O TEPT diagnóstico e conduta é um tema que desafia o médico não psiquiatra por dois motivos simultâneos: o quadro é frequentemente subdiagnosticado — confundido com depressão ou transtorno de ansiedade — e o tratamento tem armadilhas farmacológicas graves.
A principal é a prescrição de benzodiazepínico para “ajudar a dormir” — exatamente a medicação contraindicada no TEPT.
O que é TEPT e quem está em risco?
O TEPT se desenvolve após exposição a evento traumático real — morte, ameaça de morte, lesão grave ou violência sexual.
A exposição pode ser direta, testemunhada ou por relato de familiar próximo — exposição por mídia não configura critério.
A prevalência ao longo da vida é de 7 a 8% na população geral — podendo ultrapassar 30% em grupos de risco como sobreviventes de violência sexual, profissionais de saúde e militares.
Quais são os critérios diagnósticos do TEPT (DSM-5)?
O TEPT diagnóstico e conduta exige a presença de todos os clusters abaixo, com duração mínima de 1 mês após o evento:
- Critério A — Exposição: evento traumático real conforme definição acima;
- Critério B — Sintomas intrusivos (≥ 1): lembranças involuntárias e recorrentes, pesadelos, flashbacks, sofrimento intenso diante de gatilhos;
- Critério C — Evitação (≥ 1): esquiva de pensamentos, sentimentos, pessoas ou lugares que evoquem o trauma;
- Critério D — Alterações cognitivas e do humor (≥ 2): amnésia dissociativa, crenças negativas persistentes, culpa distorcida, anedonia, estado emocional negativo persistente;
- Critério E — Hiperativação (≥ 2): irritabilidade, hipervigilância, resposta de sobressalto exagerada, insônia, dificuldade de concentração.
Ponto importante: o diagnóstico só pode ser firmado após 1 mês da exposição. Quadro semelhante com menos de 1 mês recebe o diagnóstico de Transtorno de Estresse Agudo.
Como diferenciar TEPT de luto, depressão e TAG?
O diagnóstico diferencial é onde o médico mais erra. O TEPT tem como elemento central a reexperienciação — flashbacks, pesadelos, evitação de gatilhos.
A depressão sem trauma raramente inclui esses elementos; comorbidade ocorre em até 60% dos casos. O luto envolve saudade e funcionalidade alternada; o TEPT envolve terror e hipervigilância. A ansiedade no TAG é flutuante e difusa — no TEPT é circunscrita ao trauma e inclui revivência.
Veja mais em transtorno de ansiedade generalizada diagnóstico para aprofundar o diagnóstico diferencial.

Qual é o tratamento de primeira linha no TEPT diagnóstico e conduta?
Psicoterapia — primeira linha absoluta
A psicoterapia é a intervenção com maior evidência — superior à farmacoterapia isolada. A Terapia de Processamento Cognitivo e a Terapia de Exposição Prolongada têm nível A de evidência, com remissão em até 60 a 70% dos casos em protocolos de 12 a 16 sessões. O EMDR é alternativa quando a exposição direta não é tolerada.
Farmacoterapia de primeira linha
Os ISRS são os fármacos de primeira linha, com aprovação FDA para sertralina e paroxetina. Doses-alvo: sertralina 100 a 200 mg/dia; paroxetina 40 a 60 mg/dia.
A venlafaxina XR é a alternativa IRSN de primeira linha, alvo 150 a 300 mg/dia. O tempo de resposta é 8 a 12 semanas — abandono precoce é a causa mais frequente de refratariedade.
Prazosina: o fármaco específico para pesadelos
A prazosina tem indicação específica para pesadelos e insônia relacionados ao trauma no TEPT diagnóstico e conduta.
É um bloqueador alfa-1 adrenérgico que reduz a atividade noradrenérgica noturna. Protocolo: iniciar 1 mg à noite, titular até 3 a 10 mg/noite. Para adjuvância em insônia refratária, quetiapina 25 a 200 mg/dia pode ser utilizada.
Veja o protocolo de ISRS no espectro ansioso em TOC tratamento farmacológico.
O que não usar no TEPT — contraindicações importantes
Benzodiazepínicos são contraindicados no TEPT diagnóstico e conduta — e isso precisa ser explícito.
O mecanismo é claro: o TEPT depende do sono REM para processamento do trauma. Benzodiazepínicos suprimem o sono REM — impedindo a elaboração do evento, cronificando o quadro e gerando dependência.
O mesmo vale para zolpidem e eszopiclona — hipnóticos que também suprimem o sono REM. Não ceder à pressão do paciente que pede “algo para dormir” é uma das condutas mais importantes no manejo psiquiátrico de consultório.
TEPT na emergência: quando e como agir
Na emergência, a abordagem do TEPT diagnóstico e conduta envolve manejar as crises que o quadro precipita — não o tratamento do TEPT em si.
Dissociação aguda
A crise dissociativa com flashback intenso exige técnicas de ancoragem — estimulação sensorial e respiração guiada — antes de qualquer farmacologia.
Agitação psicomotora grave
Haloperidol 2,5 a 5 mg IM ou olanzapina 5 a 10 mg IM são as opções mais seguras — sem comprometer o sono REM.
Ideação suicida associada
O TEPT é fator de risco independente para suicídio — especialmente quando comórbido com depressão. Com ideação suicida ativa, avaliação de risco e decisão sobre internação seguem o protocolo padrão. Veja mais em medicina de emergência abordagem prática.
Perguntas frequentes sobre TEPT diagnóstico e conduta
As dúvidas abaixo são as mais comuns no manejo do TEPT no consultório não especializado.
Por quanto tempo manter o tratamento farmacológico?
O mínimo recomendado é 12 meses após a remissão clínica. Pacientes com múltiplos episódios ou comorbidades podem necessitar de tratamento por períodos mais longos.
O TEPT em criança tem apresentação diferente?
Sim. Crianças apresentam o trauma por encenações em brincadeiras, pesadelos sem conteúdo reconhecível e comportamento regressivo. O encaminhamento para psiquiatra infantil é obrigatório. Veja como trabalhar com psiquiatria infantil.
Qual a diferença entre TEPT e Transtorno de Estresse Agudo?
O Transtorno de Estresse Agudo tem início dentro de 3 dias e duração de 3 dias a 1 mês após o trauma. Quando os sintomas persistem além de 1 mês, o diagnóstico se converte para TEPT — com implicações terapêuticas distintas, especialmente no que se refere à indicação de farmacoterapia de manutenção.
O manual completo para psiquiatria clínica no consultório
O TEPT diagnóstico e conduta é apenas um dos quadros do espectro. Depressão resistente, transtorno bipolar, TOC, TAG e psiquiatria na gestante compõem o que chega ao consultório.
O Manual Prático de Psiquiatria do Instituto CDT reúne todos esses protocolos com linguagem clínica direta e algoritmos prontos para o dia a dia.