Em 22 de setembro de 2026, a Anvisa publicou o registro do Yorvipath (palopegteriparatida), e o tema palopegteriparatida hipoparatireoidismo chegou ao consultório do endocrinologista. A indicação é o tratamento de adultos com hipoparatireoidismo crônico, conforme a Resolução-RE 3.645/2026 publicada no Diário Oficial.
Até aqui, o tratamento convencional compensava a falta de paratormônio com cálcio oral e calcitriol em doses altas, sem repor o hormônio que falta. O custo aparece na urina: sem PTH, o rim perde a capacidade de reabsorver cálcio, e a hipercalciúria abre caminho para nefrocalcinose, litíase e perda de função renal.

O que a Anvisa aprovou em palopegteriparatida hipoparatireoidismo?
A palopegteriparatida é um pró-fármaco de liberação prolongada do PTH(1-34), ligado a um carreador inerte que libera o hormônio de forma gradual. O comunicado da Anvisa sobre o registro descreve exposição contínua ao PTH na faixa fisiológica por até 24 horas.
Por que a liberação contínua importa?
A teriparatida e o PTH de ação curta produzem picos e vales ao longo do dia, o que dificulta estabilizar a calcemia. A exposição estável tenta imitar a secreção fisiológica da glândula e reduzir as oscilações entre hipocalcemia e hipercalcemia.
Quem é o paciente típico?
A maioria dos casos surge após cirurgia cervical, sobretudo tireoidectomia total por câncer, bócio ou hipertireoidismo. Causas autoimunes e genéticas, como a síndrome poliglandular autoimune tipo 1 e a deleção 22q11, respondem pela minoria.
Quais dados sustentam a palopegteriparatida no hipoparatireoidismo?
O registro de palopegteriparatida hipoparatireoidismo se apoia no ensaio de fase 3 PaTHway, com 84 adultos randomizados para a droga ou placebo por 26 semanas. A tabela resume os principais resultados publicados.
| Desfecho na semana 26 | Palopegteriparatida | Placebo |
|---|---|---|
| Desfecho composto primário | 79% (48/61) | 5% (1/21) |
| Independência de terapia convencional | 93% (57/61) | Não se aplica |
| Hipocalcemia como evento adverso | 10% | 43% |
| Reação no local da injeção | 31% | 0% |
O que era o desfecho primário?
O composto exigia cálcio sérico corrigido pela albumina entre 8,3 e 10,6 mg/dL, sem vitamina D ativa e com no máximo 600 mg/dia de cálcio. A diferença teve p < 0,0001, conforme o artigo do PaTHway no PubMed Central.
E a calciúria melhorou?
A calciúria média de 24 horas caiu de 392 para 220 mg no grupo tratado, e 60,7% atingiram valores normais. Os sintomas medidos por escala específica da doença também melhoraram em todos os domínios.

Como fazer a transição em palopegteriparatida hipoparatireoidismo?
A troca exige retirar o calcitriol e reduzir o cálcio de forma coordenada com a titulação do PTH. No estudo, a dose inicial foi de 18 mcg/dia, ajustada entre 6 e 60 mcg/dia em degraus de 3 mcg.
Quais passos seguir na troca?
A sequência abaixo resume a lógica usada no estudo e evita os dois extremos da calcemia. A posologia registrada no Brasil deve ser conferida na bula aprovada.
- Confirmar 25-hidroxivitamina D adequada, com reposição de vitamina D se necessário;
- Iniciar a dose diária e reduzir calcitriol e cálcio conforme a calcemia;
- Dosar cálcio sérico poucos dias após cada ajuste de dose;
- Titular até a calcemia normal com a menor dose possível de suplementos.
Qual erro mais aparece na transição?
O erro frequente é confundir a vitamina D nativa com a ativa. O colecalciferol deve ser mantido para garantir reserva, como explica o texto sobre como dosar a vitamina D, enquanto o calcitriol é o que se retira.
O que ainda não muda em palopegteriparatida hipoparatireoidismo?
O registro sanitário não garante acesso imediato, porque preço e lançamento ainda dependem da CMED e da fabricante. Também não há incorporação ao SUS, e o tratamento convencional segue como base na maioria dos pacientes.
Quais efeitos adversos acompanhar?
Nos dados de segurança de palopegteriparatida hipoparatireoidismo, a hipercalcemia ocorreu em 9,8% dos tratados, geralmente durante a titulação, e reações no local da injeção em 31%. A maioria dos eventos foi leve ou moderada, sem abandono do estudo por efeito da droga.
Quando o hipoparatireoidismo pós-operatório é crônico?
A hipocalcemia transitória após tireoidectomia é comum e costuma se resolver em semanas. O diagnóstico de doença crônica exige persistência por meses, e só então entram na discussão os sinais abaixo.
- Necessidade persistente de calcitriol e cálcio para manter a calcemia estável;
- PTH baixo ou inapropriadamente normal diante de cálcio sérico reduzido;
- Hipercalciúria recorrente apesar de ajustes na terapia convencional;
- Sintomas de hipocalcemia que atrapalham a rotina mesmo com suplementação.
Perguntas frequentes sobre palopegteriparatida hipoparatireoidismo
As dúvidas abaixo são as mais comuns desde o anúncio do registro. As respostas se limitam ao que o comunicado oficial e o PaTHway sustentam.
A palopegteriparatida hipoparatireoidismo serve para hipocalcemia aguda?
Não, a indicação é o hipoparatireoidismo crônico em adultos. A hipocalcemia sintomática aguda continua sendo tratada com gluconato de cálcio intravenoso e monitorização.
Como é aplicada a palopegteriparatida hipoparatireoidismo?
No estudo, a aplicação foi subcutânea, uma vez ao dia, com caneta preenchida. A dose é individual e titulada conforme o cálcio sérico.
A teriparatida para osteoporose pode substituir?
A teriparatida de ação curta foi desenvolvida para osteoporose, não para reposição contínua. Seu perfil de picos e vales não reproduz a secreção fisiológica necessária no hipoparatireoidismo.
Quem fez tireoidectomia recente já pode usar?
O registro vale para a forma crônica, e não para a hipocalcemia transitória do pós-operatório imediato. A avaliação deve esperar a definição de que a glândula não recuperou a função.
O medicamento já está disponível?
A aprovação da Anvisa não equivale a lançamento comercial. A disponibilidade depende da definição de preço e da decisão da fabricante.
Palopegteriparatida hipoparatireoidismo e a paciente com cálculos de repetição
O caso é típico: a mulher tireoidectomizada há anos toma calcitriol três vezes ao dia, já teve dois cálculos renais e ninguém dosou a calciúria no último ano. A chegada da palopegteriparatida hipoparatireoidismo reabre esse prontuário e exige saber quando indicar, como titular e o que monitorar.
Manejar cálcio, PTH e vitamina D com segurança pede domínio de metabolismo mineral e da cirurgia de tireoide. A pós-graduação em Endocrinologia do Instituto CDT aborda esse cenário com casos práticos, da investigação da calcemia ao seguimento a longo prazo.