Dor de garganta: quando indicar antibiótico na faringite

O escore de Centor orienta quando testar e tratar a faringite.

A dor de garganta é uma das queixas mais frequentes, e poucas decisões geram tanta hesitação quanto prescrever ou não um antimicrobiano.

A maioria dos quadros é viral e autolimitada, mas o medo de deixar passar um Streptococcus pyogenes leva ao excesso. Definir com critério o antibiótico na faringite reduz uso desnecessário, efeitos adversos e resistência.

O escore de Centor orienta quando testar e tratar a faringite.
O escore de Centor orienta quando testar e tratar a faringite.

Por que a maioria das faringites não precisa de antibiótico?

Vírus respiratórios respondem pela maior parte das faringoamigdalites em adultos e crianças. Rinovírus, adenovírus, influenza e Epstein-Barr causam dor de garganta com tosse, coriza, rouquidão e conjuntivite, sinais que sugerem etiologia viral.

Quais sinais sugerem causa viral?

Nesses quadros, o antibiótico na faringite não encurta a evolução nem previne complicações, apenas expõe o paciente a diarreia, candidíase e reações alérgicas. A conduta de base é sintomática, reservando o antimicrobiano à minoria com infecção bacteriana provável.

Quando suspeitar de faringite estreptocócica?

O alvo do tratamento é o Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A), mais comum em escolares e menos frequente nos adultos.

O quadro típico combina dor de garganta de início abrupto, febre, exsudato amigdaliano e linfonodos cervicais anteriores dolorosos, sem tosse.

A diferenciação clínica isolada é imperfeita, e é aí que entram os escores de probabilidade, que organizam o raciocínio e indicam quem merece teste ou tratamento, evitando a antibioticoterapia em massa.

Como aplicar o escore de Centor/McIsaac?

O escore de Centor, modificado por McIsaac para incluir a idade, estima a probabilidade de infecção estreptocócica a partir de quatro achados clínicos e do ajuste etário.

CritérioPontos
Febre > 38 °C+1
Ausência de tosse+1
Linfonodos cervicais anteriores dolorosos+1
Exsudato/edema amigdaliano+1
Idade 3 a 14 anos+1
Idade 15 a 44 anos0
Idade ≥ 45 anos−1

A interpretação orienta a conduta:

  • Escore 0 a 1: baixa probabilidade; conduta sintomática, sem teste nem antibiótico na faringite;
  • Escore 2 a 3: probabilidade intermediária; indicar teste rápido de antígeno ou cultura de orofaringe;
  • Escore 4 a 5: probabilidade mais alta; testar e tratar conforme o resultado.

Devo testar antes de prescrever?

A confirmação microbiológica sustenta a decisão racional. O teste rápido de antígeno tem boa especificidade; quando negativo em crianças, a cultura de orofaringe confirma, dada a gravidade das complicações nessa faixa. Em adultos com escore baixo, nem testar é necessário.

Tratar só pela clínica é aceitável apenas em escores muito altos ou sem acesso laboratorial.

Essa lógica de testar antes de tratar orienta o uso criterioso de outras classes, tema dos textos sobre indicações da ceftriaxona e sobre usos terapêuticos da clindamicina.

Qual é a primeira linha de antibiótico na faringite estreptocócica?

Confirmada a infecção pelo grupo A, a penicilina permanece como referência. O Streptococcus pyogenes nunca desenvolveu resistência clinicamente relevante a ela, o que a mantém como escolha segura e de espectro estreito.

As opções de primeira linha incluem:

  1. Amoxicilina 50 mg/kg/dia (máximo 1 g) dividida a cada 12 horas por via oral durante 10 dias;
  2. Penicilina G benzatina 1,2 milhão UI por via intramuscular em dose única, útil quando há dúvida sobre adesão;
  3. Amoxicilina 500 mg a cada 8 horas por via oral por 10 dias no adulto, conforme o esquema do guia-fonte.

O espectro restrito da penicilina é uma virtude: preserva a microbiota e contém a seleção de cepas resistentes, preocupação detalhada no conteúdo sobre benefícios e limites da azitromicina.

Quais alternativas usar na alergia à penicilina?

Na alergia documentada aos betalactâmicos, as alternativas validadas são cefalexina 500 mg a cada 12 horas por 10 dias (se a reação não for grave) ou um macrolídeo.

A azitromicina 500 mg ao dia por 5 dias é opção, embora a resistência regional dos macrolídeos exija atenção, ponto abordado no material sobre uso seguro da azitromicina di-hidratada e no texto sobre azitromicina em dose única.

A maioria das faringites é viral e não exige antibiótico.
A maioria das faringites é viral e não exige antibiótico.

Por que o objetivo principal é prevenir a febre reumática?

Tratar a faringite estreptocócica não visa acelerar os sintomas, que cedem em poucos dias com ou sem antimicrobiano. O alvo é erradicar o Streptococcus pyogenes e prevenir a febre reumática e a cardiopatia reumática, complicações tardias de reação imunológica cruzada.

A janela é ampla: iniciar o tratamento até cerca de nove dias dos sintomas ainda previne a febre reumática.

A gravidade do desfecho evitado justifica a precisão em selecionar quem tratar, como reforça a ficha técnica da OMS sobre cardiopatia reumática.

Quais são os erros comuns na prescrição de antibiótico na faringite?

A insegurança diante da dor de garganta gera condutas previsíveis e evitáveis. Reconhecê-las melhora a segurança do paciente:

  • Prescrever antibiótico na faringite viral, com tosse e coriza no quadro;
  • Optar por espectro largo (quinolonas, amoxicilina-clavulanato) quando a penicilina resolveria;
  • Usar quinolona para faringite, conduta sem respaldo e que pressiona a resistência;
  • Encurtar o curso da amoxicilina abaixo de 10 dias, comprometendo a erradicação;
  • Tratar todo escore baixo, sem teste, “por precaução”.

Por que evitar o espectro largo desnecessário?

A diretriz da American Family Physician sobre faringite estreptocócica reforça que a decisão combina escore validado e teste.

Optar pela penicilina, e não por um antibiótico na faringite de amplo espectro, contém a resistência, lógica também presente no texto sobre indicações da azitromicina di-hidratada e no conteúdo sobre critérios diagnósticos da sepse.

Perguntas frequentes sobre antibiótico na faringite

Abaixo, as principais dúvidas da rotina ao decidir sobre o antibiótico na faringite.

O antibiótico encurta a dor de garganta?

O efeito sobre os sintomas é modesto, de cerca de um dia. O benefício maior é prevenir complicações.

Faringite com pus sempre é bacteriana?

Não. Exsudato também ocorre em infecções virais, como a mononucleose; o escore e o teste evitam conclusões precipitadas.

Quanto tempo após o início posso tratar?

A prevenção da febre reumática mantém-se eficaz quando o tratamento começa até cerca de nove dias dos sintomas.

Posso usar azitromicina como primeira escolha?

Não. O macrolídeo é alternativa para alérgicos à penicilina, e seu uso amplo enfrenta resistência crescente.

Quando reavaliar o paciente?

Reavalie sem melhora em 48 a 72 horas ou diante de disfagia intensa, trismo, abaulamento ou desvio da úvula, sinais de complicação supurativa.

Decidir o antibiótico na faringite com segurança e sem hesitação

A cada plantão lotado, a dor de garganta reaparece e a pressa empurra para a prescrição automática.

Dominar o escore de Centor/McIsaac, a primeira linha e as alternativas transforma a dúvida sobre o antibiótico na faringite em decisão objetiva, protegendo o paciente do excesso de antimicrobianos e do risco de febre reumática.

Para consolidar fluxos, doses e exceções de toda a antibioticoterapia em uma referência de bolso, aprofunde-se no Guia Prático de Antibioticoterapia e leve essa precisão para o consultório.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe este post:

Posts relacionados

Sem mais posts para mostrar