Olá, médico.
A intubação orotraqueal (IOT) é um procedimento que exige habilidade e precisão, especialmente no cenário de emergência pré-hospitalar, onde o tempo é limitado e as condições nem sempre são ideais.
O número de tentativas necessárias e o tempo até a realização do procedimento impactam diretamente o prognóstico do paciente. Por isso, conhecer os preditores de sucesso na primeira passagem é fundamental para adotar a melhor conduta e aumentar as chances de desfecho positivo.
O que investigou o estudo?
O estudo “Predictors for Prehospital First-Pass Intubation Success in Germany”, publicado no Journal of Clinical Medicine (fevereiro de 2022), avaliou quais fatores mais influenciam o sucesso da intubação de primeira passagem no ambiente pré-hospitalar.
Como o estudo foi realizado?
- Tipo de estudo: análise retrospectiva realizada na Alemanha;
- Amostra: 388 pacientes avaliados, sendo 308 incluídos;
- Técnica: Sequência Rápida de Intubação (SRI) com laringoscopia direta usando lâminas curvas;
- Drogas mais utilizadas: midazolam, fentanil, cetamina e propofol.
Principais resultados
- Visualização das cordas vocais: sucesso em 82% dos casos;
- Grau de Cormack-Lehane:
- Grau I → 93% de sucesso;
- Grau II → 79%;
- Grau III → 21%;
- Grau IV → 27%;
- Ausência de colar cervical: 72% de sucesso;
- Experiência e treinamento contínuo foram determinantes, enquanto o nível de carreira isolado não influenciou tanto;
- Médicos clínicos gerais tiveram menor taxa de sucesso na primeira tentativa.
Conclusão: como aumentar o sucesso da IOT na primeira passagem?
Os maiores preditores de sucesso foram:
- Visualizar bem as cordas vocais;
- Ter grau I na escala de Cormack-Lehane;
- Remover o colar cervical durante o procedimento, quando possível e seguro;
- Manter treinamento constante e experiência prática.
Esses achados reforçam que não basta conhecer a técnica — é preciso aplicar estratégias que aumentem a eficiência desde a primeira tentativa, minimizando riscos e complicações.