite comparar o peso de fatores de risco muito diferentes numa mesma escala.
Quais doenças mais pesam na obesidade no Brasil e na região?
Diabetes, doença isquêmica do coração e doença renal crônica lideram a carga atribuída ao IMC elevado. Por isso, o rastreio dessas condições faz parte de qualquer avaliação do paciente com excesso de peso.
O IMC ainda serve para diagnosticar obesidade?
Serve como triagem e para estudos populacionais, mas não basta sozinho no consultório. Circunferência abdominal e composição corporal completam a avaliação do risco individual.
Obesidade no Brasil e o prontuário sem cintura
O paciente de 48 anos volta pela terceira vez para renovar o anti-hipertensivo, e o prontuário tem pressão anotada em todas as consultas, mas nenhuma medida de cintura. Com a obesidade no Brasil nesse patamar, a dúvida sobre como abordar o peso sem constranger nem improvisar é diária.
Conduzir essa conversa com método exige saber avaliar composição corporal, indicar farmacoterapia e acompanhar resultados. A pós-graduação em Nutrologia do Instituto CDT prepara o médico para tratar obesidade e doenças metabólicas com base em evidência.