Quando indicar a posição prona na SDRA e por quanto tempo manter o paciente pronado?

posição prona na SDRA

A posição prona na SDRA está indicada quando a relação PaO2/FiO2 fica abaixo de 150 mmHg com FiO2 de pelo menos 60% e PEEP mínima de 5 cmH2O, após um período curto de estabilização. As sessões devem durar ao menos 16 horas por dia, porque foi esse o esquema que reduziu a mortalidade.

Nas aulas de Medicina Intensiva da pós, os professores repetem uma sequência simples diante do paciente que dessatura: subir a FiO2, ajustar a PEEP, pronar e, como último recurso, discutir ECMO. O erro frequente é pular a prona por receio da manobra e chegar tarde à fase em que ela ainda faria diferença.

posição prona na SDRA
Antes de pronar, PEEP, volume corrente, pressão de platô e FiO2 precisam estar ajustados, porque a prona complementa a ventilação protetora e não a substitui.

Quais critérios indicam a posição prona na SDRA?

Os critérios vêm do estudo PROSEVA e foram incorporados às diretrizes. A indicação é para SDRA moderada a grave já em ventilação protetora, e não para qualquer hipoxemia.

Qual relação P/F justifica pronar?

A referência prática é P/F abaixo de 150 com FiO2 igual ou maior que 0,6 e PEEP de pelo menos 5 cmH2O. O ponto de corte de 150 é mais amplo que o de SDRA grave, que é 100, e por isso pega o paciente mais cedo.

O que o PROSEVA mostrou?

No estudo PROSEVA, publicado no NEJM, a mortalidade em 28 dias caiu de 32,8% para 16,0% com sessões de pelo menos 16 horas. Todos os centros tinham mais de cinco anos de experiência com a manobra, detalhe que pesa na hora de reproduzir o resultado.

A prona funciona só por melhorar a oxigenação?

Não, e essa nuance muda a forma de avaliar a resposta. A posição torna a ventilação mais homogênea, reduz a hiperdistensão e protege o pulmão, mesmo quando a PaO2 sobe pouco nas primeiras horas.

Como preparar a posição prona na SDRA com segurança?

A manobra é simples no papel e arriscada quando feita às pressas. Equipe, checagem de dispositivos e ajuste prévio do ventilador definem se o paciente chega pronado sem perder o tubo ou o acesso central.

Quais ajustes do ventilador vêm antes?

O paciente deve estar com volume corrente em torno de 6 mL/kg de peso predito, pressão de platô controlada e PEEP adequada. Os alvos estão em ventilação protetora na SDRA, e a prona só entra depois que esses parâmetros estão corretos.

Quem participa e o que checar?

A sequência numerada abaixo resume a checagem antes de virar o paciente. Ela reduz extubação acidental, perda de acessos e lesões de pele.

  1. Definir quem fica na cabeceira e comanda a contagem da virada;
  2. Conferir a fixação e a altura do tubo, aspirando a via aérea antes;
  3. Revisar cateteres, drenos e sondas, desconectando o que não for essencial;
  4. Proteger olhos, face, joelhos e mamas com coxins e curativos;
  5. Pausar a dieta antes da virada e reavaliar a gasometria após uma hora.

Pronar exige bloqueio neuromuscular?

Não necessariamente, e os professores insistem nesse ponto. Pronar não é sinônimo de bloquear, e muitos pacientes ficam bem com sedação profunda guiada pela escala RASS.

O bloqueador neuromuscular fica reservado para a assincronia paciente-ventilador grave que persiste após o ajuste fino. Usá-lo por rotina prolonga a sedação e dificulta a avaliação neurológica.

posição prona na SDRA
A oximetria acompanha a resposta durante a sessão, mas a decisão de manter ou suspender a prona se apoia na gasometria e na relação P/F.

Quando suspender a posição prona na SDRA?

A prona não é indefinida, e a decisão de parar segue critérios objetivos. Também há situações em que a manobra não deve começar.

Qual o critério para encerrar as sessões?

No PROSEVA, as sessões foram interrompidas quando, quatro horas após voltar à posição supina, a P/F ficava igual ou acima de 150 com PEEP até 10 e FiO2 até 0,6. Enquanto isso não acontece, o paciente volta a ser pronado diariamente.

Quais são as contraindicações e complicações?

A tabela abaixo reúne as principais situações de cautela e os problemas mais vistos na prática. Ela ajuda a decidir rapidamente na visita e a prevenir complicações conhecidas.

Situação Tipo Conduta prática
Instabilidade de coluna, pelve ou fêmur Contraindicação Não pronar até a fixação
Hipertensão intracraniana não controlada Contraindicação Priorizar o controle da pressão intracraniana
Choque grave e instável Cautela Estabilizar antes da manobra
Lesão por pressão em face e joelhos Complicação Coxins e mudança da cabeça a cada poucas horas
Extubação ou perda de acesso Complicação Cabeceira dedicada e checagem antes da virada

Dá para manter dieta enteral em prona?

Dá, e suspender a nutrição por rotina é um erro comum. Os cuidados com aspiração e via pós-pilórica nos casos de maior risco estão em nutrição enteral no paciente crítico.

Quais erros mais atrapalham a posição prona na SDRA?

Os erros mais caros são de tempo e de leitura da resposta. A maior parte deles aparece quando a equipe trata a prona como medida de resgate tardio.

O que costuma dar errado na prática?

Os itens abaixo resumem as falhas mais vistas nos casos discutidos em aula. Cada um reduz o benefício demonstrado nos estudos.

  • Esperar dias de hipoxemia grave antes da primeira sessão;
  • Fazer sessões curtas, de quatro a seis horas, por conveniência da rotina;
  • Julgar a resposta por um valor isolado, sem olhar a tendência da P/F;
  • Pronar no plantão noturno sem equipe treinada e com tubo mal fixado.

E se a equipe não estiver preparada?

Num plantão sem equipe treinada, a conduta mais segura pode ser otimizar PEEP e FiO2 e pronar com a equipe completa logo depois. As diretrizes da ESICM sobre SDRA reforçam a prona na SDRA moderada a grave, mas a segurança da manobra depende de treino.

Perguntas frequentes sobre posição prona na SDRA

As dúvidas a seguir são as mais comuns entre plantonistas de UTI. As respostas são curtas e servem de revisão antes da visita.

Quantas horas deve durar a posição prona na SDRA?

O esquema com benefício comprovado usa pelo menos 16 horas consecutivas por dia. Sessões curtas não reproduzem o resultado do PROSEVA.

A posição prona na SDRA serve para COVID-19?

Sim, a SDRA por COVID-19 segue os mesmos critérios de P/F, FiO2 e PEEP. Durante a pandemia, a manobra virou rotina em muitas UTIs brasileiras.

Se a oxigenação não melhorar, a prona falhou?

Não necessariamente, porque o benefício vem também da proteção pulmonar. A tendência da P/F ao longo das sessões e a mecânica respiratória orientam melhor que um único valor.

Paciente obeso pode ser pronado?

Pode, e a posição prona na SDRA no obeso exige mais cuidado com a pressão abdominal, a pele e a fixação do tubo. A equipe costuma precisar de mais pessoas para a virada.

Quando pensar em ECMO?

Quando a hipoxemia ou a acidose respiratória persistem apesar de ventilação protetora, PEEP ajustada e prona. A discussão com um centro de referência deve começar cedo.

Posição prona na SDRA: decisão na hora certa

O paciente com P/F de 110 às 18 h, PEEP de 14 e FiO2 de 80% não precisa de mais uma gasometria para decidir. Ele precisa que alguém organize a equipe, cheque o tubo e comece a posição prona na SDRA antes que a hipoxemia vire refratária.

Saber indicar, conduzir e suspender a manobra com segurança é o que separa o intensivista confiante do plantonista que adia por insegurança. A pós-graduação em Medicina Intensiva aprofunda ventilação mecânica, SDRA e sedação com casos discutidos pelos professores.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe este post:

Posts relacionados

Sem mais posts para mostrar